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domingo, 10 de fevereiro de 2013

HISTÓRIA DO CARNAVAL

                              Obra artística de Tereza Toscano - CARNAVAL NA LAPA
                                               HISTÓRIA DO CARNAVAL
Embora tenha passado por várias modalidades no decorrer dos tempos, o carnaval tem suas origens em eras remotas. Nasceu no Egito, há mais de 2.000 anos antes de Cristo. 
Na antiga Roma, no dia 15 de fevereiro, realizavam-se danças em honra a Pã, danças estas chamadas de "lupercais", e os gregos festejavam Baco. Era hábito, entre gregos e romanos, dedicar vários dias do ano a festas de contentamento e manifestação de liberdade. Tal como hoje, considerava-se necessário e conveniente para que o povo pudesse desencadear seus instintos naturais. Assim eram, por exemplo, as "saturnais" de Roma, a festa das sementeiras em que se festejavam a abundância da terra. Também os povos germânicos, que invadiram o Império Romano, possuíam festas do mesmo gênero. E da combinação de uma e outras é que resultou o "carnaval" como conhecemos hoje. A Igraja Católica Apostólica Romana, que herdou o poder do Império Romano, aceitou tolerar  a festa como uma compensação prévia das mortificações  impostas pela quaresma. 
No início, os cristãos começavam as festividades do carnaval a 25 de desembro, compreendendo os festejos de Natal, Ano Novo e Reis. Usavam-se disfarces e eram realizados jogos. Roma proibiu por longo tempo o carnaval na Gália, tais foram os abusos cometidos. No começo do cristianismo, foram dadas novas orientações a estas festividades, com severas punições aos que se excedessem.
O bailes de máscaras datam da côrte de Carlos VI e num dêstes bailes êle foi assassinado. O carnaval começa a 26 de dezembro com a festa de S.Estêvão e em festas religiosas como a Epifania se usavam máscaras. No século XVIII, as damas elegantes  de Veneza e Florença usavam-nas como arma de sedução. 

Os bailes de fantasia da Ópera de Paris, instituídos em 1715, deram grande realce aos festejos, na França. Por volta de 1799, em seguida à grande Revolução Francesa, vieram os mesmos a ter  extraordinário brilho após haverem entrado em declínio. Durante muito tempo, em Nice ao Sul da França, o carnaval teve cunho mais popular. Ainda hoje é muito famoso por lá.  O uso generalizado das máscaras deve-se à influência italiana principalmente da cidade de Veneza. 
                                    Escola de Samba- Pintura em Pastel de Romeo Zanchett
 No Rio de Janeiro o carnaval é uma festa essencialmente popular. A princípio haviam certas brincadeirtas violentas, chamadas então de "entrudo".  Era costume carregar as pessoas e com grande algazarra atirá-las em tanques ou tinas num inesperado banho forçado.  Outra brincadeira, muito comum e não menos desagradável, consistia em despejarem, dos sobrados, baldes de água sobre os foliões que passavam. Estes costumes provocaram muita revolta e as autoridades agiram para coibir a prática. Surgiram então os "limões de cheiro, antepassados do lança-perfume, que eram água perfumada acondicionadas em pequenas esferas de cera. Muitas famílias ganhavam dinheiro produzindo as pequenas esferas que eram vendidas no carnaval.

Sambistas
Pintura em pastel de Romeo Zanchett
Entretanto esses perfumes molhavam e manchavam a roupa, o que era muito desagradável para quem estava feliz e festejando. Foram, então, substituídos por bisnagas que, finalmente, deram origem aos lança-perfumes. Estes últimos tinham substância tóxica  (éter), que viciava e intoxicava,  em sua composição e também foram proibidos. A par das batalhas  de limões-de-cheiro e lança-perfumes, perambulavam mascarados pelas ruas divertindo o público com suas zombarias e trotes. Existiam grupos de foliões organizados. Entre eles os "democráticos", os "Fenianos", os "Tenentes do Diabo", que não poupavam esforços  para angariar  os aplausos do público. Vinham em grandes "cordões", que zabumbavam pelas ruas , dando lugar aos "ranchos", cada um procurando esmerar-se  mais e mais nas suas composições alegóricas, nas canções e nos bailados. Para os bailes carnavalescos, abriam-se os mais belos salões, com prestígio das autoridades, que cediavam as casas de espetáculos.  As festas que precediam a recepção do Rei Momo eram outro acontecimento que servia de pretexto para expanções carnavalescas.
Êle chegava ao Rio no sábado que antecedia o tríduo carnavalesco. Desembarcava na Praça Mauá, percorria a Avenida  entre aclamações e, na escada do Palácio das Festas, finalmente recebia a chave simbólica da cidade para os três dias de folia. Com este ritual dava-se o início ao carnaval oficial. 
As músicas que movimentavam o carnaval em sua origem eram as valsinhas, as polcas, os landus, as quadrilhas, as mazurcas e outras até 1908, quando apareceram as marchinhas. Só em 1917 surgiu o samba carioca, que consagrou verdadeiramente os folguedos de rua e salões. 

