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domingo, 27 de março de 2011

A TERCEIRA ORELHA DE STELARC





                            A TERCEIRA ORELHA DE STELARC
Desde a década de 60 que o artista performático autraliano vem fazendo experiências sobre os limites do corpo huamno e as possibilidades de transformá-lo.
Falando sobre sua mais recente obra - o implante de uma orelha no antebraço - ele disse  que descobriu o prazer de como se conectar a esta  necessidade humana de expressar algo, cujo resultado chamamos de arte, que vai além da compreenção dos sentidos do  corpo. Para ele a condição biológica humana não está apta a atender às novas necessidades impostas pelo cenário midiático que estrutura o pensamento. Considera  que o corpo humano está obsoleto epropõe um completo redsign. Para ampliar sua obra  ele pretende instalar microfones na sua terceira orelha para que, através da internete e de outros meios de comunicação, as pessoas possam escutar o que ele está ouvindo naquele momento. 
Conhecido mundialmente por suas experiências futurísticas e bizarras com o próprio corpo, o artista incorpora temas da "maquinização" humana em suas obras. " - Nos podemos agora ser engenheiros de órgãos externos adicionais para o nosso corpo funcionar no mundo tecnológico que agora habitamos," afirmou Stelarc. O artista, com sua obra excêntrica, nos leva a refletir sobre a possível evolução do corpo humano e animal, que estaria além de nossas conhecidas capacidades atuais, e a nos perguntar quais serão os limites científicos e éticos para a criação de órgãos sem corpos? 
Desde a pré-história, o homem pretendeu modificar sua imagem corporal e adaptá-la ao seu gosto pessoal. Para adornar orelhas, lábios e narizes, os povos primitivos  sacrificavam o próprio corpo, perfurando e implantando objetos estranhos.  A cirurgia plástica, tanto a reparadora como a embelezadora, tornou-se um dos setores  mais desenvolvidos da medicina moderna. Ela tem ajudado a natureza, tornando o ser humano mais belo e confiante em si próprio. Mas é apenas um pequeno fragmento do complexo mosaico das práticas cirúrgicas para embelezamento e correção do corpo humano.  Stelarc está abrindo um novo caminho que certamente também será utilizado para embelezamento do corpo a exemplo do uso de pirsing e outros corpos estranhos. 
Do ponto de vista artístico, o performático Stelarc tornou-se uma espécie de exposição viva da sua obra. 
Quando olhamos um objeto de arte experimentamos a vivência interna que ela nos traz, que pode ser de prazer, espanto ou admiração, e assim abrimos espaços para a manifestação dos nossos sentimentos em relação ao que estamos vendo.  A arte de nossos dias tornou-se um emaranhado das experiências humanas, associado aos prazeres sensoriais e intlectuais das mais diversas correntes artísticas, fundamentadas na liberdade individual de expressão. 
A forma, aparentemente bizarra, que Stelarc se expressa, sempre estará sugeita às mais recentes tecnologias e criticas. Sua obra mostra que o ser humano é fundamentalmente  caracterizado pela possibilidade de liberdade e que mudando nossas mentes poderemos mudar o mundo. Enquanto para muitos pensadores é algo aterrorizante, para ele é uma forma poética e artística, que busca retratar a expansão do corpo no futuro a partir das conecções com as novas tecnologias.
Nicéas Romeo Zanchett

TATUAGEM - A ARTE NA PELE





                         TATUAGEM A ARTE NA PELE 
                                      Por Nicéas Romeo Zanchett 
              A tatuagem é antes de tudo uma forma de exibicionismo para o sexo oposto. 
             É na natureza que podemos identificar as mais diversas formas de exibicionismo para chamar a atenção na busca de uma parceira para o acasalamento. O pavão abre sua cauda em leque multicolorido para  atrair a fêmea. O Galo da Serra, infla o peito e abre sua linda plumagem para impressionar  sua parceira. 
            Os seres humanos buscam na tatuagem, além do exibicionismo, uma forma de expressão do seu interior tatuando o corpo com desenhos que traduzem sua maneira de viver e amar.
             No mundo inteiro a tatuagem é bastante praticada e divulgada por pessoas famosas. 
             A tatuagem vem, cada vez mais, tomando conta da pele dos brasileiros. Musas da TV e dos Palcos, médicos, advogados, jornalistas, juízes renomados, homens e mulheres na terceira idade, também possuem suas tatuagens.  Alguns fazem questão de mostrar, outros as mantém apenas para deleite de seus parceiros íntimos. 
            Ao contrário do que muita gente pensa, a tatuagem não teve origem com os marinheiros dos diversos cais de portos do mundo.  Arqueólogos descobriram configurações em múmias no Chile e Egito.  Otamanos, mongóis e brâmanes adotavam tatuagens para designar valentia, autoridade ou submissão. Nas Minas de pólvora da China e Caiena, na Guiana Francesa, as partilhas quentes que incrustravam a pele dos mineiros representavam força de trabalho e coragem.  Meninos em tribos asiáticas provocavam  cicatrizes quando se tornavam caçadores, e as mulheres também se tatuavam quando pariam pela primeira vez. 
           O significado da grafologia e simbologia usados nos desenhos é tão extenso quanto a própria criatividade. 
           Para o povo asteca, a borboleta significava a concretização da evolução do ser. Hoje se associa à liberdade, à natureza ou a transformação.
            No Oriente, um dragão ou cobra com asas representa uma imagem sagrada. Quando Confúcio avistou  Lao Tsé, pai do taoismo, sobre uma montanha chinesa, exclamou: "eis o Dragão, o Senhor do Conhecimento." Já na Europa este símbolo é relacionado a um objeto fálico e narcisista. 
            A representação das diversas pinturas varia conforme a experiência e imaginação das pessoas. Tudo é uma questão de expressão daquele momento e por isso muitos jovens se arrependem de determinado desenho quando seu conhecimento e experiência de vida evoluem. Muitos tentam apagar e outros buscam formas de mudar seu desenho, tentando adaptá-lo aos seus atuais sentimentos. 
              Nas academias de ginástica, nos esportes e em todas as praias da costa brasileira pode-se apreciar um verdadeiro batalhão de jovens exibindo os mais diversos motivos pintados em seus belos corpos bronzeados. 
              A irreversibilidade dos desenhos é uma questão importante que precisa estar na mente de quem vai ser tatuado. Hoje existe  a tatuagem descartável criada com tintas hidro- cores sobre as quais é passado um verniz que resiste a muitos banhos.  É ideal para quem quer ter sua primeira experiência com esta arte  na própria pele. 
            Quando se fala em tatuagem, a primeira pergunta que nos vem é: dói muito?  A dor é o ingrediente que leva muitos jovens a desistir dessa experiência. Muitos profissionais utilizam-se de diversos artifícios para amenizar este sofrimento. Pomadas anestésicas, música ambiente, paredes cheias de Posters e até potentes refletores que visam distrair o consciente do tatuando, são utilizados.
            A decoração de um ateliê de tatuagem é muito especial. Alguns chegam parecer uma caverna cheia de mistérios. Entrar em um ateliê de tatuagem repleto de fotos, quadros e álbuns é um a verdadeira viagem ao imaginário. Os incríveis desenhos das paredes fazem uma verdadeira lavagem cerebral. Os olhos passeiam pelos posters do teto ao chão, pelo corpo multicolorido do tatuador e pela luz ambiente. A cabeça começa a girar e o coração dispara. O medo vai pouco-a-pouco se transformando em ansiedade e curiosidade. 
             Um bom tatuador é antes de tudo um bom desenhista. Tatuagem não tem rascunho e um simples ponto, uma curva errada ou um pequeno deslize pode transformar um camaleão em um dragão, um colibri em uma águia, um peixinho num tubarão. 
Qual é o desenho ideal? Essa pergunta só pode ser respondida por quem vai ser tatuado. É preciso pensar muito antes de decidir para não haver precoce arrependimento. Os diversos catálogos disponíveis nos ateliês podem ajudar muito. Outra sugestão é nunca começar com uma tatuagem grande. Uma simples borboletinha pode leva-la a sentir qual é o seu verdadeiro sonho. 
Nicéas Romeo Zanchett 

