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domingo, 10 de março de 2013

JESUS CRISTO NÃO CRIOU O CRISTIANISMO

                                       JESUS CRISTO NÃO CRIOU O CRISTIANISMO 
Apesar do grande desenvolvimento dos estudos bíblicos e da pesquisa científica  sobre a origem do Cristianismo ainda pairam muitas dúvidas e incertezas sobre o Jesus histórico e a sua mensagem. Os estudos mostram que ele era um humilde pregador, mas nunca teve a intenção de criar uma nova igreja. Na verdade, pouco sabemos da vida do Jesus histórico. 
Historiadores, lingüistas, arqueólogos e teólogos juntaram evidências de que em Belém ou em Nazaré, no ano 6 ou 7 a.C. nasceu um menino que recebeu o nome de Yeshua Ben Yossef que, em aramaico, quer dizer Jesus filho de José.
Durante muitos séculos Jesus foi pouco conhecido históricamente. A comparação entre o Jesus hisórico e o Jesus idealizado pela Igreja Católica é muito provocativo e desperta reações de todo o tipo. Por isso é difícil que alguém tenha coragem de dizer o que realmente sabe à respeito. O que se pode constatar é que as pessoas demonstram total desconhecimento sobre o que era a palestina no século 1°. Para a maior parte dos estudiosos bíblicos, o judaico-cristianismo palestino do século 1° não era uma nova religião. Segundos estes mesmos estudiosos, Jesus foi um fiel seguidor da religião judaica. Mas era um pregador muito especial. Seu poder carismático atraía a todos e assim ele podia pregar os ensimentos que hoje chamamos de "princípios cristãos". Ele foi um incômodo profeta judeu, que lembrou aos homens de que a fé poderia e deveria conviver com a compaixão, a criatividade, a aventura e amor à vida. Trouxe  uma nova perspectiva para o que era chamado de Reino de Deus. A tradição da Igreja prega o reino do futuro como sendo de justiça e de santidade. Mas Jesus Cristo estava entre aqueles que vivem o aqui e agora. Para ele o reino era a realidade presente. 
Até o século 19 era praticamente nulo o conhecimento histórico sobre jesus. As únicas fontes conhecidas sobre a vida e os ensinamentos  da figura humana central do Cristianismo foi o Novo Testamento, em especial os evangélios de Marcos, Mateus, Lucas e João. Na antiguidade, os textos históricos  consistiam em crônicas e narrativas. Já na idade média, sobre o enorme poder da Igreja, eles continuaram com as características desses gêneros, mas passaram a mostrar  a história como um mero desdobramento dos planos de "Deus". Foi nesse contexto que, em meados do século 19, os estudiosos da religião começaram a admitir que os textos evangélicos , assim como todo o conteúdo da Bíblia, não podiam ser aceitos como trabalhos históricos. Isso mostra que há um descompasso  entre o que a Igreja conhece por meio das pesquisas e a versão que se cristalizou ao longo de quase dois mil anos sobre como surgiu realmente o cristianismo.
Rochus Zuurmod, professor de teologia bíblica da Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, em seu livro "Procurai o Jesus Histórico?" disse: "Existe um abismo cada vez mais alarmante entre os resultados da pesquisa  científica em torno da Bíblia e o que dela sabe o cidadão comum, pertencente ou não a alguma igreja". Ainda, segundo suas informações, as histórias da Bíblia foram contadas com base nos pressupostos de quem as contava e de acordo com a função que queriam dar a elas. 
