O CELIBATO CLERICAL - ABSTINÊNCIA SEXUAL
O celibato já existia no século I, entre os eremitas e monges. Naquela época era considerado um estilo de vida opcional, alternativo. Foram os políticos medievais que deram origem à disciplina do celibato clerical obrigatório.
O primeiro celibato obrigatório da Igreja Católica foi decretado pelo Concílio de Elvira (295 x 302). Elvira era uma simples província romana e por isso essa decisão não foi cumprida por toda a Igreja. Já o Concílio de Nicéia (323), do Imperador Constantino, decretou que "todos os membros do clero estão proibidos de morar com qualquer mulher, com exceção da mãe, irmã ou tia".
Foi no ano 313 d.C. que o imperador romano Constantino legalizou o cristianismo dentro do império e, dando continuidade a seu plano de poder, construiu muitos templos e igrejas permitindo assim o seu crescimento em grande escala. Com a legalização, no ano 380 d.C. sob o governo de Teodósio, a igreja primitiva mudou de um grupo de pequenas comunidades perseguidas na fé para um poder mundial.
Com o cristianismo sendo a religião oficial do Império Romano, muitas coisas mudaram para os cristãos. Seus líderes deixaram de se esconder e passaram a receber pagamento pelos seus trabalhos eclesiásticos com privilégios especiais na sociedade romana. Esses privilégios atraíram os membros da elite que eram homens treinados na vida política. Foi então que surgiram os primeiros padres sem nenhum embasamento bíblico. Com a elite política usufruindo das benesses da igreja institucional, emergiu uma espécie de imitação do governo romano dentro da Igreja Católica. Governantes e súditos começaram a substituir as pequenas comunidades embasadas na família, as quais eram servidas por um sacerdócio local casado. Com o passar dos anos os novos padres romanos agiram, nas pequenas comunidades, no sentido de retirar a autoridade dos padres que eram casados a fim de consolidar o poder político ao seu redor. Com a assistência do império romano, a liderança da igreja tornou-se uma hierarquia afastada das origens familiares. Criou-se a mentalidade de que essa classe governante estava acima do povo e que eram representantes oficiais de Deus na terra.
Com o passar dos anos diversas mudanças aconteceram retirando os direitos do povo em favor dos políticos romanos. Istituiu-se a prática de que somente homens tivessem autoridade institucional. A Igreja Romana desviou-se dos costumes incentivados pelo Senhor Jesus Cristo, que sempre exaltava o papel da mulher na família e na sociedade. Elas tiveram sua condição rebaixada e assim criou-se o celibato clerical. O celibato passou a ser defendido como essencial, uma vez que celibatários eram mais livres e disponíveis. Com o tempo o novo clero regular foi se destacando em relação ao clero secular familiar. Mas nas "Sagradas Escrituras" não há nenhuma determinação a esse respeito.
Ao longo do tempo, para ampliar poderes políticos e econômicos, o celibato adquiriu o status de espiritualidade especial, começando a denegrir a santidade matrimonial e a vida familiar. A antiga prática romana de abster-se das relações conjugais, para conservar energia antes de uma batalha ou de um evento esportivo, enconctrou seu caminho na prática litúrgica. Aos padres casados foi ordenado absterem-se de intimidade sexual com suas esposas na véspera da celebração das missas. O celibato tornou-se outra oportunidade política nas mãos dos padres e bispos ambiciosos. Os oportunistas, que eram celibatários, usavam sua condição como ferramenta no sentido de diminuir a influência dos padres casados criando desconfianças sobre suas reais abstinências sexuais. Com essa nova atitude negativa em direção às mulheres, a abstinência sexual começou a emergir na hierarquia, a qual se colocou em árduo contraste à saudável perspectiva familiar pregada por Cristo, que era objetivo central da igreja primitiva. O celibato foi então estabelecido
como o mais elevado estado de santidade e conseqüente supressão do sacerdócio casado.
No ano 366, o Papa Damásio começou a perseguir o sacerdócio casado quando declarou que os padres podiam continuar a casar, porém ficavam proibidos de fazer amor com suas esposas. Tanto os padres como o povo regeitaram essa nova lei.
No ano 385, o Papa Sirício abandonou a própria esposa e os filhos a fim de ascender à posição papal. Ao subir ao poder, imediatamente decretou que nenhum dos padres poderia mais continuar casado, porém, até hoje, não conseguiu obediência à sua lei.
Essa preocupação desmedida com a sexualidade clerical sempre foi contrária às relações normais do ser humano e fora do andamento natural da vida, conforme reconhecido por todas as religiões e seitas como algo estabelecido por Deus.
No ano 401, Santo Agostinho escreveu: "Nada tão poderoso para neutralizar o espírito de um homem como a carícia de uma mulher".
A crescente atitude contra a sexualidade e as mulheres foi a odiosa forma encontrada para controlar os aspectos íntimos da vida das pessoas e essa prática prossegue até os nossos dias.
Não foi por obediência às "Escrituras", mas por conveniência política que a Igreja Católica Romana se colocou contra o divórcio. A hierarquia da igreja medieval estava em luta com muitas monarquias e famílias reais através da Europa. Com a capacidade de controlar os casamentos reais, a igreja percebeu que poderia influenciar as alianças políticas e manipular os assuntos de Estado. Proibiu o divórcio e um segundo casamento, e quem não observasse suas novas ordens seria punido com a privação de sacramentos da instituição.
No século XI, os ataques contra os padres casados aumentaram de intensidade. Em 1074, o Papa Gregório VII legislou que qualquer homem que fosse ordenado padre deveria, antes, declarar o celibato. Prosseguindo seus ataques contra as mulheres e à sexualidade, Gregório declarou publicamente que "a Igreja não pode escapar das garras do laicato, a não ser que padres escapem das garras de suas esposas".
Em 1095 houve uma escalada de violência contra os padres casados e suas famílias. O Papa Urbano II ordenou que os padres casados que ignorassem a lei do celibato fossem aprisionados para o bem de suas almas. Em seguida ordenou que as esposas e seus filhos fossem vendidos como escravos, que os bens da família fossem desapropriados, e que o diheiro apurado fosse levado aos cofres da Igreja.
Os esforços para consolidar o poder na hierarquia medieval com a desapropriação dos bens e das terras das famílias dos padres casados alcançaram o ápice em 1139.
O celibato clerical foi definitivamente oficializado, com legislação específica, no Concílio de Latrão, sob o papado de Inocêncio II. A motivação das leis foi adquirir terras, com desapropriações, em toda a Europa, fortalecendo assim o poder do papado e da Igreja.
Usando uma linguagem convincente, a lei do celibato falava em pureza e santidade, mas o seu verdadeiro objetivo era consolidar o controle sobre o clero mais baixo e eliminar qualquer confrontação aos objetivos políticos na hierarquia medieval. Com isso a respeitável tradição do sacerdócio casado foi virtualmente diluida pelo celibato forçado.
A maioria dos atuais problemas em relação à vida sexual dos padres e bispos, casados ou não, tem origem no passado histórico da igreja. Nos últimos anos, mais de 100.000 padres católicos, no mundo inteiro, casaram e continuaram a praticar discretamente o sacerdócio. Nos Estados Unidos, atualmente, em cada três padres um é casado e esse número continua crescendo. É interessante observar que esses novos padres praticam um sacerdócio com uma compaixão mais profunda pelas pessoas e não as consideram seres inferiores ao clero. Os padres casados entendem as necessidades especiais dos católicos divorciados que desejam contrair um segundo matrimônio com cerimônias cristãs. Principalmente as mulheres se mostram profundamente comovidas pela honestidade e respeito demonstrados por esses padres às suas esposas e pela sensibilidade que demonstram diante dos problemas femininos.
Uma pesquisa recente, feita nos Estados Unidos, indicou que 70% dos americanos aprovam o casamento dos padres. Entretanto, o Vaticano continua irreversível. Quando um padre celibatário resolve casar, não lhe é dada opção alguma que não seja a de assinar enorme quantidade de papeis dizendo que não tem vocação para o sacerdócio, que é psicologicamente instável e moralmente fraco. Um verdadeiro retrocesso aos hábitos medievais.
Cada lei celibatária é referida como Cânon. O Cânon 290 determina a indissolubilidade do sacerdócio quando diz: "Após ter sido recebida validamente a ordenação, ela jamais poderá ser invalidada". Portanto, para os cristãos, esta lei confirma que os sacramentos dados aos fiéis pelos padres casados são tão válidos como os dos celibatários.
O celibato obrigatório é uma lei feita pelo homem medieval que tem trazido enormes problemas, com relação ao sexo, para as igrejas católicas no mundo todo. O corajoso bispo Ulrich de Ímola agumentou que a igreja não tinha o direito de proibir o casamento dos padres e aconselhou os bispos a não abandonarem suas famílias. Ele disse: "Quando o celibato é imposto, os padres cometem pecados muito maiores do que fornicação". O grande número de prisões de padres envolvidos em má conduta sexual, principalmente a pedofilia, tem comprovado o quanto ele estava certo. As evidências criminais comprovam que o celibato obrigatório está diretamente ligado aos diversos abusos sexuais cometidos pelos padres.
As saudáveis origens da família, do amor entre homem e mulher, pregado por Cristo, foram desperdiçados com a supressão do sacerdócio casado, principalmente com a desvalorização das mulheres pela igreja.
O recente Papa João Paulo II declarou que o celibato não é essencial ao acerdócio. O movimento começa a ganhar espaço entre os fiéis mais conscientes, e algumas mudanças na igreja têm acontecido atravês de iniciativas do povo.
Com a queda do Império Romano, a Igreja Católica Cristã cresceu muito em poder econômico e político, tornando-se uma poderosa organização milenar que congrega fiéis em todo o mundo. Mas, em pleno século XXI, ela não poderá continuar parada no tempo medieval, sob pena de ver seu poder minguar. A escassez de padres celibatários está causando o fechamento de paróquias e ameaçando a disponibilidade de missas e outros sacramentos, que são atividades essenciais da comunidade cristã. Os estudos feitos sobre o assunto, inclusive pela própria Igreja, sobre essa crise - falta de padres ativos - vai piorar nos próximos anos. A maioria dos atuais padres celibatários é idosa e não tem condições de atender ao crescente número de católicos e, portanto, está em estado de emergência.
O sexo é uma necessidade biológica e um instinto natural de todos os seres vivos. O homem moderno evoluiu muito, mas seus hormônios continuam na era ancestral.
Nicéas Romeo Zanchett
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domingo, 26 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
A VIDA DE WILLIAN SHAKESPEARE
A VIDA DE WILLIAN SHAKESPEARE
No dia 23 de abril de 1564, Mary Arden, espôsa de John Shakespeare, em sua casa na Rua Hanley, deu à luz a um menino. Três dias depois foi batizado pelo pároco local com o nome de Willian Shakespeare. Se pai, Luveiro por profissão e participante do Conselho dos Comuns - uma espécie de vereador - era um dos homens mais importantes da cidade. Durante toda a vida teve o sonho de ganhar o brasão nobiliário, que mais tarde viria a ser conseguido pelo ilustre filho. Tratava-se de um escudo com "um falcão que brande uma lança" (quebra-lanças) com uma legenda em Francês onde se lia: "Non sans droit" (não sem direito). Na Inglaterra elizabetana a concessão de títulos da nobreza a burgueses era fato comum. A aristocracia de sangue que cedia lugar à aristocracia do dinheiro.
Seu pai, john Shakespeare, gozava de excelente situação financeira e aos sete anos de idade Willian foi à escola onde aprendeu latim, grego e inglês vulgar. Era um tempo de grandes conflitos religiosos e Willian teve a oportunidade de ler as diversas versões da Bíblia, as novelas italianas e poemas franceses que já cirulavam traduzidos por toda a inglaterra. Interessava-se também pelas crônicas que narravam a história do seu país.
Aconteceu uma crise financeira familiar e aos dezoito anos teve de abandonar a escola para trabalhar e ajudar a família no sustento. O pai endividado, teve de vender uma propriedade da família e acabou sendo definitivamente afastado do cargo que ocupava como supremo magistrado local, com funções policiais e judiciárias.
Entre muitos ofícios, aprendeu a lidar com o esquartejamento de bois e abatimento de carneiros para os açougues locais. Mudando constantemente de profissão, chega à maioridade sem muitas perspectivas.
Seguindo o exemplo do pai, decide-se casar com uma mulher rica que poderia ser a solução para seus apertos financeiros. Em novembro de 1582, na Igreja da Santíssima Trindade de Stratford-on-Avon, o pároco local celebra sua união matrimonial com Anne Hathaway, filha de um rico agricultor, oito anos mais velha. Após o casamento, seguindo a tradição, vão morar na casa dos pais de Willian. Anne já estava grávida e seis meses depois nasce a primeira filha que recebeu o nome de Susan. Em janeiro de 1585 nasce o casal de gêmeos, Judith e Hamnet.
Chega aos vinte anos, com mulher e três filhos e, embora tenha experimentado os mais diversos ofícios, sem uma profissão definida.
Willian ouve maravilhosas histórias, contadas por viajantes, sobre Londres. Sonha deixar a terra natal e ir à busca de novos horizontes na capital, onde poderia vislumbrar fama e fortuna. A viagem seria longa e perigosa. Duraria três dias e corria-se o perigo de ser atacado por salteadores nas florestas fechadas. Os criminosos eram cruéis que saltavam sobre os viajantes para cortar-lhes a garganta e levar jóias e dinheiro. Mas nada intimidava o confiante jovem Shakespeare. Depois de muito refletir, abandonou mulher e filhos e partiu cheio de esperanças e sonhos.