sexta-feira, 25 de março de 2011

O ESTADO DO VATICANO





                                  O ESTADO DO VATICANO
O Território do Estado do Vaticano mede menos de meio kilômetro quadrado (0,44 Km2). É 140 vezes menor que a menor república do mundo, a de San Marino. A superfície da Basílica tem 15 mil m2, a do Palácio Apostólico é de 55 mil m2. A largura máxima do território chega somente a 1.045 metros.  Tem 20 pátios e cerca de mil habitantes de umas 15 nacionalidades diferentes. Há 1.400 moradias e cerca de 200 automóveis levam a chapa SCV (Stato della Cittá del Vaticano).
O Vaticano, sede oficial da Igreja Católica, é o menor Estado independente do mundo, um Estado dentro de uma cidade, Roma. 
A primeira Basílica - seu centro espiritual - foi construída no século IV, por ordem do imperador romano Constantino, que se dizia convertido ao cristianismo.
Houve uma época em que o Vaticano ficou quase todo abandonado - os papas residiam em Avingnon, na França. A sede do Papado voltou ao seu local de origem só em 1377, com Gregório XI. Inicia-se então a sua ampliação e se enriquecem suas dependências com obras de artistas famosos.
No século XV, a Basílica  construída por Constantino ameaça ruir e o Papa Nicolau V manda fazer uma nova, a de São Pedro, Abrangendo, além da área da antiga catedral, a de um circo que o imperador Calígula fizera construir nos primeiros anos da era cristã. Esta construção milionária deu origem às famosas vendas de indulgências. Em 1515, para pagar a construção da igreja de São Pedro, o Papa organiza, especialmente na Alemanha, a venda de indulgências plenárias que asseguravam aos compradores o perdão de seus pecados e das penas temporais por êsses pecados. Foi este o principal fato que causou a revolta de Martinho Lutero (1483 x 1546) criador da reforma do cristianismo, dando origem à igreja que leva seu nome e o protestantismo que congrega diversas seitas de cristãos. 
Na idade média, os papas governavam não apenas o Vaticano, mas toda a cidade de Roma - da qual o Vaticano já fazia parte - e boa porção da Itália. Chamou-se a região dos Estados Pontifícios. 
Nos tempos modernos houve disputas entre opoder da igreja e o do Estado. Em 1871, quando a Itália completava sua unificação política, uma lei suspendeu o direito papal sobre os territórios além do Vaticano, propriamente dito. Na ocasião a igreja não aceitou essa imposição e o Papa passou a considerar-se  como "prisioneiro do Vaticano". A questão só seria resolvida em 1929, pelo Tratado de Latrão, segundo o qual se firmam o "status" político, a inviolabilidade territorial do vaticano e a neutralidade política e militar do Papa. Este exerce poderes absolutos  em seu Estado, sendo que deixa o executivo ao governador civil. 
O poder da Igreja católica tem diminuído, mas o cristianismo continua sendo a crensa mais praticada em todo o mundo
Nicéas Romeo Zanchett 


O PATINHO FEIO e A VIDA DE CHRISTIAN ANDERSEN





    O PATINHO FEIO e A VIDA DE CHRISTIAN ANDERSEN 
A história do autor de "O Patinho Feio". 
Hans Chritian Andersen nasceu em Odense, na Dinamarca, a 2 de abril de 1805. Seu pai era sapateiro de condição humilde, mas tinha grandiosos sonhos. Alistou-se como soldado para lutar na guerra napoleônica e um ano mais tarde voltou doente, morrendo logo em seguida. A família ficou na miséria. 
A mãe de Christian casou-se novamente e o abandonou, tendo ele de virar-se sosinho pela sobrevivência. 
Christian era muito sensível, arredio e tinha dificuldades de adaptar-se a qualquer ofício. Gostava de estudar, mas teve de abandonar seus estudos por falta de recursos. 
Aos 14 anos de idade Andersen era um rapazinho solitário, assustado com o mundo em que vivia e sem nenhuma idéia de que rumo deveria tomar. Era um verdadeiro "Patinho Feio". 
Nesta época, uma companhia teatral, que percorria o interior da Dinamarca, apresentou-se em Odense. Christian Andersen não perdeu um único espetáculo da temporada. Quando a companhia foi embora Andersen já tinha tomado a sua decisão: ia embora também.
Com alguns trocados no bolso e uma carta de recomendação tomou o caminho de Copenhague.  A capital dinamarquesa era bem diferente do seu mundo e de seus sonhos. Por diversas vezes tentou aproximação com o mundo teatral, mas não teve êxito. O atores e empresários que procurou não simpatizavam com sua aparência tímida e desageitada. O próprio diretor do Teatro Geral disse-lhe que não havia oportunidade para um ator alto, magro e inexperiente como ele. 
Em vão, tentou os estudos de balé, mas como bailarino revelou-se uma total negação. Sua lista de tentativas, fracassos e decepções era interminável, mas Andersen não deixou que abatessem seu ânimo. 
Sentia-se cada vez mais atraído pelo teatro e insistia em escrever peças. Quando tudo parecia perdido, duas de suas peças chegaram às mãos de Jonas Collin, que era conselheiro do Estado. Finalmente alguém demonstrou interesse e lhe deu uma bolsa de estudos. 
Os próximos seis anos seguintes, que foram os mais estáveis de sua vida, passou como estudante na escola de Slagelse. Mesmo ali sentia-se constrangido entre os colegas que eram bem mais jóvens que ele. Apesar de seu mal estar junto aos colegas, dedicava-se com muito empenho aos estudos. Ao deixar a escola já tinha 22 anos. 
Mesmo com algum estudo, a vida continuava difícil. A crise financeira se aprofundava, mas ele não desistia.  Voltou toda a sua energia para a literatura, escrevendo algumas histórias infantis baseadas no folclore dinamarquês. Pela primeira vez em sua vida surgia uma luz no fim do tunel: seus contos fizeram sucesso. 
Foi neste contesto de adversidades extremas que êle parodiou sua própria vida escrevendo "O PATINHO FEIO":
"Um vento frio e impiedoso soprava por toda a parte, derrubando as fôlhas das árvores e tangendo as nuvens escuras carregadas de neve e granizo. Chegava o outono. Tempo cruel para um patinhodesprotegido.
Um dia passou pelo céu um bando de grandes aves, de pescoço longo e plumagem muito branca. Voavam tão alto que dava vertigem de olhá-las. Eram cisnes que rumavam para o sul em busca de terras mais quentes, deixando para trás a melancolia do inverno que se aproximava.
O patinho regeitado não sabia que aves eram e nem para onde iam. Mas nunca vira nada tão lindo e sentiu por elas uma admiração sem limites. À noite, sonhou fazer parte do bando e ser igual àquelas criaturas fortes e tranqüílas.
O inverno veio em seguida e demorou a passar. O patinho sofreu terrivelmente. Abrigado entre juncos de uma lagoa, durante longos meses ele aguardou o retorno do sol. Por fim, um dia a cotovia cantou. O sol se mostrou por entre as nuvens. Era a primavera chegando.
Aliviado, o patinho bateu as assas e notou que elas se moviam com energia e o transportavam facilmente sobre o juncal. Mas a alegria da descoberta terminou derrepente, quando surgiram do juncal três formosos cisnes, com sua magestosa plumagem eriçada. A beleza daquelas figuras fêz voltar a melancolia do engeitado. Tinha vontade de juntar-se ao bando, mas não conseguia controlar o mêdo. Achava que sua feiura os ofenderia. Entretanto, acabou se decidindo: preferia morrer atacado por eles do que passando fome durante o inverno, maltratado pelos patos, bicado pelas galinhas e enxotado pela moça que cuidava do galinheiro.
Reunindo toda a sua coragem, voou até a água e nadou em direção aos três. Assim que o viram, os cisnes vieram ao seu encontro, batendo as asas. Resignado à morte, ele esperou de cabeça baixa. Então viu refletida na água a sua própria imagem. Quase não acreditou na visão: não era mais um bichindo mirrado, feio e sem graça. Tornara-se grande e bonito. Deixara de ser um patinho: tornara-se cisne."
Embora adulto, Andersem encarava o mundo pelo mesmo ângulo que as crianças, e justamente por isso se exprimia numa linguagem ao mesmo tempo atraente e acescível ao espírito infantil. A riquesa de sua imaginação conseguia dar aspectos supreendentes às coisas mais corriqueiras que permitiam-lhe criar enrredos encantadores a partir de um botão, uma colher ou um soldadinho de chumbo.
Seus contos se divulgaram rapidamente, dando-lhe finalmente a fama que ele procurara em vão durante tanto tempo.
Tendo começado do nada, Christian Andersen transformara-se numa personalidade aclamada em toda a Europa. Seus contos percorreram o mundo. Quando regressou ao seu país, vinha carregado de glória e sua chegada foi festejada pela Dinamarca inteira. 
Só após toda uma vida de luta contra a solidão, o frio e a fome, Andersen se viu cerdado de amigos. E foi entre eles que morreu em 1875, quando tinha setenta anos de idade.  
A vida de Christian Andersen é um exemplo de perseverança e deicação a uma causa de amor à arte e a literatura. Ele nos mostrou que para sermos entendidos, precisamos falar a linguagem dos nossos ouvintes. 
Pense nisto, nunca desista e deixe que o tempo mostre ao mundo o cisne que existe em você. 
Nicéas Romeo Zanchett 
http://asfabulasdeesopo.blogspot.com




