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sábado, 19 de maio de 2012

OS PRINCIPAIS FATOS DO ÚLTIMO MILÊNIO

         OS PRINCIPAIS FATOS DO ÚLTIMO MILÊNIO
Ano 1000 - Os chineses usam a pólvora em fogos de artifício. 
Ano 1026 - Guido d'Arezzo introduz a clave de sol  (dó, ré, mi, fá...)
Ano 1066 - Os normandos conquistam a Grã-Bretanha. 
Ano 1089 - O papa Urbano II conclama os cristãos à primeira cruzada. 
Ano 1206 - Genghis Khan transforma-se no lider dos mongóis. 
Ano 1215 - Fundação das modernas democracias com a assinatura da Carta Magna. 
Ano 1258 - Os mongóis conquistam Bagdá.
Ano 1271 - Marco Polo parte de Veneza rumo à China.
Ano 1273 - Summa Theológica deTomás de Aquino.
Ano 1300 - Início da Renascença na Itália.
Ano 1314 -  Dante Aliguieri escreve a Divina Comédia. 
Ano 1347 - A peste bubônica se alastrapela Europa. 
Ano 1428 a 1.519 - Período em que o Império Azteca domina o México. 
Ano 1453 - Queda de Constantinopla.
Ano 1455 - Joannes Gutemberg lança a primeira tiragem de 200 Bíblias compostas em tipografia. Até então eram escritas por escribas. 
Ano 1478 - A Inquisição espanhola é promovida pelos reis Fernando e Isabel.
Ano 1492 -Cristóvão Colombo descobre a América.
Ano 1500 - Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
Ano 1513 - Maquiavel escreve "O Príncipe". 
Ano 1517 - Martinho Lutero lança as 95 teses da Reforma na Igreja.
Ano 1543 - Nicolau Copérnico estabelece o postulado segfundo o qual o Sol é o centro do Universo.
Ano 1582 - O papa Gregório XIII introduz o calendário utilizado até os nossos dias.
Ano 1592 - Willian Shakespeare torna-se uma celebridade na dramaturgia inglesa.
Ano 1609 - Galileu Galilei faz a primeira observação astronômica com um telescópio. 
Ano 1637 - Descartes cria a geometria analítica. 
Ano 1664 - Moliére termina o Tartufo. 
Ano 1721 - Bach compõe o Concerto de Brandemburgo.
Ano 1764 - Início da Revolução Industrial na Inglaterra.
Ano 1760 - Mozart, aos 8 anos, escreve sua primeira sinfonia.
Ano 1776 - Declaração de Independência dos Estados Unidos.
Ano 1785 - Herschei mapeia a Via Lâctea. 
Ano 1789 - Queda da Bastilha.
Ano 1815 - Batalha de Waterloo. Napoleão Bonaparte é derrotado. 
Ano 1822 - D.Pedro I declara a Independência do Brasil.
Ano 1826 - Niepce faz a primeira fotografia.
Ano 1846 - O dentista William Morton aplica éter em um paciente e realiza a primeira cirurgia sem dor. 
Ano 1848 - Marx e Engels escrevem O Manifesto Comunista.
Ano 1859 - Chales Darwin publica A Origem das Espécies. 
Ano 1860 - Lenoir desenvolve o primeiro motor de combustão interna.
Ano 1865 - O presidente americano Abraham Lincoln é assassinado. 
Ano 1867 - O Japão põe fim ao período Shogun e inicia a modernização de sua sociedade.
Ano 1876 - Graham Bell patenteia o telefone.
Ano 1879 - Thomas Édison constrói a lâmpada incandescente com filamento de carbono. 
Ano 1880 - Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha iniciam a colonização da África. 
Ano 1885 - Daimler e Benz desenvolvem o motor a gasolina. 
Ano 1888 - O Brasil abole a escravatura. 
Ano 1891 - Friedrich Nietzche publica Assim Falou Zaratustra. 
Ano 1895 - Os irmãos Lumière projetam o primeiro filme de cinema. 
Ano 1896 - Marconi realiza a primeira transmissão por rádio. 
Ano 1898 - Pierre e Marie Curie descobrem a radioatividade.
Ano 1899 - Sigmund Freud publica A Interpretação dos Sonhos. 