Em Londres, perambulou pela cidade até acabar com todo o dinheiro que havia trazido. Precisando de um emprego para sustentar-se, aceitou ganhar a vida tomando conta de cavalos dos ricos londrinos que freqüentavam o Theatre de James Burbage. Dessa forma ganharia algum dinheiro e estaria perto do ambiente teatral. De certa maneira, acabou por conseguir seu sonhado lugar nesse mundo de fantasia que tanto o fascinava.
Burbage era uma figura de grande prestígio no ambiente teatral e literário de Londres. Ator principal, diretor e proprietário de uma das maiores companhias londrinas que em 1576 levantaria o primeiro teatro - o Theatre - construido na inglaterra especialmente para esse fim.
No final do século XVI, a capital inglesa já tinha quatro ou cinco casas de espetáculos, todas construidas a partir do Theatre de Burbage que fora inspirado nas estalagens onde, até então, era o local de apresentação das peças teatrais.
As estalagens eram retangulares e tinham um pátio no centro para o qual davam os corredores abertos dos andares superiores que serviam como galerias para os espectadores. Uma parte do pátio servia como palco e o restate era ocupado por espectadores que ficavam em pé. Mesmo durante as apresentações, não deixavam de cumprir suas funções; criados e hospedes atravessavam livremente o pátio, às vezes parando para olhar e até interagir trocando improvisadas frases com os atores. Foi essa estrutura que inspirou Burbage para construir seu primeiro teatro que, no entanto, teve uma forma arredondada, semelhante a uma praça.
Nese ambiente Shakespeare passava seus dias assistindo a todas as peças e aprendendo tudo sobre o teatro. Depois de muito insistir com Burbage conseguiu uma oportunidade para atuar como ator. Saiu-se bem e acabou sendo contratado pelo diretor do Theatre de quem, com o tempo, passou a ser grande amigo e colaborador.
Depois da ascensão de Elizabeth ao trono, o teatro começou a crescer e tornar-se cada vez mais popular; a maioria das companhias teatrais passaram a ter estabilidade financeira. Pelas ordens reais elas podriam fazer turnês pelo interior da Inglaterra, mas deveriam ter a proteção de algum nobre. A partir de então os atores se converteram em "homens do Conde de Pembroke", cômicos do Conde de Leiscester" e assim por diante. James Burbage, que já empregava Shakespeare, estava sob a proteção de Pembroke. Foi nesse momento favorável que Willian, estando em Londres, aproveitou a oportunidade e mostrou seu talento.
A Inglaterra havia derrotado a poderosa esquadra espanhola em 1588 e, naquele momento, dominava os mares e caminhava a passos largos para o prosperidade. Surgiram então as grandes companhias comerciais que, com apoio da Coroa, possibilitavam a criação de um grande império para a Inglaterra. Os veleiros britânicos cruzavam os mares transportando mercadorias da América e da África. Nessas viagens traziam também ratos e pulgas contaminados pela peste negra. Essa epidemia acabou por prejudicar enormemente o teatro inglês.
Durante o período da peste que, na idade média, assolou a Europa, o teatro sofrera perseguição. As companhias eram compostas de gente malvista. As apresentações eram feitas de forma improvisada nas praças, em pátios de estalagens ou, algumas vezes, nos salões de algum nobre um pouco mais extravagante. Como conseqüência os teatros eram vistos como local para proliferação da peste negra. A cada surto de epidemia, os lugares públicos eram fechados, entre eles os teatros. Os puritanos, que sempre foram contra as apresentações teatrais, diziam que a causa da peste era o pecado e que o teatro era o local do pecado e, portanto, seria o principal disseminador da peste negra. Como conseqüência muitas companhias faliram, outras simplesmente fecharam as portas e as mais persistentes deixaram Londres em direção às províncias.
As dificuldades acabaram criando novas oportunidades para escritores. Para fazer caixa (dinheiro) as companhias vendiam parte dos seus repertórios aos livreiros impressores que, naquele momento, tinham mercado garantido com um crescente público leitor. Dessa forma, obras antes mantidas em livretos e na memória dos atores, passaram a ser impressas e vendidas ao público leitor. Até então os autores vendiam suas obras às companhias que com isso eram também donas dos direitos autorais. Agora, obrigados a rápidas renovações de repertório, os donos das companhias limitavam-se a por em cena novas versões de velhos textos, muitas vezes escritos por eles mesmos ou por atores que tinham talento para escrever. Era chegada a grande chance de Shakespeare. Ele, que não teve oportunidade de estudar, mas que tinha grande talento para escrever, passou a ser requisitado continuamente e torna-se muito importante para Burbage. Não só como ator, mas como fundidor de antigos textos, tem seu tempo todo tomado. A nova atividade dava-lhe finalmente a grande oportunidade de conhecer os meandros da literatura. Este trabalho torna-se uma paixão que se sobrepõe a todos os outros interesses. Não se limita apenas a reescrever, mas, para glória do universo literário, passa a criar novas obras, algumas das quais estão no topo da literatura mundial.
A Inglaterra vive um momento de efervecência cultural, onde poetas e draumaturgos tornam-se conhecidos e disputam a fama.
Em 1591, Shakespeare cria seu drana histórico Henrique V. Entre 1592 e 1594, Ricardo II, o poemeto Vênus e Adônis, A Megera Domada, Tito Andrônico, A Comédia de Eros e o poemeto A Violação de Lucrécia. Marca-se então o início de uma nobre produção literária, onde surgirão verdadeiras obras-primas da literatura dramática.
Terminada a fase aguda da peste, que dizimou dez por cento da população de Londres, os teatros são reabertos e as companhias reestruturadas. A companhia de Burbage, então sob a proteção de Henry Carey - Lorde Chambelan - primo da rainha, volta a atuar no Theatre. Com esse apoio importante, a posição dos atores melhorou junto à Corte e passaram a atuar para a própria rainha Elizabeth. A peça "Penas de Amor Perdido", em que Shakespeare narra um elegante jogo amoroso entre o rei de Navarra e a filha do rei de França, é a favorita da rainha.
Com o acesso à Corte, Shakespeare tem a oportunidade de conhecer o mundo da política e da realeza, com suas intrigas e traições, pelo qual sempre sentira grande interesse. A partir dessa experiência passa a descrever os problemas surgidos do poder. Estuda as relações que ligam a realeza com seu povo e sua própria consciência. Dessas observações nasce a intensa dramaticidade de muitos dos seus personagens. É um momento mágico em sua vida. Seu grande prestígio na Corte lhe garante ganho de muito dinheiro. Uma vez por ano vai visitar a família em Stratford-on-Avon, onde sua esposa pacientemente o espera. Na verdade só ficou mais tempo por lá quando a peste estava no auge em Londres.
No final do século XVI, na Irlanda, deu-se uma grande rebelião contra a Coroa. Para esmagá-la foi enviado, na condição de vice-rei, o Conde Essex, favorito da rainha e grande amigo de Shakespeare que o ajudou conseguir o título de nobre com o brasão nobiliário, tão sonhado pelo seu pai. Para celebrar sua partida, Shakespeare escreve Henrique V, ressoante poema de glória nacional, homenageando por antecipação a glória do Conde Essex como um jovem rei vencedor de todas as batalhas: "Quando o general de nossa grandiosa imperatriz retornar da Irlanda, trazendo a rebelião enfiada na ponta de sua espada..." Mas esse dia não chegaria nunca. Robert Devereaux, Conde de Essex, fracassou vindo a morrer em 1601.
Após a morte do amigo, abre-se para Shakespeare o que ficou conhecido como "período triste". O tom jocoso de suas peças cede lugar a uma visão pessimista da vida. Passou a ver o mundo como uma máquina sinistra que esmaga brutalmente o homem em suas engrenagens. A partir de então deixa de lado as comédias - como As Alegres Comadres de Windsor-, e passa a criar dramas mais sóbrios como: Hamlet, Trio e Créssida, Otelo, O Rei Lear, Timão de Atenas, MacBeth. Foi em Macbeth com a frase: "A vida não é mais do que uma sombra que caminha, um pobre comediante que se pavoneia e se agita sobre a cena do mundo (...), uma fábula contada por um idiota, cheia de rumor e de furor, e que nada significa" Foi nessa fase que Shakespeare aprofundou a psicologia de seus personagens. Através deles, manifesta compaixão pelo homem comum, porque considera que ele deve fazer tremendos esforços para salvar-se da destruição, e julga que os germes do aniquilamento estão presentes em cada pessoa, prontos a aparecerem assim que as circunstâncias o permitam.
Os últimos anos do século XVI foram especialmente férteis. Entre 1595 e 1596, Shakespeare escreve Ricardo II, e duas peças cheias de lirismo: Sonho de Uma Noite de Verão e Romeo e Julieta. Entre 1598 e 1601 escreve Vida e Morte do Rei João, O Mercador de Veneza, Henrique V, Júlio César, Como Quereis, Muito Barulho por Nada e A Noite de Reis.
Para apresentar sua visão do drama da condição humana, leva todos os seus personagens rumo a uma inevitável catástrofe. Isso fica bem evidente em Hamlet. "Ser ou não ser, eis a questão: erá mais digno suportar a violência e o destino adverso, ou pegar em armas contra todas as dificuldades, contestá-las e destruí-las?"
"Morrer, dormir, nada mais. Dizer que num sono damos fim à angústia e aos milhares de conflitos com que nascemos! É uma soberana solução, muito de se querer. Morrer, dormir... Dormir? E talvez sonhar... Ah, aí é que está! Que sonhos poderão vir no sono da morte, quando tivermos terminado o tumulto desta vida? Isso é que nos faz refletir. E é essa reflexão que prolonga esta calamidade." "pois quem sofreria os açoites e os escárnios da época, a má-fé do opressor, a afronta dos orgulhosos, a tortura do amor desprezado, as dilações da justiça, a insolência oficial, os coices dos inúteis na paciência dos valorosos - quando poderia por si mesmo alcançar a paz, com um simples estilete? Quem suportaria todo este mal, suando e gemendo nesta vida fatigante, se não fosse o pavor de alguma coisa depois da morte, esse país desconhecido de onde viajante algum retorna? É isso que embaralha a nossa vontade e nos faz preferir os males que temos ao nos lançar ao que desconhecemos." "E, assim, a reflexão nos transforma em covardes; e, assim, a cor saudável da decisão empalidece sob a capa da prudência; e, assim, projetos importantes e oportunos mudam seu rumo, e de ação nem o nome podem ter".
Em 1603, com a morte de Elizabet I, depois de 45 anos de reinado, sobe ao poder Jaime VI da escócia, filho de Maria Stuart, assumindo com o nome de Jaime I. O novo soberano tem saúde instável e caráter tímido e pedante. Mas, tanto quanto sua sucessora, ama festas com espetáculos teatrais. Já no décimo quinto dia de governo nomeia a companhia de Burbage e shakespeare, agora sócios, como "king's Men" (homens do Rei). Eles passam a ser mimados por toda a côrte e as festas se sucedem em grande esplendor. Neste ambiente palaciano, Shakespeare prossegue sua carreira com grande êxito e ótima situação financeira. Transforma-se então na figura glamurosa do contry-gentleman, o fidalgo do campo, onde vive confortavelmente com suas inumeras rendas. Em Stratford-on-Avon, possui uma belíssima e grandiosa casa, além de outras propriedades recentemente adquiridas. Co-proprietário do Teatro Globo, decide participar com outros sócios na construção do teatro Blackfriars, uma nova casa destinada a um público mais restrito e sofisticado.
Em 1610, Willian Shakespeare se desliga definitivamente da direção de empresas teatrais, retirando-se para sua residência em Stratford. Com 46 anos de idade, dos quais cerca de 30 dedicados ao trabalho, sente-se cansado e só vai esporadicamente a Londres a negócios.
levando uma vida tranqüila e confortável em Stratford, volta com todo o empenho a produzir novas obras. Ente elas: Cimbelino, Conto de Inverno e A Tempestade (uma refundição de Henrique VIII). Esta última se encenaria no Teatro Globo, contendo uma exaltação póstuma a Elizabeth I. "Em seu reino, cada homem comerá tranqüilo à sombra das vinhas que ele próprio plantou, e entoará cantos de paz a seus vizinhos".
Seus dias transcorrem serenos e felizes, mas em 1613 chega a notícia de que, durante uma apresentação de Henrique VIII, o Teatro Globo incendiou-se e fora todo destruído.
Mais tarde, o Teatro seria reconstruído com a participação de Shakespeare, mas ele vivia distante e nunca chegou a conhecer a nova casa de espetáculos.
Em 1616, Willian Shakespeare, já doente e recolhido ao leito, recebe a visita de dois grandes amigos de Londres, Bem Jonson e Michael Drayton. Comemoraram o encontro, relembrando os velhos tempos, com muito vinho e farta alimentação. A partir desse dia sua saúde piorou consideravelmente sendo acometido por estranha febre que não cedia.
Pressentindo seu fim pelo agravamento da doença, fizera seu testamento nomeando como herdeiros universais sua filha Susan e o jovem com quem ela se casara no início de 1616. À Judith, filha remanescente, deixou um legado. Aos pobres da paróquia, 10 libras; aos colegas Bubage, Heming e Condell, 1 libra e meia a cada um; aos parentes, amigos e vizinhos, seus diversos objetos pessoais. Qundo já havia encerrado o testamento, lembrou-se da esposa Anne; e, entre duas linhas, inseriu uma frase para "deixar-lhe meu segundo e melhor leito e os moveis".
Certa vez Shakespeare colocou nos lábios de um personagm moribundo a frase: "Neste mesmo dia em que eu exalei meu primeiro alento, agora a roda do tempo me leva. Onde comecei termino".
No dia de seu aniversário em 23 de abril de 1616 morre Willian Shakespeare. Foi sepultado na Igreja da Santíssima Trindade de Stratford-on-Avon no dia 26 daquele mês. Na lápide não consta seu nome, figurando apenas a frase: "Bom amigo, por amor de Cristo abstem-te de remover o pó aqui encerrado. Bedito seja o que respeitar estas pedras, maldito aquele que perturbar estes ossos."