quinta-feira, 24 de março de 2011

AS VIAGENS DE GULLIVER - LEIS ABSURDAS

  AS VIAGENS DE GULLIVER - LEIS ABSURDAS e BRIGAS INÚTEIS 
Tudo começa com a viagem do Capitão Gulliver que acabou em naufrágio. Logo após ele foi arrastado para uma ilha chamada Lilliput, cujos habitantes eram extremamente pequenos e estavam constantemente em guerra por futilidades. 
Foi baseada nessas futilidades dos lilliputianos que o autor, Jonathan Swift, demonstrou a realidade inglesa e francesa da época. 
Com o naufrágio, o Capitão Gulliver, capturado pelos lilliputianos, foi obrigado a fazer trabalhos forçados para seus minúsculos, mas ferozes carcereiros. O que não o impedia de manter conversações amenas com o rei daquele povo pequenino e obstinado.
Depois de alguns trabalhos foi obrigado a se engajar na luta armada na guerra que acontecia entre os dois povos lilliputianos, governados por pequenos reis que se trucidavam há vinte séculos. Apesar de pequeninos no tamanho, os guerreiros de cada exército eram cruéis, matavam a sangue frio, não respeitavam nenhuma daquelas leis que, mesmo nas piores contendas, presidiam os fatos  bélicos. 
Uma tarde, enquanto descansava do árduo trabalho que teve para empurrar toda a esquadra, Gulliver deitou-se num canto para dormir. Não conseguiu adormecer pois tinha à sua frente centenas de anõezinhos guerreiros se matando, velhos e mulheres estripados, uma imagem torturante. Então Gulliver foi pedir ao rei que parassem com aquela besteira. "- Não podemos parar," - disse o rei - "a nossa guerra é secular e só poderá acabar quando um povo destruir o outro."  Então Gulliver quiz saber do rei quais as razões daquela guerra que durava tantos séculos. O rei explicou: - "O meu povo, todas as manhãs, come ovos cozidos e o quebra pela parte de cima. O outro povo também come ovos cozidos todos os dias, mas quebra pela parte de baixo. Ora, isso é um insulto, um crime! Há vinte séculos que lutamos para castigar este agravo nefando!"
Diante da justa explicação, Gulliver teve de admitir que havia um motivo, que embora fosse banal para ele, era importante para homens daquele tamanho. Ja ia se retirando da presença do rei quando lhe veio uma nova pergunta à cabeça: - Magestade, se o problema é apenas quebrar os ovos pela parte de baixo ou de cima, por que não fazem uma lei regulamentando definitivamente o assunto?  - "Mas a lei existe e está em vigor há séculos! Faz parte da nossa Constituição! É justamente porque nosso inimigo não respeita a Constituição que vivemos em guerra!". 
- E o que diz a lei? - perguntou Gulliver.
Dando ênfase à cada silaba, o rei citou o trecho do Dispositivo Constitucional número 1 que vigorava e era desrespeitado há vinte séculos: - "Os o-vos de-vem ser que-bra-dos pe-lo la-do cer-to! Essa é a lei, o Dispositivo maior de nossa Constituição. Todas as manhãs os ovos devem ser quebrados pelo lado certo e não pelo errado. Há alguma dúvida sobre a necessidade e justiça de nossa guerra?" 
Para aqueles anõezinhos Gulliver não pasava de um desmiolado gigante, incapaz de entender o que é vergonha, moral, ética e compustura. 
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Em nome de movimentos democráticos, muitas leis absurdas são criadas, algumas respeitadas, mas inúteis e até incetivadoras de violência entre os povos. O pensamento de duas pessoas já é um universo de diferenças. Imaginem  quando se cria leis para diferenciar seres da raça humana.  Não é a côr, a crença religiosa ou a escala social que deve servir de parâmetro para classificar os seres humanos.  
As divergências politicas são democráticas e não devem gerar ódio. Mas muitos políticos populistas, em seus discursos inflamados para angariar votos e poder,  jogam pobres contra ricos e negros contra brancos. 
O artigo quinta da Constituição Brasileira diz que todos somos iguais perante a lei. Será que somos? 
Nicéas Romeo Zanchett


                                                                                                                               

