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domingo, 18 de novembro de 2012

A CRIANÇA QUE FUI - Fernando Pessoa

                                A CRIANÇA QUE FUI - de Fernando Pessoa 
A criança que fui chora na estrada
Deixei-a ali quando vim ver quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada, 
Quero ir buscar quem fui onde ficou. 
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Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vida tem a regressão errada. 
Já não sei de onde vim nem onde estou. 
De o não saber, minha alma está parada. 
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Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar, 
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Na ausência, ao menos, saberei de mim, 
E, ao ver-te tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
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Post : Nicéas Romeo Zanchett 
http://poesiasselecionadas.spaceblog.com.br



domingo, 11 de novembro de 2012

CÉLEBRES DIRCURSOS DE ABRAHÃO LINCOLN

                    CELEBRES DISCURSOS DE ABRAHÃO LINCOLN 
 Ex presidente dos Estados Unidos eleito em 1860, pouco antes da Guerra Civil Americana.
                                                    O DISCURSO
"Meus concidadãos: - Ao aparecer aqui pela segunda vêz para prestar juramento como presidente, é menos propícia a ocasião para um grande discurso do que da primeira vez. 
Parecia então conveniente e adequada um exposição pormenorizada do plano a seguir. Agora, ao cabo de quatro anos durante os quais se têm constantemente feito declarações públicas sobre todos os pontos da grande questão que ainda absorve a atenção e ocupa as energias da nação, pouca cousa nova se pode dizer. As vitórias de nossas armas de que principalmente tudo o mais depende, são tão conhecidas do público como de mim mesmo, e a todos, confio eu, parecem suficientemente satisfatórias e animadoras. São permitidas as mais levantadas esperanças para o futuro, mas não nos é lícito aventurar predições. 
  Ha quatro anos, em ocasião análoga, todos os nossos pensamentos se concentravam anciosamente na ameaça de uma guerra civil. Todos a temiam, todos procuravam evitá-la. Enquanto era aqui proferido o discurso presidencial em que eu procurava salvar a União sem guerra, agentes dos insurrectos estavam na cidade procurando destruí-la sem guerra, tentando dissolver a União, e dividir os efeitos por meio de necociações. Ambos os partidos condenavam a guerra; mas um deles queria antes a guerra que deixar a nação sobreviver, e o outro antes queria a guerra que deixá-la perecer; e a guerra veio.
  Uma oitava parte da população era formada de escravos de cor não distribuídos igualmente pela União, mas localizados na sua região meridional. Esses escravos constituíam  um interesse peculiar e poderoso. Todos sabiam que esse interesse era de algum modo a causa da guerra. Era para fortificar, perpetuar e extender esses interesses que os insurrectos queriam despedaçar a União pela guerra, ao passo que o governo não pretendia direito algum a fazer mais do que restringir o alastramento territorial da escravatura. 
  Nenhum dos partidos pensava que a guerra teria a magnitude ou a duração que já atingiu. Nenhum deles esperava  que a causa do conflito cessaria com ela ou mesmo antes que o conflito cessasse. Cada um deles esperava o triunfo e um resultado menos fundamental e surpreendente. Ambos liam a mesma Bíblia e faziam preces ao mesmo Deus e cada um invocava o seu auxílio contra o outro. Pode parecer estranho que alguém se atreva a pedir o auxílio de um Deus justo para arrancar o seu pão ao suor de outros homens. Mas não nos arvoremos em juízes das ações alheias para que outros se não arvorem em nossos juízes. Não poderiam ser atendidas as preces de ambos. Nem uns nem outros foram completamente atendidos. O Todo Poderoso tem os seus próprios propósitos. "Ái do mundo pelos seus crimes, pois é inevitável que haja crimes; mas ái daquele por quem sucedeu o crime."
Se nós supusermos que a escravidão que existe na América é um desses crimes que os desígnios de Deus exigem que se cometam, mas que tendo durado o tempo que lhe foi assinalado, Ele o quer agora fazer cessar e dá ao Norte e Sul esta terrível guerra como castigo merecido pelos culpados, poderemos acaso discernir nisso uma negação daqueles divinos atributos que os crentes em um Deus vivo sempre lhe atribuíram? 