Escola de Samba
Pintura em pastel de Romeo Zanchett
O Rio de Janeiro goza fama internacional de apresentar o melhor carnaval do mundo. Luxuosas fantasias, que custam milhares de reais, são preparadas e exibidas pelas escolas de samba ou em bailes de clubes socialmente categorizados. A figura máxima do carnaval é o Rei Momo, que apareceu pela primeira vem  no Rio de Janeiro no dia 18 de fevereiro de 1855, às 15 horas, com o nome de "Deus Momo".  Sómente em 1932, graças a uma iniciativa do jornal "A Noite" é que surgiu o primeiro "Rei Momo", que naquele ano era um boneco de massa feito pelo artista Colombo, do Rio. Durante 14 anos, o jornalista Nelson Nobre reinou como o Momo oficial do Rio de Janeiro. 

                     FREVO - Pintura em pastel de Romeo Zanchett - 1982.
O frevo, alucinação do carnaval permnambucano, é uma dança de rua  e de salão. É uma manifestação popular que atinge quase a totalidade do povo. Trata-se de uma marcha de rítmo sincopado, obsedante, violento e frenético, que é sua principal característica. E a multidão ondulante nos meneios da dança, fica a ferver. Foi dessa idéia de fervura que surgiu o nome de frevo, segundo opinião de Luiz Câmara Cascudo. Contudo, outros autores dizem que o frevo ainda não tem origem definida. A coreografia dessa dança de multidão é, curiosamente, individual. Centenas de dançarinos, ao som da mesma música excitante, dançam de maneira diversificada. A presença do frevo  nos salões, nos clubes carnavalescos é posterior a 1917.  No carnaval carioca êle surgiu, pela primeira vez,  em 1935 com a exibição do famoso grupo intitulado Vassourinhas. O sucesso foi imediato.
O Brasil é um país de grandes folguedos populares, muitos já tradicionais, e o carnaval tornou um negócio que movimenta milhões de dólares e reais, além de dar emprego a um grande número pessoas durante o ano todo. 
Nicéas Romeo Zanchett 
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com.br

  

SAMBA - RÍTMO AFRO-BRASILEIRO

                                 SAMBA - RÍTMO AFRO-BRASILEIRO 
O samba é uma dança de origem africana, cantada a compasso binário e acompanhamento sincopado; Tem composição musical própria para a dança. 
A etimologia da palavra samba é controvertida, havendo várias versões: a que lhe atribui a origem tupi, significando "cadeia feita de mãos dadas; a que consigna a existência da palavra em dialetos africanos com o significado  de "culto através da dança"  e ainda outra que a deriva da maçumba, instrumento africano em forma de chocalho ou maracá. 
O samba teve ainda um significado mais lato, estendendo-se à acepção de qualquer baile popular. 
Batuque é a denominação genérica para baile africano que o Rei D.Manuel proibiu nas primeiras décadas do século XVI. 

No Rio de Janeiro, para o tipo de samba característico dos morros da cidade, é comum designar-se batucada. Segundo Luiz Câmara Cascudo, com a designação samba, não se conhece dança africana  e não há nenhum registro durante o século XIX. 
O samba carioca, canção popularesca com forma urbana, foi transplantado da Bahia no princípio do século XX. Antes de se requintar através da dança social que lhe corresponde, surgiu nos primeiros redutos de descendetes africanos que viviam nas proximidades da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, com as baianas vindas da guerra de Canudos, que se fixaram no morro da favela. Era também praticado na casa da "tia Ciata" na Rua Visconde de Itaúna, 117, centro do Rio, onde se reuniam sambistas e macunbeiros de então. 