segunda-feira, 21 de março de 2011

O PODEROSO DEUS CHAMADO CÉREBRO

O PODEROSO DEUS CHAMADO CÉREBRO 
Nós, seres humanos, aprendemos a dar nomes a tudo o que nos rodeia. A palavra Deus é definida, pelas religiões tradicionais, como sendo princípio supremo que consideram superior à natureza; ser infinito, perfeito, criador do Universo; Divindade; objeto de um culto ou de um desejo ardente, que se antepõe a todos os outros desejos e afetos.  Já a palavra Deusa é dada à divindade do politeísmo; mulher adorável por sua formosura. 
Bento Espinosa -(1632 x 1677) - um dos maiores estudiosos da Bíblia e do Talmude, identificou Deus com o Cosmos, a eternidade do mundo, e à idéia de que a matéria do Universo seria o corpo de Deus. A visão panteísta de Espinosa leva-o a afirmar que a vontade de Deus é a soma de todas as causas e leis, e que o intelecto de Deus é a soma de todos os pensamentos. É por isso que ele afirma que o espírito de Deus é a mentalidade difusa no espaço e no tempo, a consciência difusa que anima o tempo. 
O que buscamos é sempre a felicidade e esta é objeto de nossa conduta; é a presença do prazer e a ausência da dor. Prazer e dor são categorias relativas e subjetivas. O prazer pode ser definido como a transição de um estado inferior de perfeição para um estado superior. A dor, ao contrário, é a transição de um estado superior de perfeição para um estado inferior. 
A emoção é a modificação do corpo e por meio dela o poder de ação do corpo é aumentado ou diminuido. Quando aumenta este poder é boa e quando  diminui é má. 
O Deus de Espinosa é uma entidade muito próxima do Deus de Platão: um ser superior e tão grandioso que não dispensa tempo para observar e dar ordem aos homens. 
Com seu famoso livro póstumo ÉTICA, Espinosa nos leva a perceber que a "salvação" começa pelo conhecimento e que a democracia é um regime político desejável porque se apresenta como a mais racional e permite uma maior acumulação de poder, o poder de todos os individuos reunidos. O Estado é necessário porque cada pessoa procura, acima de tudo, os seus próprios interesses, buscando expandir seu próprio poder. Contudo, o Estado não deve ir além de assegurar a liberdade para que cada um possa perseguir o seu ideal de felicidade. 
Espinosa estava certo, mas isto só foi reconhecido muito depois de sua morte. Deus é uma palavra que define tudo o que existe e não apenas o que as religiões vem pregando há milênios. É uma força universal de energia e está sob o comando de cada cérebro, seja ele humano ou animal. A força desse comando é determinada pela capacidade do cérebro de cada ser vivo. 
O cérebro humano tem cerca de 100 bilhões de neurônios e talvez uns 100 trilhões de conecções. Por aí podemos concluir que seu poder é avassalador. 
Na verdade o cérebro pode tudo, mas nós não sebemos usá-lo. Usamos apenas uma pequena parcela  que é suficiente para nossas ações. Não poderia ser diferente, pois usá-lo com toda a sua potencialidade seria o poder absoluto. Imaginem como seria o mundo se todos tivessem poder absoluto. Seria a volta ao caos.
A fé é a forma que temos de usar nosso cérebro para conseguir coisas muito desejadas. Ela nos leva a  conseguir aquilo que chamamos de milagre. O milagre é possível quando nossa mente  consegue desejar alguma coisa com grande profundidade. Este desejo intenso desperta determinada parte do cérebro permitindo sua realização. Quando vários cérebros comungam o mesmo desejo tudo fica mais fácil. Não devemos esquecer que o pensamento é uma força invisível que pouco conhecemos.  
Cada ser vivo nasce com determinadas habilidades. Grandes gênios da humanidade sempre estiveram limitados a uma ou algumas habilidades. Mozart foi um gênio da música e desde criança demonstrou sua imensa capacidade para compor e tocar; outros foram gênios da matemática, da física, da arte, etc.  Alguns, como o pintor Leonardo da Vinci, tiveram multi-talentos, mas em todos o limite sempre esteve presente. 
Todo o ser vivo está sob o poder de uma energia que é invisível e muito pouco sabemos sobre ela. A simples morte não elimina a energia de um ser. A energia, tal como a matéria, é eterna e apenas se transforma. É o espírito cósmico que atua em todos os seres. Os humanos tiveram seu cérebro ampliado rapidamente e atingiram um estado espiritual superior. É por essa razão que evoluíram mais que os outros primatas que com ele conviviam. 
Darwin estava certo quando disse que as espécies evoluíram, mas hoje talvez ele próprio revisse suas conclusões considerando também a energia espiritual cósmica que atua em todos os seres.  Ele afirmou que o homem é uma evolução do macaco, mas disse isto de uma maneira muito genérica. Hoje sabemos  que de fato o homem é o resultado da evolução de uma espécie específica de primatas. Portanto o homem é descendente de um primata que tinha maior capacidade cerebral. Isto explica porque os demais primatas continuam no estado anterior ou tiveram pouca evolução. Alguns foram extintos. 
A palavra espírito é utilizada para definir várias coisas: Alma; ser humano; entidade sobrenatural como os anjos e diabos; duendes; pessoa distinta, esclarescida; vida; finura; sutileza; graça; engenho; imaginação; tendência; idéia predominante. Espírito forte é o que se coloca acima das opiniões máximas recebidas, livre pensador, aquele que alardeia incredulidade em matéria religiosa. Espírito fraco é aquele  que se deixa levar pelos outros, dominar-se pelos vícios, pelos maus exemplos. Espíritos malígnos  são aqueles que, segundo a antiga fisiologia, levam a vida do coração e do cérebro ao resto do corpo. 
A palavra mente define intelecto; alma; espírito; tenção; disposição; imaginação; instinto de boa ou má fé. 
A palavra alma define especialmente a parte imaterial do ser humano, mas também o conjunto de faculdades intelectuais do homem; espírito humano; índole; vida; animação; coragem; além de muitas outras coisas que não cabe aqui mensionar.  
A mente humana exerce total poder sobre o corpo. É por essa razão que seitas e religiões sempre procuram capturá-la para mantê-la sob seu domínio. O desconhecimento de sãs noções acerca de Deus como poder cósmico universal é suprido através de falsas idéias e superstições. Isto acontece com muita freqüência porque o ser humano é espiritual e social, e as seitas, tribos e religiões são uma forma de participação numa sociedade onde todos podem comungar uma idéia, mesmo que seja prejudicial ao seu intelecto, à sua saúde e até ao seu bolso, pois muitos se aproveitam desta necessidade para angariar poder e dinheiro. Para o Estado é até conveniente que todos se mantenham ignorantes, pois é assim que a massa popular fica mais submissa. As superstições tornan-se úteis aos interesses do governo e a educação é relegada a um plano longínquo. 
Nicéas Romeo Zanchett
LEIA TAMBÉM > O PODE DA MENTE HUMANA http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com/2011/10/o-poder-da-mente-humana.html



quarta-feira, 9 de março de 2011

HISTÓRIA DE NAPOLEÃO BONAPARTE CONTADA POR ELE MESMO.