  Esperamos confiantemente e pedimos com fervor que esta imensa calamidade da guerra depressa venha a ter um têrmo, mas entretanto, se a vontade de Deus é que ella continue até que desapareçam as riquezas acumuladas pelos escravos em duzentos e cincoenta anos de irrequito labor, e até que cada gota de sangue vertido pelo látego (chicote de corda) seja resgatada por outra gota de sangue vertido pela espada, como se disse ha tresentos anos, nem porisso havemos de deixar de dizer que os "juízes do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos."
  Sem maldade para niguém, com caridade para todos, firmados no direito, tal qual Deus no-lo nostra, cumpre-nos continuar a esforçar-nos por terminar a obra que levamos encetada, pensando as feridas da nação, cuidando dos que suportaram o peso da batalha, e das viuvas e órfaos, fazendo tudo quanto possa concorrer para estabelecer e tornar grata uma paz duradoura entre nós e com todas as nações.    Por Abrahão Lincoln
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ABRAHÃO LINCOLN foi o décimo sexto Presidente dos Estados Unidos. Nasceu  em Hardin Country, Kentucky em 12 de fevereiro de 1809. Foi educado em escolas rústicas e durante a sua mocidade foi lavrador numa fazenda da família, caixeiro viajante, negociante e agente de vendas e locações de prédios. Estudou  direito e começou a praticar política em Springfield, no Ilinois. Teve assento na legislatura do Estado de  1834 a 1842; Foi membro liberal do Congresso Americano de 1847 a 1849 e em conseqüência da sua decidida oposição à escravatura ficou sendo considerado como o lider do Partido Republicano. A sua eleição à presidencia em 1860 foi seguida da secessão dos estados do sul e a guerra civil que rebentou em 1861. Em 1862 publicou a sua famosa proclamação de amancipação; em 1864 foi reeleito por uma grande maioria contra McClellan, candidato do Partido Democrático, e estava estudando um plano de reforma da união, quando foi mortalmente ferido com um tiro pelo ator João Wilkes Booth, em Washington, a 14 de Abril de 1865.  Morreu no dia seguinte.
                                       ORAÇÃO DE GETTYSBURGO 
                                             Por Abrahão Lincoln 
        Pronunciada em 3 de julho de 1862, aniversário desta decisiva batalha.  
  Ha oitenta e sete anos os nossos pais estabeleceram neste continente uma nova nação concebida na liberdade e fundada no princípio de que todos os homens são iguais .
  Agora estamos envolvidos em uma grande guerra civil e experimentamos se esta nação ou qualquer nação assim concebida e orientada pode durar muito.  Encontramo-nos em um grande campo de batalha desta guerra, para consagrar uma parte dele e a servir de última morada àqueles que deram as vidas para que a nação pudesse viver. É inteiramente justo e natural  que assim procedamos. 
  Mas em um sentido mais lato nós não podemos dar este terreno. Os bravos vivos ou mortos que lutaram aqui consagraram-no muito acima do nosso poder de dar ou retirar. O mundo pouco saberá e por pouco tempo recordará o que nós aqui dissermos, mas não esquecerá nunca os atos que eles aqui praticaram. A nós é que nos compete dedicarmo-nos aqui à grande obra que está diante de nós e tomartmos pelo exemplo desses venerados mortos mais ardente dedicação à causa pela qual eles aqui deram a mais completa prova dedevoção, e prometamo-nos que os mortos não morreram em vão, que a nação terá, com a ajuda de Deus, uma nova vida de liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecerá da terra. Por Abrahão Lincoln
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"Nascer, lutar, sofrer - eis toda a vida!" - Gonlaçves Dias.
"Abram as portas à verdade e a mentira: é a mentira que há de entrar primeiro." - Napoleão III.
" A minha vida ensinou-me que tenho muito a esquecer e muito de que me perdoarem." - Bismarck.
"Os revolucionários políticos parecem-se bastante com estes regadores das estradas e ruas, que podem fazer lama quando há sol, mas que não sabem fazer sol quando há lama." - Alexandre Dumas.
"O amor do povo pelo seu governante eleito perdurará o tempo que perdurar a sua glória." Romeo Z.
 