No Peru, Chile, Argentina e em outros lugares existe um similar chamado zamba, porém os tratadistas  daqueles países sempre negaram qualquer identidade com o nosso samba.  Até 1917, a palavra samba era usada para indicar agrupamento de pessoas ou mesmo festa. Segundo "Almirante", naquela data surgiu pela primeira vez, numa música impressa de composição de Donga, "Pelo Telefone", marcando o nascimento de um nôvo rítmo para o carnaval. Devido a receio de  preconceitos, os próprios compositodres da época ainda titubeavam  quanto à denominação a serem dadas à suas composições. 
Por volta de 1920, pensava-se que o samba servia para denominar  qualquer música carnavalesca. Aí por volta de 1922, comessaram a originar-se os ranchos carnavalescos e o samba foi sendo cultivado pelas fabulosas escolas de arte. 

Ao contrário do que muita gente pensa, o samba não nasceu no morro. Os primeiros sambistas: Sinhô, Caninha, Donga, Pixinguinha e os mais recentes como Noel Rosa, Lamartine Babo, Ari Barroso, e outros, são da cidade baixa. 
Nos nossos dias , o samba já é exportado para diversos países e seu ponto alto é o carnaval carioca com responsabilidade das escolas de samba, cujos componentes entre homens e mulheres vão à mais de duas mil pessoas por escola, todos cantando e dançando com rítmo harmonioso e original que faz o público, sempre presente aos milhares, amanhecer o dia numa euforia de contentamento e gosto. 

Falando sobre o papel das escolas de samba no carnaval, um reporte estrangeiro assim o definiu: "O carnaval carioca é a maior festa popular do mundo e o desfile das escolas de samba o maior espetáculo de carnaval". 
Ainda hoje, muitos observadores preconceituosos, consideram a dança do samba como um divertimento muito sensual e até obsceno, cujas pantomimas revelam aos espectadores  os desejos ocultos dos pares dançantes. 
                                   Desenhos ilustrativos de Romeo Zanchett

O samba como rítmo se tornou o mais popular e o mais praticado no Brasil. É exportado e apreciado em todo o mundo. 
Nicéas Romeo Zanchett 
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com.br