A história oficial nos informa que Jesus viveu entre o ano 1 e o ano 33, quando foi cruxificado. Portanto, ele viveu algumas décadas antes da Guerra Judaica (66 x 70 d.C.), quando o general romano Vespasiano, depois imperador, sufocou a grande rebelião da Judéia, destruiu o templo de Jerusalém e massacrou os judeus. Ora, os evangélios foram escritos depois desse conflito, quando diversas facções do judaísmo foram extintas por causa do elevado número de mortes. O judaísmo pós anos 70 d.C. foi reconstruído pela seita dos fariseus. Para eles, mesmo antes desse período, Jesus não era o messias previsto pelos profetas do Antigo Testamento.  Já naquela época, os cristãos não cumpriam o ritual da circuncisão e nem as restrições de alimentos que eram fielmente observados pelos judeus.   Por essas e outras razões, os fariseus e os novos seguidores de Jesus foram se tornando duas seitas  que acreditavam no mesmo Deus, mas eram antagônicas. Esse antagonismo  se refletiu nos evangélios. Há fortes evidências de que o Evangélio de Marcos foi escrito na época da guerra e essa é talvez uma das razões de menos antagonismo entre as duas seitas.  Por outro lado, a imagem de Jesus em confronto com os fariseus em discussões sobre religião, é um forte indício  de que ele teria profundas divergências com essa seita. Mas é preciso considerar que os fariseus  valorizavam muito os debates  sobre os princípios da religião e só o praticavam  com aqueles que respeitavam. Isso quer dizer que eles não teriam debatido com Jesus, como mostram os evangélios, se não tivessem respeito por ele e, acima de tudo, se, em vez de ser um seguidor do judaísmo, ele estivesse pregando uma outra religião. Por outro lado, é preciso considerar que os debates de Jesus só foram registrados pelos evangelistas apos nos anos 70 d.C. e, assim, foram decontextualizados. Portanto, os evangéliuos devem ser compreendidos  à luz de mudanças de contextos históricos. 
Segundo o que Mateus escreveu, Jesus teria incumbido Pedro de construir um templo religioso e fundar uma nova religião. Mas é preciso considerar que a frase, qualquer que tenha sido, foi dita em aramaico, língua, do dia-a-dia, falada na Palestina. (o hebraico só era usado em atividades religiosas), mas as versões mais antigas dos textos de Mateus estão em grego que, mesmo sob a dominação romana, era o idioma oficial. A palavra "Igreja", que hoje conhecemos,  é a tradução do grego "enklesía", que então significava comunidade. Portanto, Jesus estava se referindo à criação de uma comunidade e não a uma nova igreja ou religião. Ele não estava interessado numa revolução política, mas buscava apenas uma revolução social que afetaria as profundezas mais perigosas do poder dominante. O ideal comunitário e igualitário de Jesus  ia contra os interesses da casta de saduceus, que abrangia chefes religiosos e políticos, bem como o clero latifundiário  conivente com a realidade imperialista e comunitária da ocupação da Palestina  por Roma.  Uma das certezas das pesquisas cristológicas é de que somente os saduceus participaram com os romanos do processo que levou Jesus à morte por cruxificação. Jesus sempre levou muito a sério o que a religião de seu povo pregava. E foi na sua experiência humana que ele aprendeu isso. As palavras Reino de Deus, mensagem central de Jesus, é o grande enigma que precisa ser desvendado. Para ele  a verdadeira religião era a vida, o modo de se comportar com Deus e seus semelhantes. Tudo o que foi escrito posteriormente são idéias e invenções de diveros escritores com o objetivo de idealizar a Igreja com base no Cristianismo criado por Saulo de Tarso (São Paulo). 
As informações sobre a vida de Jesus, o apóstolo Paulo e a elaboração do Novo Testamento foram enriquecidas com o auxílio de fontes independentes  do Cristinismo, como os judeus Flávio Josefo e Filo de Alexandria, além dos romanos Tácito e Seutônio. 
A dominação da Palestina  por Roma a partir de 63 d.C. obrigou os escritores a mudarem a verdadeira história. A participação dos judeus na condenação de Jesus, na forma mostrada pelos textos dos apóstolos, foi um recurso para evitar problemas do Cristinismo com Roma. Note-se que, segundo os escritores evangelistas, Pilatos lavou as mãos. Foi a forma encontrada pelos historiadores para isentá-lo da responsabilidade sobre a decidida morte por cruxificação. É lógico que aquele apóstolo humilde despertava medo nos poderosos, mas eles precisavam manter a boa imagem diante do povo. Era uma época de intesas perseguições aos judeus. A cruxificação era uma pena aplicada apenas aos que  eram considerados contrários á ordem estabelecida em Roma.
São Paulo, tambem chamado de Saulo de Tarso, Paulo de Tarso e Apóstolo Paulo, foi um dos mais influentes escritores do Cristianismo primitivo. Suas obras compõem parte significativa do Novo Testamento. Ele se dedicava á perseguição dos primeiros discípulos de Cristo na região de Jerusalém. A história contada é de que Saulo de Tarso, o soldado romano, durante uma perseguição aos discípulos, teve uma visão de Jesus envolto em uma grande luz que o cegou. Permaneceu cego durante tres dias e ao recuperar a visão começou a pregar o Cristinismo. Portanto êle foi o principal lider do Cristianismo nascente.