Após ter sido derrotado na Batalha de Waterloo pelos ingleses, Napoleão Bonaparte foi enviado para o exílio na Ilha de Santa Helena. Lá viveu seus últimos dias, falecendo em 5 de maio de 1821.
Alojado numa pequena casa, passava os dias resmungando e dando ordens a um punhado de serviçais. Ficava muito satisfeito quando recebia a visita de algum estranho naquela isolada ilha e então começava a contar-lhes sua história:
"Deveis saber, - começa ele, - que não sou italiano, mas francês, pois nasci na Córsega, um ano depois que ela foi tomada pela França.
Na escola fui um dos alunos mais obscuros. Mas me dintingüí sempre como bom combatente. Rapazinho ainda, ajudei o exército da República no cêrco de Toulon.  Era amigo do irmão de Robespierre, e, em conseqüência disto, quase perco a cabeça na guilhotina. Mas consegui escapar porque era filho do destino.
Quando executaram Robespierre, eu me achava na praça pública e dirigi a defesa do novo governo contra a multidão. Por êste serviço, como sabeis, deram-me o comando do exército enviado contra a Itália. Todas as nações da Europa estavam lutando desesperadamente para derrubar a Revolução Francesa e era minha ardente ambição salvar a Revolução Francesa, derrubando todas as outras nações.
Estais, sem dúvida, ao corrente dos meus rápidos e completos êxitos nessa empresa.  Não somente salvei a Revolução, mas construí um império. Saí duma família  pobre. Minha mãe era costureira. Fiz dela uma rainda. Minha mãe sentia-se atarantada com seu novo esplendor. Olhava para mim com seus olhos empapuçados, e rogava que  a mandasse de novo para sua casinha da Córsega."
Napoleão faz uma pausa e sorri.
"Eramos uma família de adventícios, -continua ele. - Contudo, fui capaz de derrubar de seus tronos as mais velhas e mais orgulhosas dinastias e substituí-las pelos membros de minha família. Tornei reis a todos os meus irmãos.
Eu era um grande homem, - diz ele, tristemente. - um grande homem. - Seus olhos chispam.  - Porque, já o sabeis, dentro de dez curtos anos fui senhor de toda a Europa.
Numa única batalha  derrotei os exércitos da Áustria e da Prússia, tão completamente, que muito tempo se passou antes que eles ousassem erguer novamente suas cabeças. O exército prussiano tinha sido o terror da Europa, uma máquina militar que jamais se pudera destruir. Eu a desmontei.
Desde minha infância conheci que era um homem predestinado. Costumava assinar minhas lições caseiras com N maiúsculo. Em 1796, era um jovem oficial do exército como milhares de outros. Oito anos mais tarde era coroado Imperador. Encarreguei juristas de organizarem um novo código de leis. Construí universidades. Embelezei os parques e ruas. Tive o universo na palma da minha mão.
Encontrei-me com o Czar da Rússia, numa balsa  em Tilsit e junto discutimos a partilha do mundo entre nós.
Mas eu não havia nascido para o trono. Sabia que enquanto eu ganhasse vitórias, seria Imperador; mas desde que perdesse uma batalha, seria dominado. Os que tem sangue real nas veias podem ser derrotados vinte vezes e voltar a governar. Mas eu era um adventício, um usurpador, um soldado cujo império dependia duma lenda e duma espada. E dessa forma não podia ter paz. Tinha de combater, combater, combater. Não podia descansar, não podia amar. Meu irmão Jerônimo estava no trono da Vestfália; meu irmão Luiz no trono da Holanda; meu irmão José no trono de Nápoles e da Espanha. Mas suas dinastias achavam-se construídas sôbre o meu nome. Os príncipes reais da Europa estavam agachados... prontos para saltar. Com que então, aquele adventício, aquele camponês corso, ousava usurpar a pompa dos velhos reis tradicionais?
Mas a despeito de seus escárneos e de seus esforços para derrubar-me, continuei meu caminho sem me desviar. Casei-me com uma princesa austríaca, de modo que um filho meu pudesse ter nas veias sangue real.
Meu Deus, como desejava eu ser um rei de verdade, respeitado entre meus iguais... e não um conquistador... deixado em severo abandono!
Finalmente meu amigo, Alexandre da Rússia, rompeu a trégua e eu fiz marchar um exército desde París até o coração das geladas planícies da Moscóvia. Mas os Russos não quizeram combater. Conservaram-se em retirada, passo a passo. Alcancei Moscou, com meu grande exército de quinhentos mil homens, em outubro do ano de 1812. A cidade estava deserta. Eis a minha  maior conquista, pensei. Eu era então o senhor da Rússia, também!  Mas os astutos russos desmancharam os meus mais sólidos planos. Puseram fogo em Moscou e nos expulsaram com a fumaçada. E vimo-nos forçados a começar a retirada da Rússia, no mais rigoroso inverno. Basta dizer que cheguei à fronteira da França com apenas mil homens, embora tivesse partido com meio milhão.
E então os insaciáveis reis  da Europa levantaram-se contra mim. Podiam ver na minha derrota na Rússia a mão de Deus. Formei novo exército de meio milhão de soldados. Mas uma inteira geração de homens tinha sido destruída e me vi forçado a convocar rapazes de quinze e dezesseis anos. A Prússia e a Rússia adiantaran-se  a meu encontro. Durante três dias as águas do Elster correram tintas de sangue moço... e depois fui obrigado a voltar a París para entregar-me.
Exilaram-me na ilha de Elba. Fugí. Saltei em terra, em Cannes. O marechal, enviado pelo rei Bourbon restaurado no trono, para prender-me, desatou a chorar  quando me avistou e passou-se com toda a sua tropa para o meu lado.
E depois perdi a batalha de Waterloo, e eles me enviaram para aquí. Fizeram voltar um homem de sangue real e o puseram em meu lugar."
Sua voz baixa a um triste murmúrio: "- Para ser um rei, ficai sabendo, é preciso ter nascido rei. Eu fui um grande conquistador. Pensei que era um homem predestinado. Mas meu destino nunca fora o trono. Esta foi a minha tragédia".
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No dia 5 de maio de 1821 uma forte tempestade assolou a ilha de Santa Helena. Napoleão, muito doente, viveu seus ultimos minutos ao lado do médico enviado para assistí-lo.
Existem muitas controvérsias sobre a causa de sua morte. Segundo o médico Francesco Antommarchi, que o assistiu,  teria morrido pelo agravamento de uma úlcera provocada pela ansiedade e pela má dieta alimentar. Fala-se também que teria morrido de câncer no estômado, mas outros afirmam que foi assassinado.
Existe uma lenda que diz que Napoleão foi enterrado sem o pênis que teria sido amputado e guardado como relíquia pelo médio que o assistiu na hora da morte. Conta-se também que depois de 170 anos a relíquia teria sido levada para os Estados Unidos e guardada  em poder de um professor de urologia da Universidade de Colúmbia chamado John Lattimer.
É bem provável que a amputação tenha sido feita pelo médico, mas até hoje nada ficou provado.
Nicéas Romeo Zanchett

terça-feira, 8 de março de 2011

CIRURGIA PLÁSTICA - A BUSCA DA BELEZA IDEAL

Ilustração - NEFERTITI - 1.380 x 1345 - Seu nome quer dizer "a mais bela chegou".
           CIRURGIA PLÁSTICA - A BUSCA DA BELEZA IDEAL
Os ideais de beleza tem variado em verdadeiros movimentos cíclicos.  Períodos diferentes tem adotado conceitos de beleza de outros períodos, com formas ideais em cada tipo de cultura. Isto é facilmente reconhecível na beleza da mulher de Creta, que tem a cintura bem fina e cabelo crespo, na dignidade e beleza artificial da egípcia antiga e na delicadeza e sutileza das orientais. 
A cultura greco-romana deu ênfase à beleza clássica, com proporções perfeitas e simplicidade natural.
Na Idade Média, o doce e suave gênero da Madona tornou-se parte integral do expressionismo religioso. É nesse contexto que artistas, a serviço de religiões, criaram belíssimas obras tendo a beleza da mulher como musa inspiradora. A França contribuiu não só com o tipo elaborado e ao mesmo tempo superficial da cortesã do século XVII, mas fez com que a mulher francesa fosse sinônimo de beleza copiado em várias partes do mundo.
A verdade é que desde a pré-história o homem pretendeu modificar sua imagem a seu gosto. A documentação a esse respeito é vasta, tanto na forma escrita quanto nas descobertas arqueológicas que datam de 7.000 a.C.
Para adornar orelhas, lábios e narizes, os povos primitivos perfuraram e sacrificaram o próprio corpo. Essa compulsão humana de tentar melhorar a natureza tem tido modulações com a história do homem, passando por pressões autoritárias, guerras, revoluções, pressões religiosas fanáticas e graves períodos de austeridade. Desabrochou na época das monarquias e impérios, em tempos de paz e prosperidade, nas sociedades sofisticadas e onde existiam as classes mais privilegiadas. Os fenômenos de estética,com suas várias correntes, são dramaticamente ilustrados pelos anos que antecedem e pelos que seguem a Revolução Francesa.
Durante o periodo de Luiz XVI, a extravagância era uma constante, e os cuidados com a beleza física eram considerados uma arte. O ódio à aristocracia durante e depois da Revolução era tão grande que as perucas, os perfumes e tudo que fosse sensual eram enormemente desprezados.
O apogeu do culto à beleza se deu nofinal do século XX, quando foi ajudada pela democracia, através da liberdade individual de expressão, influenciada pelos efeitos da propaganda, pelo surgimento e facilidade de novos produtos, pelos simbolismos do "status" e pela economia sadia.  Em algumas sociedades com forte conceito de moral foram feitas muitas publicações contra o excesso de atenção dado à estética. Paralelamente, nas sociedades mais liberais e algumas até mundanas, vários apelos tem sido feitos no sentido de que as pessoas precisam dar mais atenção a seu aspecto físico.
O ser humano é constituido pela relação entre a sua personalidade -imagem interior- e a aparência física -imagem exterior-. A unidade dessas imagens ajuda o homem na busca da felicidade. Por isso mesmo, a preocupação com a beleza nasceu com o próprio homem. Ele aperfeiçoou suas técnicas, de acordo com ideais estéticos que variam com o tempo. A cirurgia plástica que, como vimos, já era praticada a mais de 6.000 anos vem constantemente sendo aperfeiçoada. Ela tornu-se um dos setores cirúrgicos mais desenvolvidos, pois em suas duas modalidades -a reparadora e a embelezadora- consegue preservar, corrigir ou ajudar a natureza, tornando o ser humano mais belo e confiante em si próprio.
Devido ao grande progresso científico, a cirurgia plástica tornou-se uma indústria altamente lucrativa. Como conseqüência, surgiram milhares de médicos milagreiros cujo único objetivo é o lucro fácil. Por outro lado as indústrias de cosméticos e acessórios facilitaram o acesso de charlatões aos diversos produtos que deveriam ser utilizados apenas por especialistas. Diariamente, em todo o mundo, as páginas policiais estampam notícias sobre graves problemas e até mortes em virtude do mau uso de técnicas e produtos que hoje são facilmente encontrados.
A história da beleza e sua filosofia no mundo continua e a operação plástica é apenas um pequeno fragmento do complexo mosaico das práticas de beleza que tem moldado tanto nossos hábitos e costumes. Essa filosofia, por definição, tem como base a qualidade de dar prazer aos sentidos e à mente. Suas raízes necessariamente voltam aos princípios da civilização, emaranhados na grande dimensão da experiência humana que é associada com os prazeres sensoriais e intelectuais. O significado e a extenção dessa experiência desafiam uma análise específica, e sem dúvida marcam um profundo padrão instrutivo de necessidades e reações que se refletem na plástica facial e nas ilimitadas ramificações da estética em geral.
Nicéas Romeo Zanchett
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SIGMUND FREUD TINHA COMPLEXO DE ÉDIPO