domingo, 3 de fevereiro de 2013

VANTAGENS E PERIGOS DA DEMOCRACIA



                                        VANTAGENS E PERIGOS DA DEMOCRACIA 
                    A democracia caracteriza-se pela igualdade de valor concedida a qualquer personalidade humana, de forma que, embora seja súdito, o indivíduo participa da soberania. 
O grande desenvolvimento do pensamento democrático ocorreu no século XVII e XVIII, com o aparecimento  dos trabalhos de John Locke, Montesquieu e Jean Jacques Rousseau, sendo que apenas este último manteve uma posição estritamente democrática, tal como a entendemos hoje.
                    Os princípios constitutivos do estado democrático são: 
a) Igualdade de todos os cidadãos perante a lei;
b) Participação de todos os cidadãos  no governo pelo direito de sufrágio. 
É exatamente desses princípios que vem a frase: "o governo do povo pelo povo". 
A democracia legitimamente constituída e praticada com equidade, realiza as condições de um bom governo. Pelo fato de não admitir nenhuma distinção entre os cidadãos, a não ser a que provém do mérito pessoal, a todos concede a possibilidade de desempenhar  as mais altas funções; e permite a cada um contribuir com o máximo de esforço para utilidade social. 
Segundo Aristóteles, a forma democrática de governar é a mais sólida de todas , porque nela domina a maioria , e a igualdade que se desfruta gera o amor à constituição que proclama. 
                     A democracia concede aos governados a maior parte das liberdades que são compatíveis com a ordem pública infundindo-lhes, em grau mais elevado, o sentimento da sua dignidade e da sua responsabilidade. 
Na Grécia antiga, havia dois tipos de república. Uma, em Esparta, era militar; a outra, em Atenas, era comercial. Na primeira desejava-se que os cidadãos fossem ociosos; na segunda, que amassem o trabalho. 
A primeira grande experiência contemporânea na prática da democracia constitucional surgiu com a Revolução Americana. O princípio de escolha dos representantes através do voto direto dos representados foi garantido nas eleições para Câmara  dos Deputados, mas adotou-se a eleição  indireta para presidência da República e o Senado. O poder das maiorias eventuais que ocupam o governo ou controlam o Congresso foi limitado pelo princípio de estrita separação dos poderes, princípio aliás adotado pela maioria das constituições que se seguiram à americana, inclusive as constituições brasileiras da República.
No regime democrático em que todas as forças individuais se podem exercer sem obstáculos, e onde os meios de representação são menos enérgicos, a desordem tem fácil entrada e a corrupção encontra as mais temíveis facilidades de expansão. A possibilidade que todos tem de chegar a exercer  os cargos públicos traz consigo o perigo de abrir a porta  às ambições pessoais.
                    Em lugar dos mais competentes, capazes e dos mais dignos apresenta-se a multidão, sempre composta por pessoas medíocres e pretensiosas  Cada indivíduo se considera efetivamente idôneo, capaz  de qualquer emprego público e digno de todas as honras. Improvisam-se homens, companheiros de partido político, e a democracia torna-se o reino da mediocridade. Diante disso, a influência  reservada a cada cidadão, garantida pelo sufrágio, tem pouca ou nenhuma importância. Com isso, as pessoas realmente preparadas tornam-se desgostosas de que seu voto já não tenha mais valor e afastam-se, deixando o campo livre para os intrigantes, incapazes e corruptos. 
Nessa conjuntura surge a oportunidade dos déspotas ascenderem ao poder e usarem a democracia para benefícios pessoas e enriquecimento ilícito, assaltando sem pudor os cofres públicos. 
A raiz da espoliação legal está no egoísmo humano e na falsa filantropia. As leis do país passam a ser instrumentos de governo, e assim acaba caindo no pior dos despotismos que é o das maiorias. Essas maiorias são conseguidas
com arranjos espúrios que desmontam totalmente os princípios básicos da verdadeira democracia.
                  O sufrágio comprado através da esmola filantrópica impede o retorno à ordem democrática.
Os excessos de despotismo foram as desgraças das sociedades antigas, tal como os males das sociedades modernas vieram sobretudo do abuso da democracia. 
                     Nenhuma nação é capaz de ter instituições livres, se não atingiu um nível superior de moralidade. Numa verdadeira democracia a ordem só é possível quando a consciência  e a honestidade de cada um podem suprir o que falta de constrangimento externo. Onde a justiça e as leis dependem de cada indivíduo, não há salvação possível, se a maioria não é honesta. A participação de todos no governo do país, cria a cada um deveres proporcionados aos seus direitos. O primeiro desses direitos é ter em vista, não o seu interesse particular, mas o bem geral. E para discernir o bem geral, cada cidadão deve possuir um certo grau de conhecimento e inteligência; e para preferir o bem geral ao próprio é necessário virtude e abnegação. Portanto, o sufrágio universal pressupõe a educação política. E essa educação política, que os governos populistas não querem, começa nos bancos da escola.
                A  democracia, embora tenha séculos de experiência, ainda é um instrumento em permanente estado experimental. Ela garante a todos os cidadãos o direito de eleger os governantes  ou de ser eles próprios eleitos, que juntos participam simultaneamente do poder e da obediência; e estão sujeitos às leis que, ao mesmo tempo, contribuem direta ou indiretamente para criá-las. Esta condição é a geradora da grande distorção quando, pela esmola, se compra o voto dos menos favorecidos, financeira e intelectualmente.