Jesus Cristo, um humilde apóstolo judeu, queria apenas transmitir sua sabedora e aliviar o sofrimento dos menos favorecidos. Por suas posições contrárias a muitos interesses acabou cruxificado, a mais degradante execução que poderia ser imposta pelo Império Romano, entidade política dominante  na região. Para seus seguidores, que a seu lado se mantiveram até aquele momento fatídico, êle era o único homem capaz de restaurar a independência de Israel, tornar-se rei dos judeus e reformar o judaísmo, devolvendo-lhe o caráter distinto das religiões pagãs de todos os outros povos. Nenhum dos seus 11 companheiros gozava de algum poder entre seus compatriotas judeus e muito menos no Império Romano. 
Ao longo do século 20, cresceu a compreenção da importância do esforço do apóstolo Paulo na contrução do Cristianismo e no seu direcionamento que, em poucas décadas, o tornou uma religião distinta do judaísmo. 
A perseguição aos cristãos, imposta pelo imperador romano Dioclessiano (245 x 313), que passou para a história como o maior assassino dos cristãos, durou cerca de 10 anos (303 x 312). Os mártires atingiram a absurda cifra de 20 mil, o maior massacre daquela época, considerando que a populaçao mundial era relativamente pequena. Com a chegada  de Constantino (Flavius Valérius Constantinus) - O Grande - impertador romano (272 x 337, filho de Constâncio, que foi levado ao poder pelo seu exército, o império tomou novo rumo.  Conta-se que Constantino teve a visão de uma cruz  com a inscrição em grego "tout o nika" (triunfa por meio desta). Disse a todos que sua vitória sobre Maxêncio, nas margens do rio Tibre em 312 foi resultante de intertvenção sobrenatural. Converteu-se cristão, mas nunca se batizou. A partir daquele momento estabeleceu um regime de tolerância  para a Igreja Cristã por meio do Edito de Milão (313).  Em 324 tornou-se o único imperador romano e aos poucos foi imbuindo o "espírito cristão" nas leis romanas. Suprimiu o sacrifício da cruz, os combates de gladiadores e favoreceu a libertação dos escravos. Intitulou-se o protetor da Igreja e defensor da fé ortodoxa. Construiu muitos templos e reuniu o Concílio Ecumênico de Nicéia (325). O "imperador cristão"concedeu ao Cristianismo plena liberdade, cumulou de honras os chefes espirituais da jovem igreja, confiou-lhes elevados cargos políticos na administração do império e, dessa forma,  entregou-lhes as chaves para grandes fortunas. Estava lançado o germe da corrupçao interna, não do Cristianismo em si, mas de numerosos cristãos que tinham nas mãos os destinos históricos dos ensinamentos de Cristo. Constantino e seus auxiliares conseguiram, em poucos anos, a paz que Nero, Diocleciano e seus comparsas não haviam conseguido em três séculos de guerra.  Mas o verdadeiro Cristianismo nunca foi compatível com as realidades vividas pela humanidade nestes quase dois mil anos de sua existência.
O Império Romano necessitava dar estabilidade a todo o território conquistado, levando os integrantes de todos os povos dominados a adquirirem um sentimento de romanidade. Somente a força e o poder do Imperador não se mostravam capazes de criar um Estado estável. Era necessário que as pessoas quisessem pertencer a uma entidade mais ampla que o próprio império. ( No passado, mais do que hoje, a identidade das pessoas estava fortemente ligada à religião a que cada um pertencia. ) O Cristianismo, criado por Paulo Tarso, era a religião ideal e necessária para o Império Romano. Tratava-se de uma religião universalista que abolia as diferenças entre as pessoas. Dessa forma, o Cristianismo, que tanto sofreu perseguição do império, ajudava-o na manutenção do poder. Mas também foi beneficiado pelo poder de Roma. Com a queda do Império Romano,  a Igreja Cristã se tornou a herdeira natural do poder sobre os povos dominados e cristianizados. Constantino foi seu primeiro Papa, mas depois dele outros deram continuidade, sempre ampliando o poder e a riqueza.  Por ter servido de base ideológica para o mais amplo império daquele tempo, se tornou a primeira religião universal. É a principal religião da Europa, das Américas, da Oceania. Tem fortíssima presença na Africa e existe em quase todos os países da Ásia. É fácil compreender porque isso aconteceu. Desde o início, Jesus foi visto pelos fieis da Igreja nascente como a encarnação de Deus na Terra. 
