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sábado, 21 de fevereiro de 2015

COMO FORAM CRIADOS OS DOZE MESES DO ANO -Nicéas Romeo Zanchett


               A criação do calendário que utilizamos surgiu com o aparecimento do Cristianismo. O Imperador Constantino acabou com as crenças pagãs e obrigou a todos seguirem os novos princípios de uma única religião, o Cristianismo. 
               Apesar das determinações do imperador a memória dos deuses e deusas ainda vive em muitas formas e tradições. 
               A contagem do tempo está estritamente ligada aos costumes e instituições dos romanos. Em  nosso calendário, estabelecido por Júlio César, podemos encontrar as línguas árabe e o hebreu que não derivaram os nomes dos doze meses dos deuses romanos. 
Deus Jano.
               O primeiro deus aparece na figura estranha de duas caras, um deus que olha para diante e para traz, e que segura na mão esquerda uma chave: é Jano. Os romanos adoravam Jano num templo que estava aberto durante as guerras e que se fechava quando havia paz. Era o deus dos princípios e dos fins; sempre que um romano devoto pretendia começar ou acabar bem alguma coisa implorava a proteção de Jano. Esse deus  era também o porteiro do céu, e os romanos o tinham como protetor das suas portas e portões. Como a  ano tem doze meses, assim o seu templo tinha 12 portas. A ideia surgida para representar o deus Jano foi muito interessante  e feliz; e assim surgiu o mês de Janeiro. Esse mês é a época em que todos nós olhamos para o passado e planejamos o futuro; pensamos nos erros e acertos para uma vida melhor. 
Februa - a deusa das purificações
                 No segundo mês do ano celebravam-se festas especiais em honra de Juno e Plutão, rei dos infernos; havia lugares especiais para aplacar as almas dos defuntos. Estas festas eram também para espiação para o povo, e chamavam-se februaes (latin). Os romanos consideravam a festa como uma purificação espiritual. Fevereiro é o mês mais curto do ano com 28 dias nos anos comuns e 29 nos anos bissextos. (NOTA- De cada 4 em 4 anos é necessário juntar-se um dia a mais porque o ano realmente tem 365 dias e "6 horas"; 6 x 4 = 24 horas). Portanto essa é uma "conta de chegar". Para se chegar a essa conta, Julio César chamou a Roma o astrônomo Sosigenes que morava na Alexandria. Ele então fez os cálculos e sugeriu que a cada quatro anos se acrescentasse mais um dia no menor mês. 
Marte - deus da guerra. 
                  Marte, o deus da guerra foi escolhido para representar o mês de março. Esse deus é uma figura que passa no cortejo em cima de uma carro de guerra puxado por dois cavalos cujos nomes são Terror e Fuga.  Trata-se de um guerreiro ameaçador, manejando uma comprida lança, levantando para o céu um escudo brilhante e erguendo a sua cabeça divina de forma altiva, iluminada pelos raios do seu capacete. 
                  Para os romanos, Marte era mais que um guerreiro, era um deus que podia conseguir tudo pela sua grande força. A ele pediam chuva e tudo mais, além de consultarem-no sobre suas vidas em particular, sacrificando em seu altar um carneiro, cavalo, lobo e até mesmo abutre. Quando os soldados iam para a guerra sempre levavam galinhas consagradas a Marte; eram aves consideradas sagradas, e antes dos combates davam-lhe milho, que às vezes era comido com avidez e outras vezes eram rejeitados; se comessem era sinal de que Marte os protegeria, mas se rejeitassem estavam indicando má sorte. Marte era associado ao trovão e ao relâmpago, mas estavam convencidos de que era a pequena ave chamada "Pica-pau" que ao bater o tronco da árvore com seu bico barulhento estava confirmando que o deus Marte havia aceito suas súplicas.
Primavera - Sandro Botticelli 
                   O quarto mês do ano é Abril, que na Europa é o período em que se renova a vida nos campos, as árvores cobrem-se de folhas e flores. "Omnia aperit!", exclamavam com admiração, que significa "abre tudo!". Portando não é um deus nem uma deusa, mas sim um um anjo da primavera. Gracioso delicado, meigo e bom, espalhando lindas flores por toda a terra. Os romanos perceberam que neste mês renasciam todas as coisa que haviam desaparecido com o vento e o inverno rigoroso. Diziam "abre-se tudo". E assim surgiu o mês de Abril, na tela acima representado pelo pintor Sandro Botticelli. 
Deusa Maia 
                Depois de Abril vem a deusa Maia, sentada num trono de luz. Seu pai chamava-se Atlas e supunha-se que sobre seus ombros assentava o mundo inteiro. Esse deus tinha sete filhas e a mais célebre era Maia, cujo filho era mercúrio  que imaginavam ser o portador das ordens dos deuses para a terra. Júpiter, o pai de todos os deuses, levou Maia e as suas irmãs e colocou-as como estrelas no firmamento (céu). Supunha-se serem elas formadoras de um grupo de estrelas chamado "as Plêiadas". Portanto, como vemos,  o nome de Maio foi dado em homenagem à deusa Maia. 
Juno - rainha do céu e esposa de Júpiter.
               O mês de Junho tem uma história bem interessante. São duas figuras disputando o sexto lugar. Uma  era a deusa Juno e a outra é um homem, Júnio. Ainda hoje há divergência de opiniões sobre este nome: uns supõe consagrado a Júnio, e outros, que são a maioria, à deusa Juno, esposa de Júpiter. Seu trono de ouro estava junto ao seu marido. Todos os deuses lhe prestavam homenagem quando se apresentavam no palácio de Júpiter; tinha poderes superiores, pelos quais exercia domínio nos fenômenos celestes, produzia trovões nas alturas, desencadeava ventos e mandava nos demais astros. Gostava de passear pelos bosques sagrados num carro puxado por pavões. 
Júlio César - Imperador romano. 
                O sétimo mês do ano foi dado em homenagem a um dos maiores homens que já existiram; foi um grande guerreiro estrategista, imperador de Roma Júlio César. Aqui cabe lembrar uma curiosidade: Houve um tempo em que o ano começava em março e, portanto, este era o quinto mês do ano; os romanos chamavam-no de "quintilius", que significa o quinto. Júlio César não apenas foi um grande guerreiro conquistador de nações, como também criador de leis celebres e escreveu livros imortais. Foi ele que fez uma reforma no calendário já em estado deplorável. É que o tempo e os meses já não se correspondiam como antigamente; a primavera da Europa, por exemplo, vinha em Janeiro e o inverno nos meses que deveriam corresponder à primavera. O mês "quintilius" foi eliminado em sua honra, tomando seu nome, Júlio. 
Otávio Augusto - Imperador 
              O mês de Agosto foi dado em homenagem ao sobrinho de Júlio César, Augusto. Seu nome era Otávio, mas foi mudado e governou os romanos com Marco Antônio e Lepido. Por fim foi imperador e fez muito para o engrandecimento do Império Romano. O povo, na intenção de lhe agradar, mudou seu nome para Augusto, que significa nobre. Nessa circunstância o oitavo mês do ano foi chamado de Augustus. Aqui existe também uma curiosidade; como o mês de Júlio tinha  31 dias e o mês de Agosto só 30, os romanos ficaram preocupados com um possível desagrado a Augusto; assim sendo tiraram um dia do mês de Fevereiro e puseram-no em Agosto.  Por essa razão Julho e Agosto tem 31 dias. A escolha se deu porque os romanos precisavam de uma data para celebrar os feitos de Augusto. No mês de Agosto ele foi eleito cônsul, também por sua dedicação acabaram as guerras e foi neste mês que ele conquistou o Egito. O seu reinado recebeu o nome de "Idade do ouro" porque trouxe paz ao mundo já cansado de tantas guerras; além disso foi um período em que floresceram a arte e a literatura. É bom lembrar que os poetas HORÁCIO E VIRGÍLIO viveram nessa época; fundaram-se então livrarias e construíram-se templos por toda a parte dominada pelo império. Foi no reinado de Augusto que, longe, na Síria, nasceu a criança JESUS MENINO, cujo reinado ainda não acabou e cujo nascimento criou novos costumes e uma nova era. E assim, os dois grandes imperadores romanos ficaram com essa homenagem que chegou até nossos dias. Quanto a Jesus continua imperando e mantendo a cruz de seu sacrifício que é o marco de separação entre o reinado de Augusto e o começo da religião cristã. 