No século XIX surgiu uma polêmica de que Shakespeare seria apenas um pseudônimo sob o qual se escondia o grande filósofo Francis Bacon, contemporâneo do dramaturgo.
Os baconianos sustentam que Shakepeare não poderia ter escrito uma obra tão grandiosa, pois era inculto e um simples enpregado de açougues. Havia crescido num meio ignorante e totalmente fora do cabedal cultural que entra na criação de suas histórias. Entretanto, Shakespeare não era totalmente inculto. Trata-se de um autêntico autodidata que, por si mesmo, desenvolveu conhecimento no dia a dia do teatro e da vida na Corte que conheceu profundamente.
Na verdade existem muitos casos na literatura em que homens de pouco cultivo produziram obras geniais. Temos um exemplo bem marcante que é o Miguel de Cervantes com "Don Quixote de La mancha". Era um homem rude e mediocre que nunca freqüentou colégios. Aos 58 anos desabrochou e criou uma das dez mais importantes obras da literatura mundial.
Para criar, a inspiração é muito mais importante do que a educação. Além disso, as obras de Shakespeare contém muitos enganos que Bacon nunca teria cometido.
Shakespeare, cuja inspiração era maior que seus conhecimentos, era um poeta e Francis Bacon um erudito que jamais poderia alcançar as culminancias poéticas de Shakepeare. Um homem cujo pensamento era tudo precisão e nunca se elevaria nas loucas asas da fantasia.
Nicéas Romeo Zanchett
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No dia 23 de abril de 1564, Mary Arden, espôsa de John Shakespeare, em sua casa na Rua Hanley, deu à luz a um menino. Três dias depois foi batizado pelo pároco local com o nome de Willian Shakespeare. Se pai, Luveiro por profissão e participante do Conselho dos Comuns - uma espécie de vereador - era um dos homens mais importantes da cidade. Durante toda a vida teve o sonho de ganhar o brasão nobiliário, que mais tarde viria a ser conseguido pelo ilustre filho. Tratava-se de um escudo com "um falcão que brande uma lança" (quebra-lanças) com uma legenda em Francês onde se lia: "Non sans droit" (não sem direito). Na Inglaterra elizabetana a concessão de títulos da nobreza a burgueses era fato comum. A aristocracia de sangue que cedia lugar à aristocracia do dinheiro.
Seu pai, john Shakespeare, gozava de excelente situação financeira e aos sete anos de idade Willian foi à escola onde aprendeu latim, grego e inglês vulgar. Era um tempo de grandes conflitos religiosos e Willian teve a oportunidade de ler as diversas versões da Bíblia, as novelas italianas e poemas franceses que já cirulavam traduzidos por toda a inglaterra. Interessava-se também pelas crônicas que narravam a história do seu país.
Aconteceu uma crise financeira familiar e aos dezoito anos teve de abandonar a escola para trabalhar e ajudar a família no sustento. O pai endividado, teve de vender uma propriedade da família e acabou sendo definitivamente afastado do cargo que ocupava como supremo magistrado local, com funções policiais e judiciárias.
Entre muitos ofícios, aprendeu a lidar com o esquartejamento de bois e abatimento de carneiros para os açougues locais. Mudando constantemente de profissão, chega à maioridade sem muitas perspectivas.
Seguindo o exemplo do pai, decide-se casar com uma mulher rica que poderia ser a solução para seus apertos financeiros. Em novembro de 1582, na Igreja da Santíssima Trindade de Stratford-on-Avon, o pároco local celebra sua união matrimonial com Anne Hathaway, filha de um rico agricultor, oito anos mais velha. Após o casamento, seguindo a tradição, vão morar na casa dos pais de Willian. Anne já estava grávida e seis meses depois nasce a primeira filha que recebeu o nome de Susan. Em janeiro de 1585 nasce o casal de gêmeos, Judith e Hamnet.
Chega aos vinte anos, com mulher e três filhos e, embora tenha experimentado os mais diversos ofícios, sem uma profissão definida.
Willian ouve maravilhosas histórias, contadas por viajantes, sobre Londres. Sonha deixar a terra natal e ir à busca de novos horizontes na capital, onde poderia vislumbrar fama e fortuna. A viagem seria longa e perigosa. Duraria três dias e corria-se o perigo de ser atacado por salteadores nas florestas fechadas. Os criminosos eram cruéis que saltavam sobre os viajantes para cortar-lhes a garganta e levar jóias e dinheiro. Mas nada intimidava o confiante jovem Shakespeare. Depois de muito refletir, abandonou mulher e filhos e partiu cheio de esperanças e sonhos.
Em Londres, perambulou pela cidade até acabar com todo o dinheiro que havia trazido. Precisando de um emprego para sustentar-se, aceitou ganhar a vida tomando conta de cavalos dos ricos londrinos que freqüentavam o Theatre de James Burbage. Dessa forma ganharia algum dinheiro e estaria perto do ambiente teatral. De certa maneira, acabou por conseguir seu sonhado lugar nesse mundo de fantasia que tanto o fascinava.
Burbage era uma figura de grande prestígio no ambiente teatral e literário de Londres. Ator principal, diretor e proprietário de uma das maiores companhias londrinas que em 1576 levantaria o primeiro teatro - o Theatre - construido na inglaterra especialmente para esse fim.
No final do século XVI, a capital inglesa já tinha quatro ou cinco casas de espetáculos, todas construidas a partir do Theatre de Burbage que fora inspirado nas estalagens onde, até então, era o local de apresentação das peças teatrais.
As estalagens eram retangulares e tinham um pátio no centro para o qual davam os corredores abertos dos andares superiores que serviam como galerias para os espectadores. Uma parte do pátio servia como palco e o restate era ocupado por espectadores que ficavam em pé. Mesmo durante as apresentações, não deixavam de cumprir suas funções; criados e hospedes atravessavam livremente o pátio, às vezes parando para olhar e até interagir trocando improvisadas frases com os atores. Foi essa estrutura que inspirou Burbage para construir seu primeiro teatro que, no entanto, teve uma forma arredondada, semelhante a uma praça.
Nese ambiente Shakespeare passava seus dias assistindo a todas as peças e aprendendo tudo sobre o teatro. Depois de muito insistir com Burbage conseguiu uma oportunidade para atuar como ator. Saiu-se bem e acabou sendo contratado pelo diretor do Theatre de quem, com o tempo, passou a ser grande amigo e colaborador.
Depois da ascensão de Elizabeth ao trono, o teatro começou a crescer e tornar-se cada vez mais popular; a maioria das companhias teatrais passaram a ter estabilidade financeira. Pelas ordens reais elas podriam fazer turnês pelo interior da Inglaterra, mas deveriam ter a proteção de algum nobre. A partir de então os atores se converteram em "homens do Conde de Pembroke", cômicos do Conde de Leiscester" e assim por diante. James Burbage, que já empregava Shakespeare, estava sob a proteção de Pembroke. Foi nesse momento favorável que Willian, estando em Londres, aproveitou a oportunidade e mostrou seu talento.
A Inglaterra havia derrotado a poderosa esquadra espanhola em 1588 e, naquele momento, dominava os mares e caminhava a passos largos para o prosperidade. Surgiram então as grandes companhias comerciais que, com apoio da Coroa, possibilitavam a criação de um grande império para a Inglaterra. Os veleiros britânicos cruzavam os mares transportando mercadorias da América e da África. Nessas viagens traziam também ratos e pulgas contaminados pela peste negra. Essa epidemia acabou por prejudicar enormemente o teatro inglês.
Durante o período da peste que, na idade média, assolou a Europa, o teatro sofrera perseguição. As companhias eram compostas de gente malvista. As apresentações eram feitas de forma improvisada nas praças, em pátios de estalagens ou, algumas vezes, nos salões de algum nobre um pouco mais extravagante. Como conseqüência os teatros eram vistos como local para proliferação da peste negra. A cada surto de epidemia, os lugares públicos eram fechados, entre eles os teatros. Os puritanos, que sempre foram contra as apresentações teatrais, diziam que a causa da peste era o pecado e que o teatro era o local do pecado e, portanto, seria o principal disseminador da peste negra. Como conseqüência muitas companhias faliram, outras simplesmente fecharam as portas e as mais persistentes deixaram Londres em direção às províncias.
As dificuldades acabaram criando novas oportunidades para escritores. Para fazer caixa (dinheiro) as companhias vendiam parte dos seus repertórios aos livreiros impressores que, naquele momento, tinham mercado garantido com um crescente público leitor. Dessa forma, obras antes mantidas em livretos e na memória dos atores, passaram a ser impressas e vendidas ao público leitor. Até então os autores vendiam suas obras às companhias que com isso eram também donas dos direitos autorais. Agora, obrigados a rápidas renovações de repertório, os donos das companhias limitavam-se a por em cena novas versões de velhos textos, muitas vezes escritos por eles mesmos ou por atores que tinham talento para escrever. Era chegada a grande chance de Shakespeare. Ele, que não teve oportunidade de estudar, mas que tinha grande talento para escrever, passou a ser requisitado continuamente e torna-se muito importante para Burbage. Não só como ator, mas como fundidor de antigos textos, tem seu tempo todo tomado. A nova atividade dava-lhe finalmente a grande oportunidade de conhecer os meandros da literatura. Este trabalho torna-se uma paixão que se sobrepõe a todos os outros interesses. Não se limita apenas a reescrever, mas, para glória do universo literário, passa a criar novas obras, algumas das quais estão no topo da literatura mundial.
A Inglaterra vive um momento de efervecência cultural, onde poetas e draumaturgos tornam-se conhecidos e disputam a fama.
Em 1591, Shakespeare cria seu drana histórico Henrique V. Entre 1592 e 1594, Ricardo II, o poemeto Vênus e Adônis, A Megera Domada, Tito Andrônico, A Comédia de Eros e o poemeto A Violação de Lucrécia. Marca-se então o início de uma nobre produção literária, onde surgirão verdadeiras obras-primas da literatura dramática.
Terminada a fase aguda da peste, que dizimou dez por cento da população de Londres, os teatros são reabertos e as companhias reestruturadas. A companhia de Burbage, então sob a proteção de Henry Carey - Lorde Chambelan - primo da rainha, volta a atuar no Theatre. Com esse apoio importante, a posição dos atores melhorou junto à Corte e passaram a atuar para a própria rainha Elizabeth. A peça "Penas de Amor Perdido", em que Shakespeare narra um elegante jogo amoroso entre o rei de Navarra e a filha do rei de França, é a favorita da rainha.
Com o acesso à Corte, Shakespeare tem a oportunidade de conhecer o mundo da política e da realeza, com suas intrigas e traições, pelo qual sempre sentira grande interesse. A partir dessa experiência passa a descrever os problemas surgidos do poder. Estuda as relações que ligam a realeza com seu povo e sua própria consciência. Dessas observações nasce a intensa dramaticidade de muitos dos seus personagens. É um momento mágico em sua vida. Seu grande prestígio na Corte lhe garante ganho de muito dinheiro. Uma vez por ano vai visitar a família em Stratford-on-Avon, onde sua esposa pacientemente o espera. Na verdade só ficou mais tempo por lá quando a peste estava no auge em Londres.
No final do século XVI, na Irlanda, deu-se uma grande rebelião contra a Coroa. Para esmagá-la foi enviado, na condição de vice-rei, o Conde Essex, favorito da rainha e grande amigo de Shakespeare que o ajudou conseguir o título de nobre com o brasão nobiliário, tão sonhado pelo seu pai. Para celebrar sua partida, Shakespeare escreve Henrique V, ressoante poema de glória nacional, homenageando por antecipação a glória do Conde Essex como um jovem rei vencedor de todas as batalhas: "Quando o general de nossa grandiosa imperatriz retornar da Irlanda, trazendo a rebelião enfiada na ponta de sua espada..." Mas esse dia não chegaria nunca. Robert Devereaux, Conde de Essex, fracassou vindo a morrer em 1601.
Após a morte do amigo, abre-se para Shakespeare o que ficou conhecido como "período triste". O tom jocoso de suas peças cede lugar a uma visão pessimista da vida. Passou a ver o mundo como uma máquina sinistra que esmaga brutalmente o homem em suas engrenagens. A partir de então deixa de lado as comédias - como As Alegres Comadres de Windsor-, e passa a criar dramas mais sóbrios como: Hamlet, Trio e Créssida, Otelo, O Rei Lear, Timão de Atenas, MacBeth. Foi em Macbeth com a frase: "A vida não é mais do que uma sombra que caminha, um pobre comediante que se pavoneia e se agita sobre a cena do mundo (...), uma fábula contada por um idiota, cheia de rumor e de furor, e que nada significa" Foi nessa fase que Shakespeare aprofundou a psicologia de seus personagens. Através deles, manifesta compaixão pelo homem comum, porque considera que ele deve fazer tremendos esforços para salvar-se da destruição, e julga que os germes do aniquilamento estão presentes em cada pessoa, prontos a aparecerem assim que as circunstâncias o permitam.
Os últimos anos do século XVI foram especialmente férteis. Entre 1595 e 1596, Shakespeare escreve Ricardo II, e duas peças cheias de lirismo: Sonho de Uma Noite de Verão e Romeo e Julieta. Entre 1598 e 1601 escreve Vida e Morte do Rei João, O Mercador de Veneza, Henrique V, Júlio César, Como Quereis, Muito Barulho por Nada e A Noite de Reis.
Para apresentar sua visão do drama da condição humana, leva todos os seus personagens rumo a uma inevitável catástrofe. Isso fica bem evidente em Hamlet. "Ser ou não ser, eis a questão: erá mais digno suportar a violência e o destino adverso, ou pegar em armas contra todas as dificuldades, contestá-las e destruí-las?"