                    Não esqueçamos, com efeito, que a primeira condição do trabalho honesto, fecundo e da prosperidade é a paz, a segurança da propriedade e a confiança recíproca dos que sentem necessidades mútuas. Ora, não é a caridade, que no Brasil é distribuída em grande escala, e sim o salário digno que contribui para aproximar as classes, para reconciliar o pobre com o rico. O salário, que alguns economistas costumam apresentar como inimigo irreconciliável do capital, deveria ser visto como seu fidelíssimo parceiro.                                           
                    O político, de dentro do seu escritório climatizado, deveria observar a sociedade que a cada dia se torna mais desigual. Deveria se perguntar se tudo isso não é fruto de um passado de espoliações causadas pelas leis que ajudou criar. Mas, infelizmente, o pensamento do político está voltado para as organizações, os conchavos, as combinações e arranjos aparentemente legais. Ele  procura remediar o mal, aumentando e perpetuando a verdadeira causa desse mal: excesso de impostos para garantir a boa vida dele e de funcionários públicos que lhe servem.
Ser político no Brasil é ser um prestador de favores públicos, guiados pela ganância que leva a maximizar as receitas para garantir as mordomias suas e de seus "companheiros de espoliação".
                     Nos últimos vinte anos, nosso sistema político foi transformado em mercado, onde se negocia votos e influência em troca de benefícios econômicos. As pessoas próximas ao poder formam grupos de lobistas com interesses específicos, sempre ansiosos por receita pessoal.  
                    A tradição brasileira é essencialmente democrática. O primeiro artigo da Constituição de 1946 já anunciava: "Todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido."
As constituições brasileiras sofreram influências diversas. A primeira, outorgada por D. Pedro I a 25 de março de 1824, era parlamentarista e bastante moldada pelo regime praticado na Inglaterra  Já a Constituição de 1891, onde preponderava a influência norte-americana, entre outras disposições inovadoras, adotou o regime presidencialista. Estabeleceu apenas três poderes e fez da federação a forma do Estado; limitou a três o número de Senadores por Estado, previu a representação das minorias e instituiu o sufrágio universal masculino. Essa mesma constituição permitiu o voto a descoberto, fonte de muitas das fraudes eleitorais da chamada República Velha. No entanto, esqueceu a Justiça Eleitoral, o que dificultou enormemente o reconhecimento dos mandatos de congressistas da oposição, facilitando a instalação no poder de verdadeiras ditaduras partidárias, e nenhuma referência fez às garantias sociais dos trabalhadores. 
                    A Constituição de 1946 procurou conciliar as diversas correntes doutrinárias representadas entre os constituintes. Garantiu o direito de propriedade tal como o entende a liberal-democracia, mas condicionou seu uso ao bem-setar social - ideia nitidamente socialista.
Atualmente o Brasil está sendo governado com a constituição de 1988. No primeiro artigo fala da indissolubilidade dos Estados e Município e do Distrito Federal. Constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - pluralismo político. Parágrafo único: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".  O artigo segundo fala da independência e harmonia entre os três poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. 
Tudo parecia perfeito, mas na pratica colocou a força coletiva à disposição de inescrupulosos que desejavam, sem risco, explorar as pessoas, a liberdade e a propriedade alheia. Facilitou a entrada de verdadeiras gangues que habilmente fizeram e ainda fazem uso da democracia para seus interesses pessoais. Com tantos homens desonestos no poder - em Municípios, Estados e Governo Federal - o Brasil se tornou o país mais corrupto do mundo. Mentes criminosas usam a nossa democracia para legalmente implantar seu projeto totalitarista.
                    A pergunta que se faz é: será que todos os brasileiros estão preparados para o sufrágio universal? Porque não é o eleitor sozinho que sofre as conseqüências de seu voto, pois cada voto engaja e afeta a comunidade por inteiro. O sufrágio despolitizado desmoraliza a democracia.
                    A esmola distribuída em grande escala garante o poder absoluto ao Governo que domina o Congresso com sua ampla maioria de apoio  Os políticos que estão na oposição ficaram engessados, seus gritos soam apenas como sussurro  Um "status quo" criminoso instalou-se no Congresso que deixou de ser uma casa legislativa para se tornar um balcão de negócios espúrios. O poder do governo e seus aliados é tão grande que lá já não há mais capacidade para legislar.
O Bolsa Escola foi criado no governo Fernando Henrique para melhorar a educação, mas o governo Lula mudou o nome para Bolsa Família e o transformou no maior programa de compra de votos com dinheiro público legalmente distribuído por todo o pais. Talvez o sufrágio não devesse ser tão universal. Até podemos reconhecer que a vontade de cada um é sempre certa, mas pode ser comprada.  O populismo barato esconde a realidade com uma cortina de fumaça em detrimento da nossa Constituição que garante a todos a igualdade de direitos e deveres.