              O primitivo calendário romano tinha apenas dez meses e  começava em março; dessa forma o sétimo mês era Setembro donde vem o nome. Os romanos escreviam VII. Este número lia-se em latim "sptem", de onde derivou September, que em português é o nosso Setembro. 
Calendário Romano

               O nome Outubro vem da palavra oito, cuja origem é o latim "octo". Outubro era o mês das colheitas, em especial da vindima para fabricação de vinhos. No calendário de hoje é o décimo mês, mas no romano, que começava em março era o oitavo. Foi o rei de Roma, Numa, que fixou o princípio do ano no dia 1 de Janeiro; mas, mesmo assim, Outubro continuou tendo o mesmo nome. Tanto os romanos como os gregos celebravam muitas festividades neste mês, principalmente para homenagear as boas colheitas, cujas frutas eram oferecidas às divindades. Em uma destas festas era costume atirar, aos poços e fontes, coroas tecidas de flores e ervas; um tributo às ninfas, a quem tais festas eram consagradas. 
                 Novembro também tem origem no número que é nove -Antigo calendário romano- chamava-se "November". Contava-se entre os mais importantes do ano pelo respeito Á festividades e ritos religiosos; estava consagrado a Diana -deusa das montanhas, dos bosques e da caça -. As festividades começavam com um banquete dedicado a Júpiter e com jogos circenses, chamados assim porque se realizavam no circo. No mesmo mês se celebravam os jogos "plebeus", instituídos para comemorar a reconciliação de patrícios, ou nobres, e plebeus; se ofereciam sacrifícios a Netuno, deus dos mares; nesse mês se faziam as festas "brumaes" (latin), ou do inverno, por começar o tempo chuvoso, nevoento, frio e desagradável na Itália. 
                 O mês de Dezembro era o décimo mês no calendário romano e chamava-se "December" de "decem", dez - o último mês. Dezembro é um mês característico do frio inverno nos países da Europa, e por isso é representado numa paisagem desolada, com caminhos cobertos de neve. Hoje é costume figurá-lo por um velhinho de barbas brancas, que traz brinquedos para as crianças na época de Natal. Para muitos esse velho representa São Nicolau, que viveu no século IV e é considerado como patrono das crianças. Esta ideia origina-se numa lenda segundo a qual São Nicolau teria feito ressuscitar três crianças que haviam sido assassinadas por um bandido. 
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Nicéas Romeo Zanchett 

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