"Morrer, dormir, nada mais. Dizer que num sono damos fim à angústia e aos milhares de conflitos com que nascemos! É uma soberana solução, muito de se querer. Morrer, dormir... Dormir? E talvez sonhar... Ah, aí é que está! Que sonhos poderão vir no sono da morte, quando tivermos terminado o tumulto desta vida? Isso é que nos faz refletir. E é essa reflexão que prolonga esta calamidade." "pois quem sofreria os açoites e os escárnios da época, a má-fé do opressor, a afronta dos orgulhosos, a tortura do amor desprezado, as dilações da justiça, a insolência oficial, os coices dos inúteis na paciência dos valorosos - quando poderia por si mesmo alcançar a paz, com um simples estilete? Quem suportaria todo este mal, suando e gemendo nesta vida fatigante, se não fosse o pavor de alguma coisa depois da morte, esse país desconhecido de onde viajante algum retorna? É isso que embaralha a nossa vontade e nos faz preferir os males que temos ao nos lançar ao que desconhecemos." "E, assim, a reflexão nos transforma em covardes; e, assim, a cor saudável da decisão empalidece sob a capa da prudência; e, assim, projetos importantes e oportunos mudam seu rumo, e de ação nem o nome podem ter".
Em 1603, com a morte de Elizabet I, depois de 45 anos de reinado, sobe ao poder Jaime VI da escócia, filho de Maria Stuart, assumindo com o nome de Jaime I. O novo soberano tem saúde instável e caráter tímido e pedante. Mas, tanto quanto sua sucessora, ama festas com espetáculos teatrais. Já no décimo quinto dia de governo nomeia a companhia de Burbage e shakespeare, agora sócios, como "king's Men" (homens do Rei). Eles passam a ser mimados por toda a côrte e as festas se sucedem em grande esplendor. Neste ambiente palaciano, Shakespeare prossegue sua carreira com grande êxito e ótima situação financeira. Transforma-se então na figura glamurosa do contry-gentleman, o fidalgo do campo, onde vive confortavelmente com suas inumeras rendas. Em Stratford-on-Avon, possui uma belíssima e grandiosa casa, além de outras propriedades recentemente adquiridas. Co-proprietário do Teatro Globo, decide participar com outros sócios na construção do teatro Blackfriars, uma nova casa destinada a um público mais restrito e sofisticado.
Em 1610, Willian Shakespeare se desliga definitivamente da direção de empresas teatrais, retirando-se para sua residência em Stratford. Com 46 anos de idade, dos quais cerca de 30 dedicados ao trabalho, sente-se cansado e só vai esporadicamente a Londres a negócios.
levando uma vida tranqüila e confortável em Stratford, volta com todo o empenho a produzir novas obras. Ente elas: Cimbelino, Conto de Inverno e A Tempestade (uma refundição de Henrique VIII). Esta última se encenaria no Teatro Globo, contendo uma exaltação póstuma a Elizabeth I. "Em seu reino, cada homem comerá tranqüilo à sombra das vinhas que ele próprio plantou, e entoará cantos de paz a seus vizinhos".
Seus dias transcorrem serenos e felizes, mas em 1613 chega a notícia de que, durante uma apresentação de Henrique VIII, o Teatro Globo incendiou-se e fora todo destruído.
Mais tarde, o Teatro seria reconstruído com a participação de Shakespeare, mas ele vivia distante e nunca chegou a conhecer a nova casa de espetáculos.
Em 1616, Willian Shakespeare, já doente e recolhido ao leito, recebe a visita de dois grandes amigos de Londres, Bem Jonson e Michael Drayton. Comemoraram o encontro, relembrando os velhos tempos, com muito vinho e farta alimentação. A partir desse dia sua saúde piorou consideravelmente sendo acometido por estranha febre que não cedia.
Pressentindo seu fim pelo agravamento da doença, fizera seu testamento nomeando como herdeiros universais sua filha Susan e o jovem com quem ela se casara no início de 1616. À Judith, filha remanescente, deixou um legado. Aos pobres da paróquia, 10 libras; aos colegas Bubage, Heming e Condell, 1 libra e meia a cada um; aos parentes, amigos e vizinhos, seus diversos objetos pessoais. Qundo já havia encerrado o testamento, lembrou-se da esposa Anne; e, entre duas linhas, inseriu uma frase para "deixar-lhe meu segundo e melhor leito e os moveis".
Certa vez Shakespeare colocou nos lábios de um personagm moribundo a frase: "Neste mesmo dia em que eu exalei meu primeiro alento, agora a roda do tempo me leva. Onde comecei termino".
No dia de seu aniversário em 23 de abril de 1616 morre Willian Shakespeare. Foi sepultado na Igreja da Santíssima Trindade de Stratford-on-Avon no dia 26 daquele mês. Na lápide não consta seu nome, figurando apenas a frase: "Bom amigo, por amor de Cristo abstem-te de remover o pó aqui encerrado. Bedito seja o que respeitar estas pedras, maldito aquele que perturbar estes ossos."
No século XIX surgiu uma polêmica de que Shakespeare seria apenas um pseudônimo sob o qual se escondia o grande filósofo Francis Bacon, contemporâneo do dramaturgo.
Os baconianos sustentam que Shakepeare não poderia ter escrito uma obra tão grandiosa, pois era inculto e um simples enpregado de açougues. Havia crescido num meio ignorante e totalmente fora do cabedal cultural que entra na criação de suas histórias. Entretanto, Shakespeare não era totalmente inculto. Trata-se de um autêntico autodidata que, por si mesmo, desenvolveu conhecimento no dia a dia do teatro e da vida na Corte que conheceu profundamente.
Na verdade existem muitos casos na literatura em que homens de pouco cultivo produziram obras geniais. Temos um exemplo bem marcante que é o Miguel de Cervantes com "Don Quixote de La mancha". Era um homem rude e mediocre que nunca freqüentou colégios. Aos 58 anos desabrochou e criou uma das dez mais importantes obras da literatura mundial.
Para criar, a inspiração é muito mais importante do que a educação. Além disso, as obras de Shakespeare contém muitos enganos que Bacon nunca teria cometido.
Shakespeare, cuja inspiração era maior que seus conhecimentos, era um poeta e Francis Bacon um erudito que jamais poderia alcançar as culminancias poéticas de Shakepeare. Um homem cujo pensamento era tudo precisão e nunca se elevaria nas loucas asas da fantasia.
Nicéas Romeo Zanchett
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com/
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A PAIXÃO DE CRISTO
A PAIXÃO DE CRISTO
Ao longo dos séculos, movidos por sentimentos religiosos e até de culpa, o homem tem reconstituido o suplício, a morte e a ressurreição de Cristo através de pinturas, esculturas, teatro e, mais recentemente, pelo cinema e televisão.
Todas as reconstituições da Paixão de Cristo baseiam-se nos evangelhos.
Este mistério do drama de Cristo sempre exerceu extraordinário fascínio sobre a humanidade. Provas históricas e científicas têm sido procuradas pára dar fundamento aos escritos dos evangélhos, mas, ainda hoje, a igreja não conseguiu comprovar documentalmente os fatos narrados nas escrituras. A própria biblioteca do Vaticano guarda documentos de autores que teriam sido comtemporâneos de Jesus, mas nenhum faz referência aos fatos narrados. Em 1955, o Papa Pio XII, falando sobre Jesus Cristo para um Congresso Internacional de História em Roma, disse: "Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé e não à história".
A história de como realmente ocorreu a morte de Jesus, sofreu modificações no correr dos séculos. Passados mais de dois mil anos, muitos pontos obscuros continuam sendo objeto de discussão entre os estudiosos.
A crucificação era um suplício romano, de origem persa, que foi criado para que o condenado não maculasse a terra com seu sangue impuro, ao ser executado. Este enorme suplício costumava ser aplicado a escravos que fugiam ou se revoltavam contra seus donos e também a ladrões. Pela história contada nos evangelhos, nenhum desses seria o motivo pelo qual Jesus foi crucificado. Então, uma das perguntas que se faz é: por que Cristo foi condenado a morrer na cruz?
A narrativa de todas as etapas da crucificação é um dos episódios em que os quatro evangelhos coincidem, apenas com algumas divergências de menor importância.
As tres principais etapas da paixão são: Cristo carregando a cruz, os preparativos do suplício e a crucificação no Calvário.
A crucificação aparece em duas versões nos Evangélhos. Segundo Mateus, Marcos e Lucas, um homem chamado Simão, o Cireneu, foi intimado pelos soldados a ajudar Cristo carregar a cruz. Mas, segundo o Evangelho de São João, Cristo carregou a cruz sozinho até o local da crucificação.
A personagem da mulher enxugando o rosto suado e sangrento de Cristo, com seu véu, só apareceu na história no final do século XV. O nome Verônica foi dado àquela mulher porque, segundo a história, é o rosto de Cristo que ficou gravado no véu e quer dizer Verdadeira Imagem (vero icona).
O caminho da Paixão surgiu no fim da Idade Média, e é um dos fatos mais significantes da iconografia. É quando surge uma nova devoção instituida de propagada pelos padres franciscanos que, segundo consta, haviam recebido a guarda e custódia dos lugares santos. Foram denominados "Os Passos de Cristo, com suas 14 estações.
Os caminhos de Cristo, a dolorosa escenção ao calvário, foram reconstituidos pela igmaginação criativa de alguns místicos, como São Boaventura e Santa Brigida da Suécia, como se tivessem sido testemunhos oculares daquelas cenas.
Os preparativos da crucificação falam de Cristo sentado sobre um rochedo, despojado de suas roupas, coroado de espinhos, mãos atadas por cordas, enquanto espera a caminhada para a execução.
Havia um tradicional costume judeu onde oferecia-se um vinho fortemente aromático aos condenados à morte. O objetivo era aturdí-los ou anestesiá-los. Segundo São Mateus, os solddos lhe deram uma mistura de vinho com fel para beber. Já São Marcos fala em mirra. No entanto, Cristo recusou a bebida, talvez porque desejasse chegar à morte em plena consciência.
A crucificação começa com Cristo sendo levado à cruz, colocado em cima da madeira e nela pregado, para só então ser levantado. Entretanto, existem outras versões, como a de alguns místicos medievais, segundo a qual a parte vertical da cruz já se achava erguida e Cristo é cravado primeiro nos braços transversais do patíbulo e só depois é erguido e pregado nos pés.
Os Evangelhos nada dizem, com precisão, sobre a forma da cruz. Ao que tudo indica, nas primeiras representações do Calvário, Cristo achava-se suspenso numa espécie de poste.
Nos primeiros séculos do cristianismo a crucificação só era invocada indiretamente e através de símblos. A igreja apenas esboçava alguns traços da crucificação, embora sempre tenha sido um tema essencial. É somente no século VI que, através da iconografia, Cristo aparece na cruz sob forma humana. Então o suplício perde seu caráter infame, só aplicável a esravos e ladrões. O mais antigo documento desta iconografia é um baixo-relevo em marfim, de origem siríaca, do ano 586, que se encontra no British Museum de Lodres.
Nas primeiras imagens da crucificação, Cristo é apresentado em duas posições: Na primeira Ele é um jóvem imberbe e está envolto numa túnica. Aparece com os braços levantados, em atitude de oração e seus pés pousavam no chão e não tinham cravos. Na segunda, que foi aprovada pelo Concílio de Trento, sua posição aparece como as atuais representações.
Nas crucificações gregas e orientais, Cristo é representado vivo na cruz, em atitude triunfante, tendo na cabeça uma coroa real.
Os cravos dos pés e das mãos de Cristo são mensionados no Evangelho de São João. Até o século XII a iconografia indicava um cravo em cada mão e um em cada pé. A partir de então aparecem, com mais freqüência, apenas tres cravos, um em cada mão e o terceiro atravessando os pés cruzados. Também na arte brasileira, até o século XVII, os pés estão separados e a partir de então passam a ser cruzados.
A tradição evangélica falava em braços estendidos e pregados num lenho, correspondendo à cruz do suplício dos escravos, composta de dois elementos fixados num ângulo reto. Para esta finalidade, o nome grego de "stauros" e o latino "crux" se adaptavam melhor à tradição. Então foi imediatamente adotado pela igreja, uma vez que oferecia aos fieis a imagem simbólica de quem está orando. Mais tarde, nas catacumbas, converteu-se no símbolo da prece.
Além de Jesus, os principais protagonistas da crucificação foram os dois ladrões, o porta-lança, o porta-esponja, os soldados, a Vigem Maria e São João. Desde o início a iconografia cristã procurou diferenciar o bom do mau ladrão, denominados respectivmente de Dimas e Gestas. O bom ladrão sempre foi colocado à direita de Cristo e o mau à esquerda. O bom ladrão sempre foi pintado como jovem bondoso, imberbe e belo, que correspondia ao ideal da beleza grega. Já o mau ladrão é um homem feio, barbudo e sempre aparece com a cabeça baixa, mostrando-se envergonhado. Em algumas representações artísticas medievais, um anjo aparece acolhendo a alma de Dimas, a quem Jeus prometera o paraíso, - Lucas, 23, 43 -. Já o mau ladrão aparece sendo levado pelo demônio para o inferno. O soldado porta-lança, que golpeou o flanco de Cristo, foi adotado pela igreja como santo, por ter reconhecido sua divindade ao curar a cegueira com o sangue do crucificado. A lança, (do grego "longke", lança) converteu-se numa das mais importantes relíquias do Vaticano.
Na idade média, o porta-esponjoa também passou a ser alvo de interesse da igreja. O soldado, a quem se deu o nome de Stephaton, aparece como um bom feitor que ofereceu fel ao Cristo agonizante. Nas lendas bizantinas ele aparece convertido e sendo batizado e então passa a ser o símbolo dos gentios convertidos.