Apesar dos problemas que a atual Igreja vem passando, não se pode negar que ela tornou-se a maior força civilizatória  que a humanidade conheceu. Não quero aqui entrar em explicações sobre as questões da fé ou de qualquer dado metafísico ou sobrenatural. É um assunto que merece todo o respeito a cada fiel participante. Mas, fatos passados, não desaparecem nem mesmo por milagre. Onde exite poder, existe corrupção e criminalidade. É ilusão acreditar que os problemas evocados hoje em dia no seio da Igreja foram descobertos recentemente. O problema do celibato dos padrees e com ele a pedofilia,  o problema do controle da natalidade, o problema das relações sexuais antes do casamento, o problema da sexualidade fora do casamento foram todos colocados antes da última guerra mundial. A separação entre a Igreja e a Ciência causou um grande abalo na autoridade religiosa e na disciplina por ela imposta. Cada vez mais a ciência moderna se coloca com menos boa vontade a serviço da moral que a igreja tenta impor. 

O sábio filósofo germânico Keyserling disse: "Os grandes homens da história não são grandes pelos problemas  que solveram nem pelos pensamentos que definiram, mas, sim, pelas direções cósmicas que deram, pelas vastas perspectivas que rasgaram à humanidade de todos os tempos.  Se solveram algum problema  ou definiram algum pensamento, é isto precisamente o limite da sua grandeza e o princípio da sua pequenez. A sua verdadeira grandeza  está nas orientações que deram, porque essas orientações vão para o infinito...."
Nicéas Romeo Zanchett
 http://educopedialiteratura.blogspot.com.br



domingo, 26 de junho de 2011

O CELIBATO CLERICAL - ABSTINÊNCIA SEXUAL

                                   O CELIBATO CLERICAL - ABSTINÊNCIA SEXUAL
O celibato já existia no século I, entre os eremitas e monges. Naquela época  era considerado um estilo de vida opcional, alternativo. Foram os políticos medievais que deram origem à disciplina do celibato clerical obrigatório.
O primeiro celibato obrigatório da Igreja Católica foi decretado pelo Concílio de Elvira (295 x 302). Elvira era uma simples província romana e por isso essa decisão não foi cumprida por toda a Igreja.  Já o Concílio de Nicéia (323), do Imperador Constantino, decretou que "todos os membros do clero estão proibidos de morar com qualquer mulher, com exceção da mãe, irmã ou tia".
Foi no ano 313 d.C. que o imperador romano Constantino legalizou o cristianismo dentro do império e, dando continuidade a seu plano de poder, construiu muitos templos e igrejas permitindo assim o seu crescimento em grande escala. Com a legalização, no ano 380 d.C. sob o governo de Teodósio, a igreja primitiva mudou de um grupo de pequenas comunidades perseguidas na fé para um poder mundial.
Com o cristianismo sendo a religião oficial do Império Romano, muitas coisas mudaram  para os cristãos. Seus líderes deixaram de se esconder e passaram a receber pagamento pelos seus trabalhos eclesiásticos com privilégios especiais na sociedade romana. Esses privilégios atraíram os membros da elite que eram homens treinados na vida política.  Foi então que surgiram os primeiros padres sem nenhum embasamento bíblico. Com a elite política usufruindo das benesses da igreja institucional, emergiu uma espécie de imitação do governo romano dentro da Igreja Católica.  Governantes e súditos começaram a substituir as pequenas comunidades embasadas na família, as quais eram servidas por um sacerdócio  local casado. Com o passar dos anos os novos padres romanos agiram, nas pequenas comunidades, no sentido de retirar a autoridade dos padres que eram casados a fim de consolidar o poder político ao seu redor.  Com a assistência do império romano, a liderança da igreja tornou-se uma hierarquia afastada das origens familiares. Criou-se a mentalidade de que essa classe governante estava acima do povo e que eram representantes oficiais de Deus na terra.