Ilustração: Romeo Zanchett

                        SIGMUNDO FREUD TINHA COMPLEXO DE ÉDIPO
Sigmund Freud nasceu em Pribor - Áustria - no dia 06 de maio de 1856 e faleceu em 23 de setembro de 1939 aos 83 anos.
Os preceitos freudianos são largamente utilizados para explicar e elucidar os impasses entre os casais.
Em sua autoanálise, inciada em 1890, Freud revelou seus mais íntimos segredos de infância. Uma das grandes revelações é que êle tinha conplexo de Édipo. Aos quatro anos viu sua belíssima mãe, Amália, completmente nua. Esta imagem ficou marcada em sua mente e fez com que ele, já psicanalista consagrado, percebesse que tal experiência foi, sobre tudo, erótica.
Em seu texto intitulado Moral Sexual Civilizada e Doença Nervosa Moderna, trata do complexo de Édipo. Nela Freud diz que a sociedade é menos severa em relação às transgressões masculinas, o que permite ao homem viver uma "moral dupla" e o induz à "ocultação da verdade" e que é isto que o leva à "doença nervosa moderna".
Freud casou-se com Martha Bernays em 1886. Seu noivado durou cerca de quatro anos e é bem provável que durante todo esse período não tenha se relacionado sexualmente com ninguém. Já sua noiva, com certesa só perdeu a virgindade depois do casamento.
Três anos depois do casamento, Freud publicou seu famoso livro "A interpretação dos Sonhos". Neste trabalho ele descreve seus próprios sonhos e também de seus pacientes. Numa dessas descrições ele conta que uma paciente associava o sonho com uma vela gasta a um pênis flácido, para desepero dos moralistas do finaldo século XIX.
No século XX  Freud expôs sua definição de libido, dando ênfase aos instintos sexuais.
O homem brasileiro, em sua maioria, diz que aceita plenamente a liberação da mulher, mas, na verdade, deseja se casar com uma mulher santificada à semelhança da imagem materna e ter prazer, fazer sexo com a antítese da fêmea virtuosa, bondosa e decente. Então passa a ter uma vida secreta dupla com filhos da santa e vivendo sua sexualidade libertina com as prostitutas. A verdade é que a maioria dos homens vivem com seu inconsciente ligado na imagem da mãe e acabam transferindo esse modelo para as futuras esposas. Embora digam que não, no fundo eles tem grande medo do sucesso profissional de suas mulheres. Podemos observar que as mulheres de sucesso, quanto mais sobem na profissão mais isoladas ficam do assédio masculino.
O vocabulário criado pelo psicanalista autríaco acabou por influenciar as mais diversas formas de arte, principalmente o teatro, a literatura e o cinema. Na literatura a personagem Pombinha, do livro O Cortiço, casa com um rapaz que a trata como santa. Ela, cansada daquela vida, se deixa seduzir por uma prostituta. Aqui, o poder da sedução aliado às suas secretas aspirações, a transformaram numa mulher lésbica ou bissexual.
Nelson Rodrigues criticava a hipocrisia da classe média brasileira escrevendo a "vida como ela é". Em suas belas histórias desvendou os mistérios de alcova da hipócrita classe média, que cultua um moralismo que não consegue seguir.
No filme "Escrito nas Estrelas" o diretor Percy Adlon, mostra o drama de um bon vivant -vivido pelo ator Donald Sutherland- que, de tanto despresar sua mulher, acaba provocando sua morte  por ataque cardíaco. Com o passar do tempo, Jonatham (Sutherland) se descobre apaixonado pela esposa morta.
Freud nos legou as melhores informações que nos permitem entender um pouco desse mundo misterioro que é a vida íntima de cada um. Com seus ensinamentos, a sexualidade humana entrou numa nova era que muito tem ajudado na libertação de tabus seculares.
Em 12 de março de 1938, já muito doente devido a um câncer que o martirizava, mudou-se da Áustria para a Inglaterra com sua família, onde faleceu em 1939.
Nicéas Romeo Zanchett
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segunda-feira, 7 de março de 2011

CERES ou DEMETER

                                                             
                                            CERES  ou  DEMETER
                                     a deusa da fecundidade da terra
Ceres ou Demeter é a deusa da mitologia greco-romana. Filha de Saturno e Ops, ensinou aos homens a arte de cultivar a terra, de fazer a colheita do trigo e com êle fabricar o pão -o que a tornou a deusa da agricultura-. Seu irmão Júpiter, apaixonado pela sua beleza, teve com ela uma filha. Para fugir à perseguição amorosa de Netuno transformou-se em água. O deus percebendo êsse ardil, metamorfoseou-se em cavalo. Dêsse amor nasceu Arion.
Envergonhada com a violência de Netuno, Ceres escondeu-se em uma gruta, aí ficando tanto tempo que o mundo tornou-se estéril devido à sua ausência. O deus Pã, caçando na Arcádia, descobriu o seu esconderijo e informou a Júpiter que, pela intervenção dos Parcas, apaziguou a deusa, fazendo-a voltar ao convívio dos homens, restabelecendo assim a fertilidade da terra.
Quando Plutão raptou Prosérpina, Ceres quixou-se a Júpiter e, insatisfeita com a resposta do deus dos deuses, pôs-se à procura da filha. Subiu num carro puxado por dragões alados, percorrendo diversos países até chegar à Sicília, onde a ninfa Aretusa informou que Prosérpina casara-se com Plutão, tornando-se a rainha dos infernos. Habitava agora as profundezas do vulcão Etna.
Ceres impossibilitada de ver a filha, retirou-se para a Lícia, triste e de luto, até que Júpiter, penalizado, deu-lhe uma planta para comer que a fêz esquecer sua dor.
Na Antigüidade, em comemoração à chegada de Ceres, os habitantes da visinhança do Etna corriam durante a noite com fachos, soltando grandes gritos.