Em todas as representações da crucificação, anteriores ao século XII, a Virgem Maria e São João, que eram a mãe e o discípulo preferido, aparecem cada um ao lado da cruz. Somente a partir do século XIV é que se introduziu o costume de agrupá-los de um só lado. A partir dessa época a Virgem, às vezes até desmaiada, aparece amparada por São João. Na Idade Média este motivo dramático foi cada vez mais empregado na medida em que crescia o culto a Maria. Mais tarde , sob a influência dos jesuitas, surge a devoção das Sete Dores, com sete espadas que simbolicamente aatravessam o coração de Maria. O final do martírio acontece quando jesus prova o fel, dado pelo centurião porta-esponja, e diz "Está tudo consumado", e morre.
Na seqüência, a história conta sobre vários fenômenos climáticos que são narrados pelas evangelistas. Às tres e meia da tarde, quando Cristo morre, o sol desparece, o solo treme, a Terra se cobre de trevas e surge a Lua. O véu que existia no templo de Salomão rasga-se de alto a baixo, significando o rompimento da igreja com a Sinagoga.
A real existência de todos os fatos em relação a Cristo sempre foi posta em dúvida pelos pesquisadores. Sem entrar nessa polêmica, mas apenas como contribuição cultural, cabe-me informar alguns fatos históricos da época de Cristo para que você medite a respeito.
Segundo Tácito - historiador romano que viveu de 55 d.C. a 120 d.C. - os judeus e egípcios foram expulsos de Roma por formarem uma mística superstição cristã. Essas expulsões ocorreram duas vezes no tempo do imperador Augusto e a terceira vez no governo de Tibério, no ano 19 d.C. Nesta data Cristo ainda estaria vivo e pregando. Naquela época o nome cristão aplicava-se apenas para denominar a superstição judaico-egípcia e não se falava o nome de Cristo.
Segundo historiadores que, estudando Filon da Alexandria - filósofo judeu do século I - o cristianismo nasceu na Alexandria e não emRoma ou Jerusalém. Foi Filon quem escreveu boa parte do Apocalípse. Ele foi um dos judeus mais ilustres do seu tempo, e sempre esteve em dia com os acontecimentos da sua época, mas nunca mencionou o nome de Jesus Cristo em seus escritos.
A palavra Evangelho, que em grego significa "boa nova", já figurava na Odisséia de Homero, no século XIII a.C. Esta mesma palavra foi também encontrada numa inscrição em Priene, na Jônia, numa frase comemorativa para o endeusamento de Augusto, no seu aniversário, significando a "boa nova" no trono. Tudo isto ocorreu muito antes do aparecimento de Jesus Cristo e as escrituras.
Marcião, teólogo radical ortodoxo, que viveu entre 90 e 160 d.C. foi contemporâneo de Justiniano. No ano 140 ele trouxe as Epístolas para Roma. Lá elas sofreram rigorosa triagem sendo cortada muita coisa que não convinha à igreja. Apresentavam Jesus como um Deus encarnado. Segundo ele, Jesus sofrera o martírio para resgatar os pecados da humanidade, mas apenas dos ocientais, pois os orientais nunca tomaram conhecimento da personalidade de Jesus, seus milagres e sua pregação.
O Novo Testamento, atualmente oficializado, é cópia de um texto grego do século IV. É exatamente o sinótico descoberto em 1859, em um convento do Monte Sinai, onde vem informada a origem grega. Os originais estão guardados nos museus do Vaticano e de Londres. Foram publicados com devidas correções feitas por Hesíquis, de Alexandria.
Em 1931, no Egito, foi encontrado um papiro que nos apresenta uma ordem cronológica totalmente diferente da oficializada pela igreja. Atualmente, as fontes testamentárias aceitáveis são do século II em diante, provinda de Justiniano, Táciano, Atenágoras, Ireneu e outros, os quais são considerados os verdadeiros criadores do cristianismo.
Escavações feitas em Jesuralém desenterraram velhos cemitérios, onde foram encontradas muitas cruzes do século I e mesmo anteriores. Todavia, apesar de já ser usada naquela época, só a partir do século IV é que a Igreja iria oficializá-la como seu emblema. Levantamentos arqueológicos posteriores provariam que a cruz já era piedoso emblema usado desde milênios.
O Bispo Eusébio de Cesária, considerado o pai da história da Igreja, que viveu entre o ano 265 e 339, em "História Eclesiástica", 4-23 disse: "Compus as Epístolas conforme a vontade do irmão, mas os apostolos do diabo tacharam-nas de inverídicas, cortando-lhes certas coisas e acrescentando outras". Referia-se às adaptações feitas pela Igreja sobre seu trabalho. Ele foi um bispo que acreditava apaixonadamente na divindade de Jesus Cristo, mas muito temia o poder que possuia o bispo de Roma. Foi graças a Eusébio e outros iguais a ele que se tornou uma temeridade desacreditar na verdade oficializada pela Igreja daqueles tempos.
Herodes, responsabilizado pela matança dos inocentes, que compõe a fuga para o Egito, não poderia ter participado daqueles eventos, pois nasceu no ano 4 a.C. e, portanto ainda seria uma criança.
Santo Agostinho, que viveu entre o ano 354 e 430 d.C., assim se manifestou sobre os Evangelhos: "Não creria nos evangelhos se a isso não me visse obrigado pela autoridade da igreja".
O Papa Leão X disse: "A fábula de Cristo é de tal modo lucrativa que seria loucura advertir os ignorantes de seu erro".
Polêmicas sempre existiram e continuarão a existir. Ao que tudo indica a história de Cristo foi construida passo a passo para atender aos interesses da igreja de cada época. O que realmente importa é que o nome de Jesus Cristo representa uma mensagem de amor e paz. Essa mensagem do cristianismo tem trazido muito conforto às pessoas que, estando desesperadas, buscam na fé a solução de seus problemas. Infelizmente transformaram o nome de Cristo numa mentirosa indústria de fazer dinheiro fácil, usando a boa fé das pessoas. Os moderninhos "apóstotos midiáticos televisivos" de Cristo distribuem até carnês para pagamentos mensais, prometendo curas milagrosas aos fieis que contribuirem. São eles que transformam a religião num grande mal para a humanidade, principalmente por explorarem as pessoas menos aquinhoadas intelectual e financeiramente.
Nicéas Romeo Zanchett
Ao longo dos séculos, movidos por sentimentos religiosos e até de culpa, o homem tem reconstituido o suplício, a morte e a ressurreição de Cristo através de pinturas, esculturas, teatro e, mais recentemente, pelo cinema e televisão.
Todas as reconstituições da Paixão de Cristo baseiam-se nos evangelhos.
Este mistério do drama de Cristo sempre exerceu extraordinário fascínio sobre a humanidade. Provas históricas e científicas têm sido procuradas pára dar fundamento aos escritos dos evangélhos, mas, ainda hoje, a igreja não conseguiu comprovar documentalmente os fatos narrados nas escrituras. A própria biblioteca do Vaticano guarda documentos de autores que teriam sido comtemporâneos de Jesus, mas nenhum faz referência aos fatos narrados. Em 1955, o Papa Pio XII, falando sobre Jesus Cristo para um Congresso Internacional de História em Roma, disse: "Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé e não à história".
A história de como realmente ocorreu a morte de Jesus, sofreu modificações no correr dos séculos. Passados mais de dois mil anos, muitos pontos obscuros continuam sendo objeto de discussão entre os estudiosos.
A crucificação era um suplício romano, de origem persa, que foi criado para que o condenado não maculasse a terra com seu sangue impuro, ao ser executado. Este enorme suplício costumava ser aplicado a escravos que fugiam ou se revoltavam contra seus donos e também a ladrões. Pela história contada nos evangelhos, nenhum desses seria o motivo pelo qual Jesus foi crucificado. Então, uma das perguntas que se faz é: por que Cristo foi condenado a morrer na cruz?
A narrativa de todas as etapas da crucificação é um dos episódios em que os quatro evangelhos coincidem, apenas com algumas divergências de menor importância.
As tres principais etapas da paixão são: Cristo carregando a cruz, os preparativos do suplício e a crucificação no Calvário.
A crucificação aparece em duas versões nos Evangélhos. Segundo Mateus, Marcos e Lucas, um homem chamado Simão, o Cireneu, foi intimado pelos soldados a ajudar Cristo carregar a cruz. Mas, segundo o Evangelho de São João, Cristo carregou a cruz sozinho até o local da crucificação.
A personagem da mulher enxugando o rosto suado e sangrento de Cristo, com seu véu, só apareceu na história no final do século XV. O nome Verônica foi dado àquela mulher porque, segundo a história, é o rosto de Cristo que ficou gravado no véu e quer dizer Verdadeira Imagem (vero icona).
O caminho da Paixão surgiu no fim da Idade Média, e é um dos fatos mais significantes da iconografia. É quando surge uma nova devoção instituida de propagada pelos padres franciscanos que, segundo consta, haviam recebido a guarda e custódia dos lugares santos. Foram denominados "Os Passos de Cristo, com suas 14 estações.
Os caminhos de Cristo, a dolorosa escenção ao calvário, foram reconstituidos pela igmaginação criativa de alguns místicos, como São Boaventura e Santa Brigida da Suécia, como se tivessem sido testemunhos oculares daquelas cenas.
Os preparativos da crucificação falam de Cristo sentado sobre um rochedo, despojado de suas roupas, coroado de espinhos, mãos atadas por cordas, enquanto espera a caminhada para a execução.
Havia um tradicional costume judeu onde oferecia-se um vinho fortemente aromático aos condenados à morte. O objetivo era aturdí-los ou anestesiá-los. Segundo São Mateus, os solddos lhe deram uma mistura de vinho com fel para beber. Já São Marcos fala em mirra. No entanto, Cristo recusou a bebida, talvez porque desejasse chegar à morte em plena consciência.
A crucificação começa com Cristo sendo levado à cruz, colocado em cima da madeira e nela pregado, para só então ser levantado. Entretanto, existem outras versões, como a de alguns místicos medievais, segundo a qual a parte vertical da cruz já se achava erguida e Cristo é cravado primeiro nos braços transversais do patíbulo e só depois é erguido e pregado nos pés.
Os Evangelhos nada dizem, com precisão, sobre a forma da cruz. Ao que tudo indica, nas primeiras representações do Calvário, Cristo achava-se suspenso numa espécie de poste.
Nos primeiros séculos do cristianismo a crucificação só era invocada indiretamente e através de símblos. A igreja apenas esboçava alguns traços da crucificação, embora sempre tenha sido um tema essencial. É somente no século VI que, através da iconografia, Cristo aparece na cruz sob forma humana. Então o suplício perde seu caráter infame, só aplicável a esravos e ladrões. O mais antigo documento desta iconografia é um baixo-relevo em marfim, de origem siríaca, do ano 586, que se encontra no British Museum de Lodres.
Nas primeiras imagens da crucificação, Cristo é apresentado em duas posições: Na primeira Ele é um jóvem imberbe e está envolto numa túnica. Aparece com os braços levantados, em atitude de oração e seus pés pousavam no chão e não tinham cravos. Na segunda, que foi aprovada pelo Concílio de Trento, sua posição aparece como as atuais representações.
Nas crucificações gregas e orientais, Cristo é representado vivo na cruz, em atitude triunfante, tendo na cabeça uma coroa real.
Os cravos dos pés e das mãos de Cristo são mensionados no Evangelho de São João. Até o século XII a iconografia indicava um cravo em cada mão e um em cada pé. A partir de então aparecem, com mais freqüência, apenas tres cravos, um em cada mão e o terceiro atravessando os pés cruzados. Também na arte brasileira, até o século XVII, os pés estão separados e a partir de então passam a ser cruzados.
A tradição evangélica falava em braços estendidos e pregados num lenho, correspondendo à cruz do suplício dos escravos, composta de dois elementos fixados num ângulo reto. Para esta finalidade, o nome grego de "stauros" e o latino "crux" se adaptavam melhor à tradição. Então foi imediatamente adotado pela igreja, uma vez que oferecia aos fieis a imagem simbólica de quem está orando. Mais tarde, nas catacumbas, converteu-se no símbolo da prece.
Além de Jesus, os principais protagonistas da crucificação foram os dois ladrões, o porta-lança, o porta-esponja, os soldados, a Vigem Maria e São João. Desde o início a iconografia cristã procurou diferenciar o bom do mau ladrão, denominados respectivmente de Dimas e Gestas. O bom ladrão sempre foi colocado à direita de Cristo e o mau à esquerda. O bom ladrão sempre foi pintado como jovem bondoso, imberbe e belo, que correspondia ao ideal da beleza grega. Já o mau ladrão é um homem feio, barbudo e sempre aparece com a cabeça baixa, mostrando-se envergonhado. Em algumas representações artísticas medievais, um anjo aparece acolhendo a alma de Dimas, a quem Jeus prometera o paraíso, - Lucas, 23, 43 -. Já o mau ladrão aparece sendo levado pelo demônio para o inferno. O soldado porta-lança, que golpeou o flanco de Cristo, foi adotado pela igreja como santo, por ter reconhecido sua divindade ao curar a cegueira com o sangue do crucificado. A lança, (do grego "longke", lança) converteu-se numa das mais importantes relíquias do Vaticano.
Na idade média, o porta-esponjoa também passou a ser alvo de interesse da igreja. O soldado, a quem se deu o nome de Stephaton, aparece como um bom feitor que ofereceu fel ao Cristo agonizante. Nas lendas bizantinas ele aparece convertido e sendo batizado e então passa a ser o símbolo dos gentios convertidos.
Em todas as representações da crucificação, anteriores ao século XII, a Virgem Maria e São João, que eram a mãe e o discípulo preferido, aparecem cada um ao lado da cruz. Somente a partir do século XIV é que se introduziu o costume de agrupá-los de um só lado. A partir dessa época a Virgem, às vezes até desmaiada, aparece amparada por São João. Na Idade Média este motivo dramático foi cada vez mais empregado na medida em que crescia o culto a Maria. Mais tarde , sob a influência dos jesuitas, surge a devoção das Sete Dores, com sete espadas que simbolicamente aatravessam o coração de Maria. O final do martírio acontece quando jesus prova o fel, dado pelo centurião porta-esponja, e diz "Está tudo consumado", e morre.