Nicéas Romeo Zanchett

sábado, 3 de novembro de 2012

SAFO - A POETISA DE LESBOS

                      Pintura acrílica de Romeo Zanchett
                           SAFO - A POETISA DE LESBOS
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                  Lesbos era a ilha das paixões e o centro da cultura eolia da raça grega. A energia que os jônicos consumiram pelo prazer, pela política, pelo comércio, pela ciência, pela legislação e pelas artes eram restringidas à esfera de emoções individuais. Em nenhuma época da história grega, o amor à beleza física, a sensibilidade ante a natureza radiante e o fervor consumado do sentimento pessoal, tomaram tão grandes proporções e receberam tão ilustre expressão como em Lesbos. Foi ali que desabrochou a mais bela poesia lírica de que o mundo teve conhecimento.

                    Safo nasceu por volta de 612 a.C em Fresco, na ilha de Lesbos. O sábio Platão a definiu como "a décima musa" e Sócrates como "a bela".
A voluptuosidade da poesia eolia não é como a da arte persa ou árabe. É grega nas suas proporções, no seu tato e no seu domínio de si. 
Nas poesias de Safo está tudo tão ritmicamente em ordem pela arte suprema da serenidade, da grandeza, da expressão, do abandono e da paixão. 
Safgo, que se chamava Psafa no seu dialeto eolio, foi a única grande poetisa do mundo grego antigo. Ela viveu antes do nascimento de Gautama, fundador do Budismo. Sua poesia foi forte o suficiente para resistir a mais de vinte e seis séculos. Sua importância ultrapassa fronteiras. A sobrevivência de sua obra deve-se às citações de gramáticos e de lexicógrafos, sem os quais nenhuma palavra teria chegado aos nossos dias. Apesar do tempo e das dificuldades gráficas, suas obras se conservaram intactas até, pelo menos, o terceiro século de nossa era. 
Embora não pareça existir evidência afirmativa, consta que as obras de Safo e de outros poetas líricos foram queimadas em Constantinopla e em Roma no ano 1073, no papado Gregório VII. Já Cardano dissera que esta queima foi sobre o regime de Gregório Nazianzeno, cerca do ano 380 de nossa era.Pedro Alcídio diz ter ouvido, quando muito novo, que muitas obras de poetas gregos foram queimadas por ordem dos imperadores bizantinos e em seu lugar foram circulados os poemas de Gregório Nazianzeno. O Bispo Bloenfield declarou que devem ter sido destruídas bem cedo, porque nem Alceo e nem Safo foram anotados por qualquer dos gramáticos ulteriores. Não há sombra de dúvidas que sua obra era grandiosa. Poucos foram os preciosos versos que escaparam à destruição promovida pelo anti-paganismo. 
                                Escultura de Romeo Zanchett
Mas quem foi esta misteriosa Safo? Seu nome é encontrado em todo o lugar, mas o mistério permanece. Que existiu, não há dúvidas, mas quais terão sido as sublimes artes que usou com as mulheres? Era tão mulher  ao ponto de suas seguidoras serem chamadas de sáficas. Não tinha medo de homem, fosse ele de pequeno ou grande cérebro, a ponto de dizer: "eu amo as mulheres e elas me amam". Safo excitou, e foi banida por seus contemporâneos, porque adorou e depravou centenas de garotas. Seu fim foi dramático como ela própria: Suicidou-se aos 55 anos, quando percebeu que o homem que amava não a queria e ainda a isultava. Uma grande poetisa , talvez a maior de todos os tempos. Possuidora de um caráter mórbido e melodramático, de personalidade inquieta, sonhadora e erótica. 
As jovens de hoje, que possuem os mesmos gostos apaixonados comentam sua história  por ter ouvido falar. As verdadeiras herdeiras de Safo são as intelectuais que conhecem o essencial de sua vida e seu modo de amar. O orgasmo sáfico é muito mais que cerebral: é uma apaixonante dedicação física a outra mulher, seja ela ativa ou passiva. 
Dos doze mil versos conhecidos, sete mil enlouquecidos e cheios de libidos, em sua grande parte, foram queimados pelas Cruzadas cristãs. 
De todas as maravilhosas poesias que dedicou às suas amantes, somente a última chegou completa até nós. "ODE AO AMOR". 