Na Grécia continental, as festas em honra a Ceres eram numerosas e em uma delas seus adoradores furtigavam-se mutuamente com chicotes feitos de casca de árvores. Geralmente, Ceres era representada com um cetro, duas criancinhas junto aos seios, segurando em uma mão uma foice e na outra uma cornucópia: símbolos da fecundidade e da abubdância. Também é representada como uma bela jovem adormecida, com as vestes feitas de espigas de trigo.
Nicéas Romeo Zanchett

CHARLES CHAPLIN NÃO CRIOU CARLITOS


                                   Billie Ritchie   e      Charles Chaplin
                    CHARLES CHAPLIN NÃO CRIOU CARLITOS
Quando ouvimos falar em Carlitos nos vem logo à memória a imagem de Charles Chaplin. Muito justo. Foi com o personagem Carlitos que Chaplin se tornou o maior cômico do mundo. O que a maioria dos fãs inveterados não sabe é que a figura de Carlitos foi criação de Billie Ritchie para o personagem "O Bêbado". Billie nasceu na Escócia em 14 de setembro de 1878. Apesar de ter criado o personagem, foi Chaplin que o tornou inesquecivel na figura do vagabundo Carlitos.
A versão mais confiavel da história é a de que, no seu primeiro dia de trabalho no estúdio da velha Keystone, Chaplin vestiu as calças de Chico Bóia (Roscoe Arbuckie), calçou os sapatos de Ford Sterling e imitou os gestos de Max Linder. Foi este traje associado aos gestos, também emprestados, que abriram-lhe a estrada do sucesso quando ainda ninguém sabia seu nome. Entretanto foi Billie Ritcie , cômico ingles , quem primeiro usou as calças largas, os sapatos enormes, o chapéu-coco, a bengalinha, os pulinhos e tudo o mais que Carlitos, personagem de Chaplin, depois teria imitado.
Em junho de 1929, o jornalista brasileiro Adhemar Gonzaga esteve em Hollywood tentanto entrevistar  Chaplin para esclarecer a polêmica, mas só foi atendido por Henry Bergstein, comediante barrigudo que fez vários papeis nas fitas de Carlitos e que também interpretava muitas comédias com Billie Ritchie.
Quando alguém conseguia furar a blindagem de Chaplin e lhe perguntava a respeito Billie ele dizia que nada se lembrava. Embora tenha trabalhado ao lado de Billie na companhia de Fred Karno, em Londres, dizia que não o conhecia. Muitos detalhes sobre esta história são encontrados no livro de Ademar Gonzaga -Uma Vida A Serviço de Um Ideal: Cinema Brasileiro- . Na página 188 do livro "Cine Mundial, de maio de 1916, o cronista F.G.Orteha escreveu: "Billie Ritchie, que leva o estandarte cômico da Universal, se caracterizava de forma bastante parecida com Charles Chaplin, embora ele nos assegure que começou a usar o seu bigode em 1877, bem antes de Chaplin nascer. Em entrevista de 1917 Billie Ritchie disse  que usou seu make-up, pela primeira vez, em seu show de Vaudeville ao lado de suas três irmãs em 1887.
Charles Chaplin nasceu em 16 de abril de 1889 no bairro pobre de East Lane, Walworth, em Londres. Filho de um alcólatra que o abandonou com sua mãe, atriz Hannah Hill, quando tinha apenas um ano. Aos cinco anos teve sua primeira aparição num palco mambembe onde sua mãe apresentava a peça "A Cantina". Era um teatrinho no Aldershot freqüentado principalmente por soldados. O menino Chaplin estava em pé nos bastidores quando a voz de sua mãe começou a falhar. O público começou a rir, cantar em falsete e miar como gatos. O barulho foi ensurdecedor e ela viu-se obrigada a sair do palco. Neste momento, sob a luz dos refletores, Chaplin entrou no palco e começou a cantar, acompanhado pela orquestra que tentava acertar o ton. Era uma velha cantiga intitulada Jack Jones e no meio dela uma chuva de moedas desabou sobre o pequeno cantor. Naquele momento nascia o artista que se tornaria um mito do cinema cômico.
Entre sua primeira aparição e o nascimento de Carlitos em 1914, Chales Spencer Chaplin lutou muito pela vida, principalmente fora do palco. Foi garoto de recados, recepcionista de laboratório médico, tipógrafo e entregador de mercearia. Chegou a fazer algumas pontas no teatro como empregado de Sherlock Holmes. Aos 21 anos, quando integrava a companhia de Fred Karno, viajou para os Estados Unidos e lá foi visto pelo diretor da Keystone, Mack Sennett, que o contratou. Aqui começa sua história de sucesso.
Com 25 anos, Chaplin já era uma espécie de veterano do music-hall inglês. Numa noite, Mack Sennett e sua mulher (a estrela) Mabel Normand estavam à procura de um substituto para o astro Ford Sterling, quando assistiram "A Night in the English Music Hall" e gostaram muito do ator que fazia o papel de um bêbado. Contrataram-no por 150 dólares por semana. Em seu primeiro filme Charles fez o papel de um vigarista que se fazia passar por lorde inglês para impressionar uma família rica e assim poder namorar a filha. Naquele mesmo ano de 1914 atuou em 35 curtas metragens de 10 minutos cada. Daí para a fama definitiva foi um pulo.
Não há duvida de que a figura de Carlitos já existia antes de Chaplin nascer, mas isto em nada diminue seu mérito de grande criador. Billie Ritchie teve seus momentos de glória, mas foi Chaplin que tornou o personagem "Bebado" no grande "Carlitos" que o mundo sempre admirou.
FRASES FAMOSAS DE CHAPLIN
!Tive a pior infância que pode ter tido um ente humano na face da terra".
"A beleza plástica é o que mais importa na tela".
"O cinema é uma arte pictórica, jamais usarei a palavra em meus filmes, ela destruiria a ilusão que eu quero criar, a de um personagem que não é uma realidade, mas uma idéia humorística, uma abstração cômica".
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Nicéas Romeo Zanchett
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LUIS DE CAMÕES