Na seqüência, a história conta sobre vários fenômenos climáticos que são narrados pelas evangelistas. Às tres e meia da tarde, quando Cristo morre, o sol desparece, o solo treme, a Terra se cobre de trevas e surge a Lua. O véu que existia no templo de Salomão rasga-se de alto a baixo, significando o rompimento da igreja com a Sinagoga.
A real existência de todos os fatos em relação a Cristo sempre foi posta em dúvida pelos pesquisadores. Sem entrar nessa polêmica, mas apenas como contribuição cultural, cabe-me informar alguns fatos históricos da época de Cristo para que você medite a respeito.
Segundo Tácito - historiador romano que viveu de 55 d.C. a 120 d.C. - os judeus e egípcios foram expulsos de Roma por formarem uma mística superstição cristã. Essas expulsões ocorreram duas vezes no tempo do imperador Augusto e a terceira vez no governo de Tibério, no ano 19 d.C. Nesta data Cristo ainda estaria vivo e pregando. Naquela época o nome cristão aplicava-se apenas para denominar a superstição judaico-egípcia e não se falava o nome de Cristo.
Segundo historiadores que, estudando Filon da Alexandria - filósofo judeu do século I - o cristianismo nasceu na Alexandria e não emRoma ou Jerusalém. Foi Filon quem escreveu boa parte do Apocalípse. Ele foi um dos judeus mais ilustres do seu tempo, e sempre esteve em dia com os acontecimentos da sua época, mas nunca mencionou o nome de Jesus Cristo em seus escritos.
A palavra Evangelho, que em grego significa "boa nova", já figurava na Odisséia de Homero, no século XIII a.C. Esta mesma palavra foi também encontrada numa inscrição em Priene, na Jônia, numa frase comemorativa para o endeusamento de Augusto, no seu aniversário, significando a "boa nova" no trono. Tudo isto ocorreu muito antes do aparecimento de Jesus Cristo e as escrituras.
Marcião, teólogo radical ortodoxo, que viveu entre 90 e 160 d.C. foi contemporâneo de Justiniano. No ano 140 ele trouxe as Epístolas para Roma. Lá elas sofreram rigorosa triagem sendo cortada muita coisa que não convinha à igreja. Apresentavam Jesus como um Deus encarnado. Segundo ele, Jesus sofrera o martírio para resgatar os pecados da humanidade, mas apenas dos ocientais, pois os orientais nunca tomaram conhecimento da personalidade de Jesus, seus milagres e sua pregação.
O Novo Testamento, atualmente oficializado, é cópia de um texto grego do século IV. É exatamente o sinótico descoberto em 1859, em um convento do Monte Sinai, onde vem informada a origem grega. Os originais estão guardados nos museus do Vaticano e de Londres. Foram publicados com devidas correções feitas por Hesíquis, de Alexandria.
Em 1931, no Egito, foi encontrado um papiro que nos apresenta uma ordem cronológica totalmente diferente da oficializada pela igreja. Atualmente, as fontes testamentárias aceitáveis são do século II em diante, provinda de Justiniano, Táciano, Atenágoras, Ireneu e outros, os quais são considerados os verdadeiros criadores do cristianismo.
Escavações feitas em Jesuralém desenterraram velhos cemitérios, onde foram encontradas muitas cruzes do século I e mesmo anteriores. Todavia, apesar de já ser usada naquela época, só a partir do século IV é que a Igreja iria oficializá-la como seu emblema. Levantamentos arqueológicos posteriores provariam que a cruz já era piedoso emblema usado desde milênios.
O Bispo Eusébio de Cesária, considerado o pai da história da Igreja, que viveu entre o ano 265 e 339, em "História Eclesiástica", 4-23 disse: "Compus as Epístolas conforme a vontade do irmão, mas os apostolos do diabo tacharam-nas de inverídicas, cortando-lhes certas coisas e acrescentando outras". Referia-se às adaptações feitas pela Igreja sobre seu trabalho. Ele foi um bispo que acreditava apaixonadamente na divindade de Jesus Cristo, mas muito temia o poder que possuia o bispo de Roma. Foi graças a Eusébio e outros iguais a ele que se tornou uma temeridade desacreditar na verdade oficializada pela Igreja daqueles tempos.
Herodes, responsabilizado pela matança dos inocentes, que compõe a fuga para o Egito, não poderia ter participado daqueles eventos, pois nasceu no ano 4 a.C. e, portanto ainda seria uma criança.
Santo Agostinho, que viveu entre o ano 354 e 430 d.C., assim se manifestou sobre os Evangelhos: "Não creria nos evangelhos se a isso não me visse obrigado pela autoridade da igreja".
O Papa Leão X disse: "A fábula de Cristo é de tal modo lucrativa que seria loucura advertir os ignorantes de seu erro".
Polêmicas sempre existiram e continuarão a existir. Ao que tudo indica a história de Cristo foi construida passo a passo para atender aos interesses da igreja de cada época. O que realmente importa é que o nome de Jesus Cristo representa uma mensagem de amor e paz. Essa mensagem do cristianismo tem trazido muito conforto às pessoas que, estando desesperadas, buscam na fé a solução de seus problemas. Infelizmente transformaram o nome de Cristo numa mentirosa indústria de fazer dinheiro fácil, usando a boa fé das pessoas. Os moderninhos "apóstotos midiáticos televisivos" de Cristo distribuem até carnês para pagamentos mensais, prometendo curas milagrosas aos fieis que contribuirem. São eles que transformam a religião num grande mal para a humanidade, principalmente por explorarem as pessoas menos aquinhoadas intelectual e financeiramente.
Nicéas Romeo Zanchett
segunda-feira, 16 de maio de 2011
RODIN - AUGUSTE RODIN
RODIN - AUGUSTE RODIN
Auguste Rodin nasceu em 1840 em uma favela parisiense. Era míope e considerado um retardado, mas tinha uma paixão dominadora que o impulsionava a criar com as próprias mãos. Pode-se dizer que nasceu escultor e isto sobrepôs-se a tudo. Sua vida foi brilhnate e ao mesmo tempo tormentosa. Por ela sofreu e fez sofrer, principalmente as duas mulheres que tanto amou.
Rodin foi considerado o mais controvertido artista do seu tempo. Tal como Miguel Ângelo, ele tinha a audácia de modelar o corpo humano com a força de sua beleza natural. Era uma época em que uma obra de arte controversa podia assumir proporções de crise nacional. Era constantemente atacado pela imprensa e pelo público. Foi sob duros conflitos que o criador de "O Pensador" e "O Beijo", obteve finalmente o reconhecimento que merecia. Sem duvida, foi um dos maiores escultores que o mundo já teve.
É considerado o Moises da escultura. Ele fez sair da aridez novecentista das lindas ninfas de marmore, solenes figuras alegóricas e pomposos herois nacionais, onde os vultos humanos podem mostrar-se heróicos sem serem idealizados pelas mãos do escultor. Modelando o corpo humano, Rodin às vezes exagerava traços que eram julgados feios como pele enrrugada, feições rudes e músculos contorcidos. É o espírito, a força vital que emerge de suas criaturas vibrantes, muitas vezes angustiadas, que marca sua obra. A forma de carne viva era tão importante como símbolo de vida para Rodin, que ele detestava vesti-la. Em sua estátua do grande Balzac, ele encontrou a solução vestindo-o com a túnica dominicana intemporal que o escritor francês usava quando escrevia. Foi talvez o primeiro dos modernos que tentou ser universal, mais do que realista. Sua escultura emerge dum rude bloco, erguendo-se dentre um oceano de ondas de mármore. Suas figuras parecem ser esmagadas na luta para se levantar da superfície e libertar-se das massas de pedra que as aprisionam. Em suas obras há agonia e também um apaixonado anseio de viver e amar. Mas ele nem precisava de um corpo inteiro para projetar sua grande preocupação com a humanidade. Modelava uma simples mão, com dedos tensos elevando-se no espaço, para fazer disso um símbolo de ternura, aspiração um íra. Em sua obra "A Mão", esculpiu aquela grande mão de Deus que emerge para criar o mundo, o homem e a mulher. Da simples argila, fazia brotar suas amadas criaturas humanas, perfeito assunto para o gênio místico e criativo de Rodin.
O Pensador, a mais conhecida e talvez a mais polêmica de suas obras é também a mais perfeita e mística. A grande estátua de bronze sugere não apenas pensamento, mas a própria vida: desejo, ambição, virilidade, dúvida e até esperança. O poder da vida embaraçada pela dúvida, e a própria dúvida cedendo a uma rude aspiração, que produz um estado de anseio, mistério e perplexidade.
O domínio técnico de Rodin derivou-se da renascença e também, em certos casos, de Miguel Ângelo, cuja obra muito admirava. Entretanto o modo de trabalhar as superfícies era inteiramente novo, só seu. Seu objetivo era não só comunicar o movimento físico real, mas deixar o bronze tão tosco que pudesse capatar o jôgo de luz e sombra, para realçar a ilusão de vitalidade irrequieta.
Esculpir requer, além de inspiração e observação vigilante, amor dedicação e principalmente muito trabalho. Um verdadeiro escultor é, antes de tudo, um operário que sabe usar o cinzel.
Nicéas Romeo Zanchett
http://rodinpesquisaderomeozanchett.arteblog.com.br/
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domingo, 15 de maio de 2011
POMPÉIA - EROTISMO, SEXO E PROSTITUIÇÃO
POMPÉIA - EROTISMO, SEXO E PROSTITUIÇÃO
Pompéia (Pompei em italiano) é a famosa cidade da região da Campania, província de Nápoles, Itália.
Pertencente ao império romano, foi totalmente sepultada pelas pesadas cinzas vulcânicas do Vesúvio em 24 dee Agosto de 79 d.C. Ficou soterrada e desconhecida por mais de 1600 anos, quando foi encontrada por acaso. Desde então tornou-se um sítio arqueológico extraordinário que atrai milhares de turistas todos os anos.
As escavações revelaram em detalhes a forma de vida e costumes dos habitantes do tempo da Roma antiga.
Pompéia sempre foi cercada de mistérios e proibida para historiadores da arte. As obras artísticas ali descobertas são um verdadeiro testemunho sobre a vida erótica de seus habitantes.
O Museu Nacional de Arqueologia de Nápoles guarda surpreendentes obras eróticas, capazes de fazer corar até os menos puritanos de nossos dias.
De acordo com os antigos manuscritos e descobertas arqueológicas, orgias, prostituição, homossexualidade, sexo com animais e lesbianismo eram praticados com toda a naturalidade. Vênus, a deusa do amor do Olimpo, teria sido escolhida como protetora de Pompéia. Seu templo foi erigido na parte mais linda da cidade, com uma deslumbrante visão para a Porta Marina. Infelizmente foi destruido por um terremoto no ano de 63 d.C., portanto, antes do soterramento pelo Vesúvio.
Diferentemente da concepção atual, a deusa Vênus não era considerada uma divindade que distribuía apenas amor e encantamento, mas também amargura e desesperança. Vênus era a rainha suprema de Pompéia. Os padrões morais da cidade eram colocados em nível secundário aos prazeres mundanos, independentemente do seu grau de imoralidade. Um fato interessante revelado foi que à Vênus daqueles dias era atribuído o dom de ser a originadora de todas as obscenidades.
Na época de Pompéia, a filosofia do Império Romano era completamente oposta àquela que surgiria com o crescimento do cristianismo. A filosofia era orientada no sentido de que, para chegar ao paraíso após a morte, o homem deveria desfrutar ao máximo os prazeres da vida. Foi nesse período que os Imperadores Romanos promoviam grandes banquetes, onde o exagero era levado ao extremo. Os praticantes se enchiam de comida e vinho até chegarem ao ponto de perderem completamente os sentidos. As orgias sexuais eram parte integrante dos festejos.
Um dos endereços mais cobiçados de Pompéia era a Casa dos Véttii. Os proprietários Aulus Vettius Restitutus e Aulus Vettius Conviva eram ricos mercadores que sempre desfrutavam noites de prazer com lindas mulheres. O prazer sexual tornara-se um fator tão importante na vida desses abastados mercadores que, no salão principal, eles exibiam um quadro obsceno de priapus, o deus da fertilidade. O quadro mostra Priapus colocando seu enorme pênis em um dos pratos de uma balança, enquanto no outro prato se vê um saco de ouro como contrapeso. Acredita-se que a imagem simbolizava a filosofia dos ricos proprietários. Talvez com isso quisessem dizer: o dinheiro só tem valor se proporcionar igual quantidade de sexo prazeroso.
Outro endereço de grandes prazeres era a casa dos irmãos Verus. Ali existia um ambiente apropriado para orgias após o jantar. Toda a área da sala de jantar era decorada com grande variedade de cenas pornográficas. Numa das paredes os arqueólogos encontraram escrito: "Meu filho sensual, quantas mulheres lhe proporcionaram prazer!"
Também Stabito, o jovem sábio de Pompéia deixou gravada sua mensagem: "Restituto diz: Restituta tire sua túnica. Imploro que você me deixe ter a visão de sua vagina peluda".
Outra inscrição encontrada em 1822 por Raffaele Amicone mostra um desenho com duas figuras fazendo sexo e as palavras "Lente impelle" (enfie devagar) gravadas acima do desenho.
Na Casa dos Gladiadores, na Via di Nova, pode-se ver que estes também gostavam de exibir e vangloriar-se dos seus dotes físicos. Numa das colunas pode-se ler: "No dia 21 de setembro do ano em que Marco Massella e Lucia Lentulo fizeram amor, Epafra Acuto trouxe a este lugar uma mulher chamada Tiche. Para qualquer um o preço era de 5 moedas".