A educação é fundamental para um regime democrático. Por outro lado, a permanente caridade não é forma digna de viver.
A ilusão dos dias de hoje, pelo menos em tese, é tentar enriquecer todas as classes, a custa uma das outras. Isto significa generalizar a espoliação sob o pretexto de organizá-la.
A espoliação legal pode ser cometida de diversas maneiras. Possui um número infinito de planos para organizá-la: tarifas, cotas de protecionismos, benefícios, subvenções, incentivos, impostos progressivos, garantia de empregos, de lucros, de salários, de previdência social, de trabalhos públicos,  de cargos comissionados, gratuidade de crédito, etc. Devemos lembrar que nada entra no Tesouro Público em benefício de um cidadão ou de uma classe sem que outros cidadãos e outras classes tenham sido forçadas a contribuir. Mas é preciso compreender que isto não é democracia e sim socialismo  A fraternidade legalmente forçada não pode existir sem que a liberdade seja legalmente destruída e, em conseqüência, a justiça legalmente pisada. Expurgar toda e qualquer partícula de socialismo que possa existir numa legislação democrática não é tarefa fácil. É que está em jogo o poder dos políticos populistas e corruptos. Isto muito dificilmente acontecerá através do voto. Ora, a principal finalidade de uma Constituição Democrática é impedir a injustiça de reinar. Ela deveria substituir a vontade do legislador por sua própria vontade, a iniciativa do legislador por sua própria iniciativa, e não é isso que vemos ocorrer no Brasil. Criou-se a tal Medida Provisória que, em nome da governabilidade, transforma o presidente num ditador que tem o apoio da maioria no Congresso corrupto.
                   Certos políticos brasileiros pensam que as pessoas são desprovidas de cérebro e espírito de iniciativa, que são matéria inerte, vegetais indiferentes à sua própria forma de existência.
Quando o político é eleito ou reeleito o discurso muda radicalmente. O povo retorna à passividade, à inércia e à inconsequência  O legislador toma posse da onipotência. Agora é a vez dele mandar, dirigir, desenvolver e de organizar a sociedade. O povo deve submeter-se à sua vontade. Em suas mãos está o poder da espoliação legal.  Enquanto a sociedade luta por liberdade, os políticos pensam somente em forçar docilmente os cidadãos a suportarem o jugo da felicidade pública que eles imaginaram.
                  No Brasil, bastou o Regime Militar ser substituído e já a sociedade estava sendo submetida a outros arranjos artificiais que garantem cargos e altos salários a protegidos políticos e companheiros de partido. O povo que durante a eleição era tão sábio, tão cheio de moral, tão perfeito, não tem mais nenhuma espécie de iniciativa. Se tiver alguma, será levado á degradação. Estes organizadores desejam apenas ter acesso aos impostos e ao poder da lei, a fim de levar a cabo seus planos pessoais. Os bens e os males, as virtudes e os vícios, a igualdade e a desigualdade, a opulência e a miséria, tudo emana do governo. Ele é o poderoso que se encarrega de tudo. Extrapolam-se os limites, se tenta fazer a lei fraternal, igualitária, filantrópica, industrial, literária, artística, a utopia imposta, ou o que é pior, uma infinidade de utopias, que lutam para apoderar-se da lei com o objetivo de a impor.
Os países que possuem povos mais pacíficos  mais felizes e mais cheios de moral, são aqueles nos quais o governo e suas leis intervem menos na atividade privada.  São aqueles nos quais a individualidade tem  mais iniciativa e a opinião pública mais influência.  São aqueles nos quais as engrenagens administrativas  são menos  numerosas e menos complicadas; os impostos menos pesados e menos desiguais; os descontentamentos populares menos excitados e menos justificáveis. São aqueles  nos quais a responsabilidade dos indivíduos e das classes é mais efetiva e nos quais, por conseguinte, se os costumes não são perfeitos, tendem inexoravelmente a se  corrigirem.  São aqueles nos quais as transações comerciais, os convênios e as associações sofrem o mínimo de restrições;  o trabalho, os capitais, a população sofrem menores pertubações. São aqueles  nos quais os homens obedecem mais às suas próprias inclinações.
Aqui há excessos de políticos, excesso de legisladores, excesso de funcionários públicos, excesso de condutores de povos, excesso de "pais de pobres". Gente demais que se coloca acima da humanidade para regê-la, protegê-la, para se ocupar dela.
Ainda vivemos sob o manto da democracia, mas sempre estamos a um passo da ditadura esquerdista. A nossa democracia está sangrando e em permanente combustão.  

É por tudo isso que os nossos jovens não acreditam na nossa democracia. A prava maior é a sua sistemática ausência na hora do voto.
Nicéas Romeo Zanchett 

Leia também - A DEMOCRACIA COMO INSTRUMENTO DE ESPOLIAÇÃO 
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com.br/2011/10/a-democracia-como-instrumento-de.html