                                             LUIS DE CAMÕES
Ainda hoje, muita coisa de vida de Camões continua obscura, inclusive o lugar certo de seu nascimento.
Alguns historiadores citam como sendo Lisboa e outros Coimbra, Pôrto, Santarem e Alenquer. No entanto, esta última cidade parece ser a verdadeira, pois o poeta fala na "pátria minha de Alenquer".  Dizem alguns que era descendente de Vasco da Gama pelo lado materno. É suficiente a leitura de suas obras para verificar-se a profundidade de sua cultura, tipicamente renascentista.
Segundo os seus biógrafos, em 1542 ele se achava em Lisboa, onde parece ter freqüentado a corte de D.João III. Três amores marcaram a sua vida desta época e lhe deram inspiração para os seus sonetos quase autobiográficos. A principal parece ter sido a dama do paço, D. Catarina de Ataíde, aquela a quem mais o poeta amou e por quem também mais sofreu. Camões tinha 18 anos quando a conheceu. Ele mesmo conta que foi numa Sexta-Feira, na igreja das Chagas, em lisboa. Por sua causa caiu no desagrado do rei e no da família de Catarina e foi obrigado a deixar a côrte, sendo desterrado para Coimbra. As duas outras mulheres de sua vida também chamavam-se Catarina: a da Gama e a de Lima.
Em 1545, o poeta luta em Ceuta contra os mouros e perde o seu olho direito em combate. Voltando a Lisboa, envolve-se em várias aventuras, inclusive sendo prêso devido a um duelo. No dia 16 de junho de 1553, em uma arruaça de rua, toma partido contra o príncipe real D.João, mas escapa da pena de morte, sendo porém desterrado para a Índia. Vai então para Goa e depois para Macau onde é nomeado Provedor-Mor dos Defuntos e Ausentes. Foi em uma gruta de Macau, que ainda hoje tem seu nome, que começou a escrever "Os Lusíadas", onde descreve a epopéia de Vasco da Gama. Permanece dois anos no cargo, sendo obrigado a deixá-lo sob a acusação de prevaricador. Este fato é estranho porque Camões nunca se deixou seduzir pelo vil metal.
Em 1559 vai para Goa em companhia de uma jóvem chinesa a quem amava. O naviu naufragou na foz do rio Mekonk, a jovem morre, mas Camões salva-se a nado, levando em uma das mãos o manuscrito dos Lusíadas, já em faze avançada de composição. Ali permanece até 1567, quando volta para Portugal. Nesta viagem, não se sabe por quais razões, o capitão do navio deixou o poeta em Moçambique. Foi lá que Diogo Couto o encontrou vivendo na pobreza e praticamente sem amigos.
No início de 1570 volta para Lisboa com o amigo Diogo Couto.
Foi em 1571 que obteve a licença da inquisição para publicar "os Lusíadas", que vieram a público em 1572. Em 28 de junho de 1572, mediante alvará de D.Sebastião, foi finalmente gratificado com uma pensão periódica anual de 15.000 reis, pelo período de três anos.
Em 10 de junho de 1580, morreu miserável num hospital de Lisboa.
Além de "Os Lusíadas", somente uma pequena parte da obra do grande Camões foi publicada em vida do autor; três pequenas peças líricas, publicadas em livros alheios.
Atualmente, graças ao trabalho de pesquisadores, sob critérios de crítica textual, pode atribuir-se a  Camões, com prudência e ainda  com possibilidade de revisão posterior: 211 sonetos, 15 canções, 3 sextimas, 13 odes, 11 elegias, 5 oitavas, 9 éclogas, 142 redondilhas, 3 autos (Anfitriões, Filodemo e El-rei Seleuco), e 4 cartas. Sobre "Os Lusíadas", sua obra prima, nunca pairaram dúvidas.
                                               "Os Lusíadas - Canto IX"
Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves que íra honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
Que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vênus com prazeres inflamava!
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.
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Camões, acima de tudo, foi um notável artista e habil orquestrador de todos os recursos possíveis da língua portuguesa. Dominou quase todas as formas de poesia de que dispunha na época, tornando-a veículo de sentimentos, sensações e idéias que ninguém jamais tinha transmitido.
Nicéas Romeo Zanchett
                                               

domingo, 6 de março de 2011

VAN GOGH - O GÊNIO HOLANDÊS

                               VAN GOGH - O GÊNIO HOLANDÊS 
Vincent Van Gogh foi um dos mais geniais e angustiados artistas da história da humanidade. Em vida não conseguia vender suas obras e com sua morte se transforma na mais poderosa lenda de sofrimento e transcendência da arte moderna. 
Foi no dia 23 de dezembro de 1888 -véspera de natal- que o pintor expressionista holandês Vincent Van Gogh (1853 - 1890) sofreu sua primeira grave crise psiquiátrica que o levou a cortar o lóbulo da orelha esquerda e, em seguida, ser hospitalizado numa clínica da cidade francesa de Arles. O surto eclodiu pouco depois de uma briga entre ele e o seu amigo Paul Gaiguin, artista francês. 
Do trágico episódio e internação sabe-se que Gauguin deixou o amigo, com quem morava, ao temer o seu temperamento agressivo e estava se dirigindo a um hotel quando Van Gogh o abordou e ameaçou com uma navalha em punho.
Em seu depoimento, Gauguin disse: "O meu olhar naquele momento deve ter sido poderoso porque ele baixou a cabeça e seguiu em direção à sua casa". 
No livro de registro da polícia de Arles consta que, naquela madrugada, Van Gogh foi a um bordel, chamou a cortesã Raquel, entregou-lhe a parte amputada de sua orelha e lhe disse: "Guarde isso com muito cuidado", partindo em seguida. Mais tarde a polícia o socorreu em sua residência. 

A partir desse fatídico Natal, Van Gogh teria muitas crises, mas produziria centenas de telas e desenhos. Muitas dessas telas aparecem esboçadas em cartas ao irmão Theo. Foi nesse período que o pintor criou as primeiras versões de "Girassois", "O Semeador" e "O Quarto de Arles".  Em suas cartas contava ao irmão, com desenhos e comentários, sobre suas inspirações artísticas e literárias. Aproveitava e expressava opiniões críticas em relação ao trabalho de outros pitores. Criticava também os pintores renascentistas com comentários como: "O que Rubens sabia fazer é retratar, à perfeição, uma rainha ou um estadista".  Van Gogh não apreciava o realismo excessivo de alguns trabalhos do famoso pintor Peter Paul Rubéns.
A última carta escrita por ele para o irmão Theo data de 27 de julho de 1890 e foi encontrada no bolso de sua calça quando de seu suicídio com um tiro no peito. Nela Van Gogh refletia sobre seu trabalho com cores, falava dos campos de trigo e dos belos dias de sol que vinham fazendo em Arles. Tres meses depois, vítima de sífilis, seu irmão Theo morreria também.  
Van Gogh sempre registrava suas percepções produzindo algum desenho. Interessava-se por praticamente tudo à sua volta. Suas grandes obras refletem seu estado de espírito que recebia influência do local onde estava vivendo. Quanto mais tempo passava na Provença, mais perto ele achava que havia penetrado na sua "essência"; suas cores vivas e ternas e, às vezes formas violentamente modeladas, sua antigüidade arcaica e acima de tudo, sua luz. Em Arles, o choque inicial da paisagem, dominada pelas cores amarelo-limão e amarelo-cromo, comandava sua paleta. Mas, uma vez dentro do manicômio de Saint-Remy, adquiriu um modo diferente de ver a paisagem à sua volta. Pode-se, talvez, ligar essa ânsia de estabilização ao receio que tinha de sua própria doença. Naquela época não havia recursos para diagnósticos precisos, mas, ao que tudo indica, ele sofria de epilepsia complicada pela sífilis. Falando sobre o sentimento em relação à sua arte, assim se expressou: "Com o que mais sonho nos meus melhores momentos não são os efeitos marcantes das cores como, mais uma vez, os meio-tons". 
A cor mais tranqüila e a crescente propensão para estruturar o seu trabalho como um processo de pesquisa seqüencial, dentro de um dado motivo, parece que tinham para ele um fim esconjuratório que mantinham distantes os demônios do incosciente. 
Uma mania que acompanhou Van Gogh por toda sua vida era estar sempre escrevendo suas cartas, onde registrava seu pensamento com ilustrações. Interessante é observar que suas cartas no hospício eram despidas do menor traço de autopiedade. Ele qualificou e catalogou suas obras e, assim, facilitou o trabalho dos historiadores. Em outubro de 1889 ele resumiu a relação entre suas pinturas e sua enfermidade numa única metáfora penetrante: "Estou me sentindo bem agora... No sentido estrito, não estou louco, pois minha mente se mostra muito normal nos intervalos, e mais ainda do que antes. Mas durante os ataques, tudo é terrível e então perco a consciência de tudo. Mas isso me incetiva ao trabalho e à seriedade, como um mineiro que, sempre em perigo, se apressa no que faz".  
Quando não estava em surto epiléptico, Van Gogh trabalhava com muita responsabilidade e seriedade. Não era apenas um louco jorando jatos orgásticos de amarelo e azul sobre uma tela. Ero o verdadeiro Van Gogh de Saint-Remy e Auvers. 
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Nicéas Romeo Zanchett 
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