Entre os muitos corpos encontrados nas escavações da Casa dos Gladiadores havia o de uma mulher adornada com muitas jóias de ouro e pedras preciosas. Os historiadores acreditam que tratava-se de uma prostituta de luxo que costumava passar os fins de semana praticando sexo grupal com os homens de sua preferência.
Diferentemente da sociedade moderna, em Pompéia e outras cidade romanas a prostituição era considerada uma profissão normal e respeitosa. As prostitutas gozavam de bom acolhimento junto à todas as classes sociais. O sexo era visto simplesmente como uma forma de prazer. As profissionais da arte sexual tinham livre acesso a todos os níveis da vida social e política. Elas não apenas ofereciam seus serviços á ralé, como também tomavam parte nos divertimentos públicos do próprio imperador. Os preconceitos surgiram com o crescimento da religiosidade, principalmente do cristianismo nascente.
Em Pompéia a prostituição era tão popular e natural que no piso das ruas haviam sinais indicando os locais para que os clientes encontrassem facilmente as casas de prazer sexual. Os sinais eram parte do piso de pedra, onde foram esculpidos duas bolas ovais e um pênis ereto mostrando a direção.
A Casa de Lupanar (prostituição) ficava na rua do mesmo nome e era o maior estabelecimento dedicado ao principal negócio da cidade. Era o local de trabalho de famosas prostitutas de Pompéia. O cliente interessado devia simplesmente seguir os sinais e, ao chegar à casa, entrar pela porta principal que levava a um corredor com diversos quartos em ambos os lados. Acima do arco de cada porta havia a pintura de uma cena erótica mostrando a especialidade da mulher que ocupava aquele aposento. Dessa forma se o cliente estivesse procurando sexo oral, por exemplo, era só bater na porta com esta ilustração.
A prostituição em Pompéia chegou a tal requinte que as profissionais tinham plano de crédito para seus clientes. Mesmo não tendo disponibilidade financeira se podia praticar o sexo preferido. O sistema era simples: o cliente deveria escrever seu nome na parede do quarto da prostituta para quem devessem dinheiro. Sob o nome a prostituta controlava os valores como se fosse uma conta corrente. Os clientes que ficavam devendo, muitas vezes bêbados, voltavam logo para saldar a dívida e retirar seu nome, pois dever dinheiro naquela época era muito humilhante.
Além das casas de prostituição haviam os sistemas de banhos públicos que eram os locais preferidos de muitas profissionais. Também o anfiteatro, o fórum, as tavernas e até mesmo os cemitérios eram locais tradicionais de prazer sexual. As prostitutas dos cemitérios eram da mais baixa categoria da classe. Segundo a crença geral, eram portadoras de doenças e por isso evitadas, mas os baixos preços cobrados garantiam-lhes permanente trabalho.
As prostitutas de tavernas tinham seus quartos no mesmo local, para onde, depois de alguns goles de bebida, levavam seus clientes.
Os nomes artísticos das prostitutas eram escolhidos de acordo com a especiallidade de cada uma. O nome Panta (que em grego quer dizer tudo) era muito comum em toda a cidade. Outros nomes muito usados eram: Euplia Laxa (espaçosa), Fortunata Landicosa (equipada com grande clitóris),
Kallitrema ( com um lindo grelo) e Edone (prazer).
O habito de sexo anal foi trazido para Pompéia pelos gregos da cidade visinha de Cumae e acabou alcançando grande popularidade entre homens e mulheres. Era muito utilizado como método anticoncepcional. Conta-se que antes que um homem pudesse praticar este prazer com a mulher escolhida deveria esperimentá-lo em si mesmo. Esta idéia é enfatizada por inscrições encontradas em uma parede nas proximidades de Stabia. Diz a inscrição: "Se um homem, que tenha tido a sorte de nascer bonito, não oferecer suas nádegas para o prazer de outros, ele, ao fazer amor com uma mulher bonita, nunca terá a alegria de satisfazê-la". A partir dessa idéia o homossexualismo masculino popularizou-se entre os rapazes de Pompéia. Foi a partir dessa época que Pan, o deus metade homem e metade bode, passou a ser mostrado com um pênis ereto tentando induzir os rapazes à sodomia ou, eventualmente, à homossexualidade. Pan surgiu como uma forma de amenizar a bestialidade praticada na antiguidade, pois muitos artistas não podiam conceber que o ser humano fosse tão pervertido a ponto de desejar sexualmente uma cabra. Foi assim que a fantasia criou o sátiro, metade homem, metade bode.
Enquanto os homens de Pompéia davam suas escapadas extracurriculares, em casa as suas mulheres satisfaziam seus desejos com suas amigas íntimas. As escavações de Pompéia revelaram inúmeros órgãos masculinos de variados tamanhos e fabricados com os mais diversos materiais. A história conta que estes objetos eram utilizados para dar sorte à dona da casa, entretanto nada prova que elas não tenham encontrado outras utilidades para com eles alcançar o prazer que seus maridos lhes negavam. Enquanto os historiadores dão o nome de phallus para esses objetos, nós, menos eruditos, podemos compará-los aos modernos vibradores de nossos dias.
Outra curiosidade muito interessante de Pompéia era a iniciação das jovens donzelas. Começava com a leitura do ritual pela jovem, enquanto sua mãe ficava sentada ouvindo. Após a leitura, uma sacerdotisa assumia a direção do sacrifício, preparando a garota para a visão do casamento de Dionísio e Ariana. Neste momento entra em cena um misnistro dotado de asas e, ao som de uma suave música, começava açoitar a iniciante. Ao mesmo tempo a sacerdotiza revelava, pela primeira vez, o pênis sacrificial. Equanto era açoitada, a garota era deflorada e levada ao clímax pelo pênis, objeto sagrado. A dor do açoite sádico fora superada e susbstituída pelo prazer do orgasmo. O rito de iniciação estava completo e a ex-donzela havia. experimentado o terror que toda a moça pura sentia quando sua virgindade era sacrificada.
As escavações de Pompéia revelaram as mais diversas formas de prazer sexual daquele povo. Foram encontradas cerâmicas e ânforas com ilustrações de mulheres praticando sexo com animais como cães e cavalos. Um dos melhores exemplares foi encontrado na Basílica e mostra uma mulher nua reclinada em companhia de um pônei. O pônei movimenta-se entre as pernas abertas da mulher enquanto ela o abraça de forma apertada contra si. O pênis do pônei foi pintado com exagero e ereto, parecendo ter um terço do comprimento do animal. As cerâmicas encontradas nos mostram que também os homens dedicavam-se às atividades bestiais, preferindo carneiros e cabras. Na maioria das cerâmicas com tais pinturas são mostrados homens montanheses, lenhadores e pastores que viviam em regiões inóspitas. Em vez de buscarem o prazer solitário da masturbação, eles preferiam uma parceira escolhida no rebanho.
Pompéia é hoje uma das maiores atrações turísticas do sul da Itália e rende bilhões em divisas para o governo. Entretanto, muitas obras descobertas nas escavações ainda são mantidas a sete chaves pelo governo italiano. Uma forma de manter em segredo e mistério a verdadeira cultura da antiga cidade, onde tudo girava em torno da sexualidade.
Esperamos que, com a maturidade da moral e com a revisão das antigas regulamentações, as "stanze proibite" sejam abertas e mostradas ao público.
Pompéia que, como Sodoma e Gomorra, teve seu destino tragicamente interrompido, é um testemunho impar da verdade sobre a vida e hábitos sexuais de um povo, que foi mantido soterrado e preservado por tantos séculos.
NOTA FINAL: Pompéia não foi soterrada por lavas vulcânicas, mas simplesmente por pesadas cinzas. Isto permitiu a perfeita conservação de toda aquela história.
Nicéas Romeo Zanchett
Veja também > AMOR E SEXO SEM PRECONCEITOS
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terça-feira, 3 de maio de 2011
AS CRENÇAS RELIGIOSAS
AS CRENÇAS RELIGIOSAS
É nas crenças religiosas que o ser humano, motivado pelo medo e esperança, mostra suas paixões mais primitivas dos instintos naturais.
As primeiras idéias de religião nasceram das preocupações com os acontecimentos da vida, que buscavam uma solução para problemas pessoais e esperança de imortalidade.
Os homens incultos são dominados pelas paixões ordinárias da vida, pelo temor de calamidades, medo da morte, fome e outras necessidades básicas e então buscam soluções mágicas em sinais obscuros da divindade.
A crença na vida futura que abre agradáveis e confortáveis perspectivas é arrebatadora. A superstição aumenta na mesma medida em que o homem vive uma existência governada pelo acaso. Tudo que o enfraquece nas suas disposições interiores, favorece aos interesses supersticiosos.
A busca por soluções divinas são mais freqüentes naqueles que se sentem impotentes diante dos problemas do dia a dia. Assim sendo, o homem passa a frequentar, com mais pontualidade, cultos religiosos nos momentos difíceis e deixa de fazê-lo quando a vida fica mais agradável.
O deus criado pela imaginação humana passa a ser visto como um protetor particular, onde todas as soluções estão à disposição daquele que se prostra de joelhos e pede ajuda. Levados pela fé, os crentes imaginam que deus ama a lisonja e súplicas e, com exagerados elogios, tentam todos os meios para obter favores. Esses deuses criados são representados como seres semelhantes aos humanos, motivados por amor e ódio, susceptíveis às oferendas, súplicas, pregações e sacrifícios.
Para facilitar as atenções de deus, os crentes criaram os semideuses - santos, em algumas religiões - que são mais familiares à natureza humana, e servem para intermediar os pedidos que dirigem a deus.
O sacrifício passa a ser visto como uma virtude em si, onde sofrer torna-se o caminho mais curto para o paraíso. O crente sobe escadas de joelhos, se dá açoites, caminha quilômetros sob sol escaldante, pratica o jejum e outras formas de demonstrar sacrifícios para conseguir o favor divino. Assim ele se sente reconfortável, com segurança garantida neste mundo e felicidade eterna no outro.
Atualmente, no mundo todo, existe cerca de 60.000 seitas e religiões ativas. Cada uma delas está convencida de que sua fé e culto são os legítimos e, portanto, os mais agradáveis à divindade. Diante de uma multiplicidade de seitas e religiões, fica impossível o não surgimento de animosidades que se constituem nas mais furiosas e implacáveis de todas as paixões humanas.
O medo é uma poderosa arma no controle das pessoas. A religião surge oferecendo conforto e segurança para o futuro, e quando o crente já está capturado pelas superstições, passa a ser um escravo contribuinte para os desonestos objetivos dos lideres religiosos. Embora a espécie humana seja dotada de inteligência, a razão nem sempre prevalece diante das superstições e assim ela se torna a maior garantia de prosperidade das religiões e seitas. Elas afundam o espírito humano na submissão e na humilhação mais vil da humanidade. Entretanto, mesmo com todo o caráter dogmático das superstições, a convicção dos homens religiosos é mais fingida que real, ostentando uma fé sem reservas, dissimulando entre si mesmos sua real incredulidade. Pregam o mais absoluto fanatismo que lhes garantem poder e dinheiro. É rotineiro ouvir homens moralmente desqualificados, que se autodenominam pastores, apóstolos, bispos e padres, pregando a castidade, condenando métodos anticoncepcionais e outras práticas, enquanto na vida pessoal são os primeiros a ignorar esses absurdos.
A conduta virtuosa é a prática que devemos à sociedade e a nos mesmos. Considerando que agir com integridade é dever de todo o cidadão, a religião deixaria de ser imperiosa e atraente. Em razão disso elas acabam criando os mais absurdos dogmas. Muitas descambam para o curandeirismo, falando sempre em nome de deus e de Jesus, de quem se dizem representantes na terra .
Aos oportunistas pouco importa se sob a palavra sonora se oculta a hipocrisia e a mentira. Dessa forma, constituem-se as igrejas em verdadeiros parasitas do homem crente, uma verdadeira tarântula, através da qual o clero se constitui em uma minoria de privilegiados que vivem sugando e envenenando a vida daqueles que, iludidos por falsas promessas, mantém os olhos fechados para a realidade. Aos poucos as religiões e seitas vão se tornando um ótimo e cômodo meio de vida para a maioria dos pregadores. Trata-se de um verdadeiro comércio com o qual o povo mais humilde tem sido espoliado através dos tempos.
Não é lógico que o homem atual, que já atingiu tão elevado nível de desenvolvimento, que se verifica em todos os setores do conhecimento, permaneça preso a crenças de deuses inexistentes, mitos e tabus.
A realidade objetiva que predomina entre os pregadores é a exploração da boa fé dos menos aquinhoados intelectual e economicamente. Quem mais contribui para as campanhas das igrejas são aqueles que menos possuem, cuja mente encontra-se obstruída pelas idéias e crenças religiosas. Sua pobreza material alia-se à pobreza intelectual. Nessa condição o mais cômodo, para aqueles deserdados, será esperar pela recompensa das agruras da vida no céu, após a morte. Essas promessas são cumpridas pelos pastores e sacerdotes, a seu modo, a fim de que os pobres vivam de esperanças e não sintam que os ricos pregadores continuam, impunemente, com as mãos em seus bolsos. Esses parasitas são sempre categóricos diante do fiel crente, mostrando-se, contudo, reticente e cauteloso em face do conhecimento científico do homem de saber aprimorado. A este falará tudo, mas evitará abordar o que se refere a deus, religião ou teologia. O homem simples, do povo, raramente compreende a finalidade desse tipo de engodo. É a eterna luta do pobre sendo explorado pelo rico.