Com o passar dos anos diversas mudanças aconteceram retirando os direitos do povo  em favor dos políticos romanos. Istituiu-se a prática de que somente homens tivessem autoridade institucional. A Igreja Romana  desviou-se  dos costumes incentivados pelo  Senhor Jesus Cristo, que sempre exaltava o papel da mulher na família e na sociedade. Elas tiveram sua condição rebaixada e assim criou-se o celibato clerical.  O celibato passou a ser defendido como essencial,  uma vez que celibatários eram mais livres e disponíveis. Com o tempo o novo clero regular foi se destacando em relação ao clero secular familiar. Mas nas "Sagradas Escrituras" não há nenhuma determinação a esse respeito.
Ao longo do tempo, para ampliar poderes políticos e econômicos, o celibato adquiriu o status de  espiritualidade especial, começando a denegrir a santidade matrimonial e a vida familiar. A antiga prática romana de abster-se das relações conjugais, para conservar energia  antes de uma batalha ou de um evento esportivo, enconctrou seu caminho na prática  litúrgica. Aos padres casados foi ordenado absterem-se de intimidade sexual com suas esposas na véspera da celebração das missas. O celibato tornou-se outra oportunidade política nas mãos dos padres e bispos ambiciosos. Os oportunistas, que eram celibatários, usavam sua condição como ferramenta no sentido de diminuir a influência dos padres casados criando desconfianças sobre suas reais abstinências sexuais.  Com essa nova atitude negativa em direção às mulheres, a abstinência sexual começou a emergir na hierarquia, a qual se colocou em árduo contraste à saudável perspectiva familiar pregada por Cristo, que era objetivo central da igreja primitiva.  O celibato foi então estabelecido
 como o mais elevado estado de santidade e conseqüente supressão do sacerdócio casado. 
No ano 366, o Papa Damásio começou a perseguir o sacerdócio casado quando declarou que os padres podiam continuar a casar, porém ficavam proibidos de fazer amor com suas esposas. Tanto os padres como o povo regeitaram essa nova lei.
No ano 385, o Papa Sirício abandonou a própria esposa e os filhos a fim de ascender à posição papal.  Ao subir ao poder, imediatamente decretou que nenhum dos padres poderia mais continuar casado, porém, até hoje, não conseguiu obediência à sua lei.
Essa preocupação desmedida com a sexualidade clerical sempre foi contrária às relações  normais do ser humano e fora do andamento natural da vida, conforme reconhecido por todas as religiões e seitas como algo estabelecido por Deus.
No ano 401, Santo Agostinho escreveu: "Nada tão poderoso para neutralizar o espírito de um homem como a carícia de uma mulher".
A crescente atitude contra a sexualidade e as mulheres foi a odiosa forma encontrada para controlar os aspectos íntimos da vida das pessoas e essa prática prossegue até os nossos dias.
Não foi por obediência às "Escrituras", mas por conveniência política que a Igreja Católica Romana se colocou contra o divórcio. A hierarquia da igreja medieval estava em luta com muitas monarquias e famílias reais através da Europa. Com a capacidade de controlar os casamentos reais, a igreja percebeu que poderia influenciar as alianças políticas e manipular os assuntos de Estado. Proibiu o divórcio e um segundo casamento, e quem não observasse suas novas ordens seria punido com a privação de sacramentos da instituição.
No século XI, os ataques contra os padres casados aumentaram de intensidade. Em 1074, o Papa Gregório VII legislou que qualquer homem que fosse ordenado padre deveria, antes, declarar o celibato. Prosseguindo seus ataques contra as mulheres e à sexualidade, Gregório declarou publicamente que "a Igreja não pode escapar das garras do laicato, a não ser que padres escapem das garras de suas esposas".
Em 1095 houve uma escalada de violência contra os padres casados e suas famílias. O Papa Urbano II ordenou que os padres casados que ignorassem a lei do celibato fossem aprisionados para o bem de suas almas. Em seguida ordenou que as esposas e seus filhos fossem vendidos como escravos, que os bens da família fossem desapropriados, e que o diheiro apurado fosse levado aos cofres da Igreja.
Os esforços para consolidar o poder na hierarquia medieval com a desapropriação dos bens e das terras das famílias dos padres casados alcançaram o ápice em 1139.