                   Desenho de Romeo Zanchett

            ODE A VÊNUS - por Safo
Filha de Jove, que tens altares
Em cem lugares, Diva Falaz:
Ah! poupa máguas a quem te adora
A quem implora favor e paz.
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Tu já outr'ora piedosa ouviste
O brado triste da minha voz:
E da paterna mansão celeste
A mim vieste pronta e veloz.
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Ao nívio caro jungido tinhas
Das avezinhas o meigo par.
E voando pelo ar sereno
Em prado ameno veio pousar.
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E tu, sorrindo, de mim diante
Meigo o semblante falaste assim:
"Safo, eu te vejo tão consternada,
Por que magoada chamas por mim?"
.
"Paixão te oprime? Gemes, suspiras
Dize, a que aspiram com tanto ardor?
Alguém, ingrato, se te não rende?
Ah! quem te ofende com tal rigor?"
.
"Há de rogar-te, se te ora enjeita
Teus dons rejeita? Dons te dará:
Desquer-te amado? Por ti já esquiva
Em chama ativa se abrasará".
.
Também agora, deusa benigna
A mim te digna  dar proteção:
Auxiliadora neste conflito
Vale ao aflito meu coração.
                       PUDOR - por Safo
A teus dote qual mais encantador
Tu ajuntas, amável criatura,
Um para mim de todos o maior,
E que até embeleza a formosura: 
O pudor!
Safo era um verdadeiro homem, gentilmente mulher, com virilidade pelo frágil sexo. Sua infância foi em Mitilene, onde vivia com três irmãos, invejando-os por seus atributos sexuais masculinos que eram seu sonho maior. Dizem que era bem feminina e graciosa, possuidora de um belíssimo corpo, estatura baixa, pele escura e peluda. Assim se descreveu: " A natureza não foi madrinha, me recusou o esplendor do rosto, compensarei com minha genialidade satânica e com noites atrozes, onde os cegos enxergarão com a potência dos meus sentidos..."
Politicamente, teve implicações na conspiração dos nobres contra o governo democrático, foi exilada por infâmia. Mudou-se para Siracusa, casando-se com um ricaço, permanecendo pura e intocada pelo membro masculino, como fez questão de acentuar: "E virgem permanecerei sempre, mas se algum dia acontecer de encontrar uma menina... Na ocasião a possuirei com ardor e também em mim mesma usarei um objeto com ponta e bem afiado.
Suas queridinhas amantes não lhe deram exclusivamente prazer orgásmico. Conta-se que uma jovem loura provocou a ira de Safo causando-lhe ciúmes e foi esganada. Uma outra loura, sua amante, entregou-se a um militar e desta vez a poetisa desabafou com sua pena: "Áttide, não te lembras do luar banhando teu despido corpo? E minha língua rósea que levemente escorregava no teu escuro orifício? De ti me persiste a memória e em ti não existe lembrança!  Lembrarás dos meus braços que tantas vezes te transportaram ao êxtase?"
A infiel loura apaixonou-se pelo militar grego, arrancando lágrimas de Safo. -"Ó amor, quem é o homem que senta à tua frente? Ah, me sinto enlevada pelo macho que está a teu lado porque já me falta a voz, e sinto a língua partida. Debaixo da pele, um fogo implacável circula. Os meus olhos não te enxergam mais... Te desejo, ainda te quero, te arrancarei dele... O suor me inunda, os meus braços de macho te sacodem e te apertam. Oh, se eu tivesse músculos para desmembrar-te para sempre! Devo resignar-me por não possuir aquelas três coisas do macho?  Nunca! Voltará para mim e "ali" te abrirei, enlouquecerás e esquecerás".
Jamais se cansava de repetir suas preferências: - " Amo a vida elegante e mulheres louras, claras como a lua, refinadas e esquivas. A beleza de minhas amantes é para mim como a luz do sol..."