Platão salientou a felicidade que existe na prática da virtude. Ensinou a tolerância à injúria e aos maus tratos, e condenou o suicídio. Recomendou o humanismo, a castidade e o pudor, e condenou a volúpia, a vingança e o apego demasiado aos bens materiais. Sua moral baseou-se na exaltação da alma, no desprezo dos sentidos e na vida contemplativa. Quem conhece a obra de Platão pode perceber os traços comuns entre ela e as religiões. Filon inspirou-se em Platão e, a igreja na obra de Filon, que helenizou o judaísmo.
Já tendo ultrapassado a época do medo, a raça humana não se libertou do sentimento religioso, porquanto, existem os que se valem do nome de Deus e das religiões para viverem ociosamente, desfrutando de boa posição e respeito sem, contudo, dar aos homens qualquer contribuição que lhes aproveite para sua felicidade e bem estar. Apenas a promessa de uma boa vida futura, após a morte. Todavia, até esta lhe será garantida apenas com a condição de suportar, pacientemente, muitos sofrimentos em sua passagem pela terra.
Apesar do aprimoramento científico e tecnológico, sempre em expansão, as religiões tão cedo não desaparecerão da face da terra. O poder público apóia a farsa religiosa, e é praticamente controlado por ela. O político que ousar apontar as inverdades, as incoerências e o irracionalismo, nunca mais será reeleito.
Diante dessa situação, nada impedirá que continuem angariando mais poder, tanto na mídia como no Congresso. A única esperança é a educação.
As religiões precisam ser vistas como associações de pessoas motivadas por interesses e idéias comuns. Nunca, porém, como uma entidade onde os seus lideres são os representantes de Deus Universal no planeta Terra.
ALBERT EINSTEIN disse: "O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo, numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o aclicerce de nossa segurança interior."
Nicéas Romeo Zanchett
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É nas crenças religiosas que o ser humano, motivado pelo medo e esperança, mostra suas paixões mais primitivas dos instintos naturais.
As primeiras idéias de religião nasceram das preocupações com os acontecimentos da vida, que buscavam uma solução para problemas pessoais e esperança de imortalidade.
Os homens incultos são dominados pelas paixões ordinárias da vida, pelo temor de calamidades, medo da morte, fome e outras necessidades básicas e então buscam soluções mágicas em sinais obscuros da divindade.
A crença na vida futura que abre agradáveis e confortáveis perspectivas é arrebatadora. A superstição aumenta na mesma medida em que o homem vive uma existência governada pelo acaso. Tudo que o enfraquece nas suas disposições interiores, favorece aos interesses supersticiosos.
A busca por soluções divinas são mais freqüentes naqueles que se sentem impotentes diante dos problemas do dia a dia. Assim sendo, o homem passa a frequentar, com mais pontualidade, cultos religiosos nos momentos difíceis e deixa de fazê-lo quando a vida fica mais agradável.
O deus criado pela imaginação humana passa a ser visto como um protetor particular, onde todas as soluções estão à disposição daquele que se prostra de joelhos e pede ajuda. Levados pela fé, os crentes imaginam que deus ama a lisonja e súplicas e, com exagerados elogios, tentam todos os meios para obter favores. Esses deuses criados são representados como seres semelhantes aos humanos, motivados por amor e ódio, susceptíveis às oferendas, súplicas, pregações e sacrifícios.
Para facilitar as atenções de deus, os crentes criaram os semideuses - santos, em algumas religiões - que são mais familiares à natureza humana, e servem para intermediar os pedidos que dirigem a deus.
O sacrifício passa a ser visto como uma virtude em si, onde sofrer torna-se o caminho mais curto para o paraíso. O crente sobe escadas de joelhos, se dá açoites, caminha quilômetros sob sol escaldante, pratica o jejum e outras formas de demonstrar sacrifícios para conseguir o favor divino. Assim ele se sente reconfortável, com segurança garantida neste mundo e felicidade eterna no outro.
Atualmente, no mundo todo, existe cerca de 60.000 seitas e religiões ativas. Cada uma delas está convencida de que sua fé e culto são os legítimos e, portanto, os mais agradáveis à divindade. Diante de uma multiplicidade de seitas e religiões, fica impossível o não surgimento de animosidades que se constituem nas mais furiosas e implacáveis de todas as paixões humanas.
O medo é uma poderosa arma no controle das pessoas. A religião surge oferecendo conforto e segurança para o futuro, e quando o crente já está capturado pelas superstições, passa a ser um escravo contribuinte para os desonestos objetivos dos lideres religiosos. Embora a espécie humana seja dotada de inteligência, a razão nem sempre prevalece diante das superstições e assim ela se torna a maior garantia de prosperidade das religiões e seitas. Elas afundam o espírito humano na submissão e na humilhação mais vil da humanidade. Entretanto, mesmo com todo o caráter dogmático das superstições, a convicção dos homens religiosos é mais fingida que real, ostentando uma fé sem reservas, dissimulando entre si mesmos sua real incredulidade. Pregam o mais absoluto fanatismo que lhes garantem poder e dinheiro. É rotineiro ouvir homens moralmente desqualificados, que se autodenominam pastores, apóstolos, bispos e padres, pregando a castidade, condenando métodos anticoncepcionais e outras práticas, enquanto na vida pessoal são os primeiros a ignorar esses absurdos.
A conduta virtuosa é a prática que devemos à sociedade e a nos mesmos. Considerando que agir com integridade é dever de todo o cidadão, a religião deixaria de ser imperiosa e atraente. Em razão disso elas acabam criando os mais absurdos dogmas. Muitas descambam para o curandeirismo, falando sempre em nome de deus e de Jesus, de quem se dizem representantes na terra .
Aos oportunistas pouco importa se sob a palavra sonora se oculta a hipocrisia e a mentira. Dessa forma, constituem-se as igrejas em verdadeiros parasitas do homem crente, uma verdadeira tarântula, através da qual o clero se constitui em uma minoria de privilegiados que vivem sugando e envenenando a vida daqueles que, iludidos por falsas promessas, mantém os olhos fechados para a realidade. Aos poucos as religiões e seitas vão se tornando um ótimo e cômodo meio de vida para a maioria dos pregadores. Trata-se de um verdadeiro comércio com o qual o povo mais humilde tem sido espoliado através dos tempos.
Não é lógico que o homem atual, que já atingiu tão elevado nível de desenvolvimento, que se verifica em todos os setores do conhecimento, permaneça preso a crenças de deuses inexistentes, mitos e tabus.
A realidade objetiva que predomina entre os pregadores é a exploração da boa fé dos menos aquinhoados intelectual e economicamente. Quem mais contribui para as campanhas das igrejas são aqueles que menos possuem, cuja mente encontra-se obstruída pelas idéias e crenças religiosas. Sua pobreza material alia-se à pobreza intelectual. Nessa condição o mais cômodo, para aqueles deserdados, será esperar pela recompensa das agruras da vida no céu, após a morte. Essas promessas são cumpridas pelos pastores e sacerdotes, a seu modo, a fim de que os pobres vivam de esperanças e não sintam que os ricos pregadores continuam, impunemente, com as mãos em seus bolsos. Esses parasitas são sempre categóricos diante do fiel crente, mostrando-se, contudo, reticente e cauteloso em face do conhecimento científico do homem de saber aprimorado. A este falará tudo, mas evitará abordar o que se refere a deus, religião ou teologia. O homem simples, do povo, raramente compreende a finalidade desse tipo de engodo. É a eterna luta do pobre sendo explorado pelo rico.
Platão salientou a felicidade que existe na prática da virtude. Ensinou a tolerância à injúria e aos maus tratos, e condenou o suicídio. Recomendou o humanismo, a castidade e o pudor, e condenou a volúpia, a vingança e o apego demasiado aos bens materiais. Sua moral baseou-se na exaltação da alma, no desprezo dos sentidos e na vida contemplativa. Quem conhece a obra de Platão pode perceber os traços comuns entre ela e as religiões. Filon inspirou-se em Platão e, a igreja na obra de Filon, que helenizou o judaísmo.
Já tendo ultrapassado a época do medo, a raça humana não se libertou do sentimento religioso, porquanto, existem os que se valem do nome de Deus e das religiões para viverem ociosamente, desfrutando de boa posição e respeito sem, contudo, dar aos homens qualquer contribuição que lhes aproveite para sua felicidade e bem estar. Apenas a promessa de uma boa vida futura, após a morte. Todavia, até esta lhe será garantida apenas com a condição de suportar, pacientemente, muitos sofrimentos em sua passagem pela terra.
Apesar do aprimoramento científico e tecnológico, sempre em expansão, as religiões tão cedo não desaparecerão da face da terra. O poder público apóia a farsa religiosa, e é praticamente controlado por ela. O político que ousar apontar as inverdades, as incoerências e o irracionalismo, nunca mais será reeleito.
Diante dessa situação, nada impedirá que continuem angariando mais poder, tanto na mídia como no Congresso. A única esperança é a educação.
As religiões precisam ser vistas como associações de pessoas motivadas por interesses e idéias comuns. Nunca, porém, como uma entidade onde os seus lideres são os representantes de Deus Universal no planeta Terra.
ALBERT EINSTEIN disse: "O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo, numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o aclicerce de nossa segurança interior."
Nicéas Romeo Zanchett
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sábado, 30 de abril de 2011
A MORTE DE SÓCRATES
A MORTE DE SÓCRATES 470 x 399 a.C.
A 2.400 anos ele disse: "Eu sou a minha alma". Isto demonstra que já sabia que a alma é imortal.
Pelas ruas de Atenas, envolto num áspero manto, com pés descalços e cabeça descoberta, vagava Sócrates distribuindo sabedoria. Era um homem fisicamente feio, mas manso e dócil como um santo. Tinha a profissão de escultor que pouquíssimas vezes exerceu, pois preferia esculpir sábias palavras.
Pouco se preocupava com as dificuldades financeiras de sua família. Cuidava dos negócios alheios e esquecia os seus. Nas infreqüentes visitas que fazia à casa de sua mulher Xantipa, era recebido com tempestades de palavras ásperas, que sábiamente ignorava. Sua maior ambição era ser benfeitor da humanidade. Sua bondade era tão grande quanto sua sabedoria. Desejava ver a justiça social ser exercida em todo o mundo. Os políticos detestavam encontrá-lo para não terem de responder perguntas embarassosas. Para sua esposa Xantipa era um preguiçoso, mas para os jóvens atenienses era um deus. Estes adoravam ir ao seu encontro para escutá-lo, cheios de admiração. Para transmitir saber, ele costumava instigar o pensamento de seus interlocutores, sem, no entanto, jamais responder diretamente suas perguntas.
Sócrates sentia especial prazer em chamar a atenção para aqueles que pensavam uma coisa e diziam outra, e também aqueles que diziam ser sábios quando, na verdade, não passavam de tolos ignorantes. Costumava chamar a si mesmo de "moscardo" (moscão). Tinha a habilidade de estimular as pessoas a pensarem. Outro apelido que costumava dar a si mesmo era de "parteira intelectual", porque auxiliava as pessoas a dar nascimento às suas próprias idéias, incentivando o uso do próprio pensamento. Com muita insistência afirmava que nada sabia. Dizia : "Sou o homem mais sábio de Atenas porque sei que nada sei".
Toda a essência do ensinamento de Sócrates pode ser resumido nas seguintes palavras: "Conhece-te a ti mesmo". Ele tentava sempre aprender com todos e neste pocesso, ensinava a seus mestres. Costumava dizer que o saber é uma virtude; que os homens cometem crimes porque são ignorantes, não conhecem outra coisa melhor.
Diferentemente do filósofo Lao-tze, acreditava que o melhor remédio para o crime é a educação. O objetivo maior de sua vida era ensinar os outros. Infelizmente, dizia ele, nem todos queriam ser educados.
Um dia, ao chegar ao mercado para seu costumeiro debate filosófico, deparou-se com um aviso colocado na tribuna pública que dizia: "Sócrates é criminoso. É ateu e corruptor da mocidade. A pena de seu crime é a morte".
Foi preso e julgado pelos políticos, cuja hipocrisia costumava denunciar nas praças públicas. Ao ser interpelado pelos juizes, recusou-se a defender-se dizendo que sua obrigação era sempre falar a verdade. Os juizes o consideraram culpado. Quando lhe perguntaram qual devia ser sua punição, ele sorriu sarcasticamente e disse: "Pelo que fiz por voz e pela vossa cidade, mereço ser sustentado até o fim de minha vida à expensas públicas". Foi condenado á morte.
Durante trinta dias foi mantido numa cela funerária. Mesmo diante da morte, permaneceu calmo e discutindo tranqüilamente o significado da vida e o mistério da morte.
Critom, o mais ardente dos seus discípulos, entrou furtivamente na cela e disse ao mestre: "Foge depressa, Sócrates!"
- Fugir por que? Perguntou-lhe.
- Ora, não sabes que amanhã vão te matar?
- Martar-me? A mim? Ninguém pode me matar!
- Sim, amanhã terás de beber a mortal taça de cicuta - insistiu Criton. - Vamos, foge depressa para escapares à morte!
- Meu caro amigo Criton - respondeu-lhe - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim...
Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou: - Critos, achas que isto é Sócrates?
E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou: - Achas que isto aqui é Sócrates?... Pois é isto que vão matar, este invólucro, mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar Sócrates!...
E assim, o mais sábio homem de todos os tempos, foi obrigado acabar a vida como um criminoso.
Ao beber o veneno, quando já sentia que seus membros esfriavam, despediu-se de todos com as mesmas palavras com que se dirigira aos juizes que o haviam julgado:" E agora chegamos à encruzilhada dos caminhos, meus amigos, ides para vossas vidas; eu, para a minha morte. Qual seja o melhor dêsses caminhos, só Deus sabe".
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A morte de Sócrates é maior crime cometido pela democracia. Quando os homens julgam erradamente seu próximo, a história julgará os julgadores.
Foi assim.
Romeo Zanchett
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