O celibato clerical foi definitivamente oficializado, com legislação específica, no Concílio de Latrão, sob o papado de Inocêncio II. A motivação das leis foi adquirir terras, com desapropriações,  em toda a Europa, fortalecendo assim o poder do papado e da Igreja.
Usando uma linguagem convincente, a lei do celibato falava em pureza e santidade, mas o seu verdadeiro objetivo era consolidar o controle sobre o clero mais baixo e eliminar qualquer confrontação aos objetivos políticos na hierarquia medieval. Com isso a respeitável tradição do sacerdócio casado foi virtualmente diluida pelo celibato forçado.
A maioria dos atuais problemas em relação à vida sexual dos padres e bispos, casados ou não, tem origem no passado histórico da igreja. Nos últimos anos, mais de 100.000 padres católicos, no mundo inteiro, casaram e continuaram a praticar discretamente o sacerdócio. Nos Estados Unidos, atualmente, em cada três padres um é casado e esse número continua crescendo. É interessante observar que esses novos padres praticam  um sacerdócio com uma compaixão mais profunda pelas pessoas e não as consideram seres inferiores ao clero. Os padres casados entendem as necessidades especiais dos católicos divorciados que desejam contrair um segundo matrimônio com cerimônias cristãs. Principalmente as mulheres se mostram profundamente comovidas pela honestidade e respeito demonstrados por esses padres às suas esposas e pela sensibilidade que demonstram diante dos problemas femininos.
Uma pesquisa recente, feita nos Estados Unidos, indicou que 70% dos americanos aprovam o casamento dos padres. Entretanto, o Vaticano continua irreversível. Quando um padre celibatário resolve casar, não lhe é dada opção alguma que não seja a de assinar enorme quantidade de papeis dizendo que não tem vocação para o sacerdócio, que é psicologicamente instável e moralmente fraco. Um verdadeiro retrocesso aos hábitos medievais.
Cada lei celibatária é referida como Cânon. O Cânon 290 determina a indissolubilidade do sacerdócio quando diz: "Após ter sido recebida validamente a ordenação, ela jamais poderá ser invalidada". Portanto, para os cristãos, esta lei confirma que os sacramentos dados aos fiéis pelos padres casados são tão válidos como os dos celibatários.
O celibato obrigatório é uma lei feita pelo homem medieval que tem trazido enormes problemas, com relação ao sexo, para as igrejas católicas no mundo todo. O corajoso bispo Ulrich de Ímola agumentou que a igreja não tinha o direito de proibir o casamento dos padres e aconselhou os bispos a não abandonarem suas famílias. Ele disse: "Quando o celibato  é imposto, os padres cometem pecados muito maiores do que fornicação". O grande número de prisões de padres envolvidos em má conduta sexual, principalmente a pedofilia, tem comprovado o quanto ele estava certo.  As evidências criminais comprovam que o celibato obrigatório está diretamente ligado aos diversos abusos sexuais cometidos pelos padres.
As saudáveis origens da família, do amor entre homem e mulher, pregado por Cristo, foram desperdiçados com a supressão do sacerdócio casado, principalmente com a desvalorização das mulheres pela igreja.
O recente Papa João Paulo II declarou que o celibato não é essencial ao acerdócio. O movimento começa a ganhar espaço entre os fiéis mais conscientes, e algumas mudanças na igreja têm acontecido atravês de iniciativas do povo.
Com a queda do Império Romano, a Igreja Católica Cristã cresceu muito em poder econômico e político, tornando-se uma poderosa organização milenar que congrega fiéis em todo o mundo. Mas, em pleno século XXI, ela não poderá continuar parada no tempo medieval, sob pena de ver seu poder minguar. A escassez de padres celibatários está causando o fechamento de paróquias e ameaçando a disponibilidade de missas e outros sacramentos, que são atividades essenciais da comunidade cristã. Os estudos feitos sobre o assunto, inclusive pela própria Igreja, sobre essa crise - falta de padres ativos - vai piorar nos próximos anos. A maioria dos atuais padres celibatários é idosa e não tem condições de atender ao crescente número de católicos e, portanto, está em  estado de emergência.
O sexo é uma necessidade biológica e um instinto natural de todos os seres vivos. O homem moderno evoluiu muito, mas seus hormônios continuam na era ancestral.
Nicéas Romeo Zanchett
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