Na necrópole heleno, egípcia de Ossirinco, foram descobertos alguns sonetos lésbicos, em louvor à mulher, gravados em sarcófagos.
"Permaneces imóvel e do lado de lá nada conheces. Eu sinto nos meus braços mudos o tormento do verão nas primeiras chuvas, o medo do teu frio seio e da tua flor no alto. Meu rosto reclamará de ti suor e lágrimas. Mas, pobre de mim, serei como meus dedos, vazios áridos. Chama, ó amada, a vida repetida, de quem por Ti a paixão prosta..."

   OUTRAS OBRAS BELÍSSIMAS:
"Oh, tu imortal beleza, tecedora de enganos, peço-lhe
não mostrar com penas e ânsias de amor o meu corpo e
o meu coração! Te adoro! Te quero para mim e para sempre.
Aqui vieste, voltaste. De longe ouviste minha voz e deixaste pai e mãe para seguir-me no leito dourado...
Te condiziam pássaros leves e elegantes sobre a terra escura dos meus braços fortes.
Rapidamente vieste. Gritaste.
E tu, maravilha, sorrindo em teu rosto mortal me perguntaste de que penas sofria e o que ainda suplicava...
No teu peito em delírio, sobre meu seio inexistente o que, diga-me, suplicavas?
Tu? Oh, mas me foges agora, cedo te perseguirei. Se recusares presentes, muito cedo presentes te darei.
Se não me amas, cedo me amarás, mesmo contra tua vontade. Venha a mim agora!
Quanto Clamor se compraz o teu corpo, e sobre o meu o teu Grande prazer, finalmente se cumpra! És minha!
Tu própria, no espasmo final
que me dás tua beleza e me assistes..."
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"O sangue flutua rápido em minhas veias; um acre calor invade minhas fibras. Ruborizo-me. Baixa a voz ao responder um gentil pensamento, inutilmente procuro e não acho. Com tumulto e força bate o sangue no meu peito. Morre a voz, enquanto eu passo minha língua em sua boca".
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Guardo a chama dentro do meu sangue e fervo,
um estúpido e continuado tintinar, me enche
os ouvidos, e sonho. Levanto o olhar, e entrevejo
sombra de macho. Me encontro apagada, um suor
gelado, a fisionomia morta como erva que não
cresce, tremendo em arrepios, enquanto minha
língua ativa se dirige em tua direção. Anseio
a ti cada vez mais, quase até a morte certa,
apagar este fogo".

                                Pintura acrílica de Romeo Zanchett
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"Virgindade, virgindade me deixas, onde vais?
Não voltarei mais para ti, nunca mais.
Tu és a flor purpúrea, que meus braços rudes,
pisam no abraço e aqui deitam, enquanto lá fora
a brilhante aurora de beijos, carícias e humores
e morte, venham para mim, porque tanto te desejei...".
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"Uiva o vento entre as árvores. O meu não não parece um rumor,
mas é o amor que corre, a paixão devoradora  pelos teus lindos
cabelos e teus membros alvos, me esgota e me quebra.
Assim só, te desejo, eu morro!"

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"Alegria de viver, mais não tenho. A vontade de
morrer se apossa de mim, ver o lótus, molhado de
orvalho às margens do Acheronte...".
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"Oh, fêmea, que meu hábito não sentir e não provar, ir
aqui e alí entre obscuros mortos que esvoaçam sobre sua traição.
Oh amor, pudesse eu com meus braços sufocar-te. E a aquela
vida de erros em segundo apagar..."
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"É como a maçã vermelha em seu ramo mais alto, os
colhedores a esquecem. Não esqueceu quem era como
ela, mas também não conseguiu alcançá-la".
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Procurei mostrar-lhes um pouco da vida e da obra desta grande poetisa que, na verdade, nunca morreu. Para as amantes especiais e as amizades amorosas, Safo continua existindo. No mundo do amor entre iguais, ela sempre será a musa e a deusa maior.
Nicéas Romeo Zanchett
http://amoresexo-arte.blogspot.com.br