Ano 1903 - Os irmãos Wrigth põem no ar o primeiro aeroplano. 
Ano 1905 - Albert Einstein anuncia a Teoria da Relatividade: E=mc2.
Ano 1906 - Santos Dumont voa com o 14-Bis. 
Ano 1907 - Pablo Picasso e braque fundam o cuibsmo. 
Ano 1912 - Rutherford descreve o átomo. 
Ano 1914 - O assassinato do arquiduque Ferdinando, da Áustria, em Sarajevo, precipita a I Guerra Mundial. 
Ano 1917 - Lenin lidera a Revolução Bolchevique. 
Ano 1918 - Mulheres inglesas ganham o direito ao voto.
Ano 1922 - Stalin assume a secretaria-geral do Partido Comunista Soviético. 
Ano 1926 - Baird faz a primeira demonstração da TV
Ano 1927 - O Cantor de Jazz é o primeiro filme falado. 
Ano 1928 - Alexandre Fleming descobre a penicilina. 
Ano 1929 - Crash da Bolsa de Nova York. 
Ano 1933 - Adolf Hitler é eleito chanceler da Alemanha. 
Ano 1939 - A Alemanha invade a Polônia. Começa a II Guerra Mundial. 
Ano 1945 - A bomba atômica é jogada em Hishima e Nagasaki. È criada a ONU. 
Ano 1949 - Mao Tsé-tung lidera a Revolução Chinesa. 
Ano 1951 - Pincus inicia pesquisa sobre a pílula anticoncepcional.
Ano 1953 - Crick e Watson descrevem a estrutura do DNA. 
Ano 1957 - A União Soviética põe no espaço o primeiro satélite, o Sputnik I. 
Ano 1959 - Che Guevara e Fidel Castro derrubam o ditador cubano Fulgêncio Batista. 
Ano 1962 - Abertura do Concílio Vaticano II, pelo papa João XXIII.
Ano 1963 - John Ftzgerard Kennedy é assassinado em Dallas. 
Ano 1965 - Os Estados Unidos começam o bombardeio mais pesado no Vietna. 
Ano 1966 - A Xerox lança a primeira máquina de faz da História. 
Ano 1967 - O sul-africano Chiristian Barbard realiza o primeiro transplante de coração. 
Ano 1968 - Os estudantes vão às ruas em Paris. 
Ano 1969 - Pelé faz o milésimo gol. Armstrong e Aldrin andam na Lua. Surge o primeiro videocassete da Sony. 
Ano 1971 - A Intel põe no mercado o primeiro microprocessador. 
Ano 1972 - Pong, o primeiro videogame. 
Ano 1975 - Bill Gates e Paul Allen fundam a Microsoft.
Ano 1976 - Steve Jobs lança o Apple I. 
Ano 1978 - Em 16 de outubro, Karol Joseph Wojtyla torna-se o papa João Paulo II. Louise Brown é o bebê de proveta número 1. 
Ano 1979 - Walkman, da Sony entra no mercado. 
Ano 1981 - A IBM lança o PC. 
Ano 1982 - O computador é escolhido "a máquina do ano" pela revista Time. Surge o primeiro produto comercial resultante da engenharia genética: a insulina humana. 
Ano 1989 - Cai o Muro de Berlim.
Ano 1990 - Surge a Word Wide Web. 
Ano 1991 - A CNN transmite a Guerra do Golfo ao vivo.  Gorbachev é apeado do poder. É o fim da União Soviética. 
Ano 1997 - A ovelha Dolly mostra sua cara. 
Ano 1998 - O grande escândalo sexual entre Bill Clinton, presidente americano, e Mônica Lewinsky.
Ano 1999 - Acesso gratuito à Britânica na Internet. 
A evolução humana continua acelerando de forma geométrica. No último século do milênio o mundo progrediu mais do que em toda sua história conhecida. Para onde vamos?
Nicéas Romeo Zanchett







terça-feira, 1 de maio de 2012

OS DIFERENTES GRUPOS DO ORIENTE MÉDIO

                              OS DIFERENTES GRUPOS DO ORIENTE MÉDIO
                                                   Por Nicéas Romeo Zanchett 
                    A região que compreende o Oriente Médio está localizada na porção oeste do continente asiático e é conhecida como Ásia Central. A população em torno de 260 milhões de habitantes está distribuída numa extensão territorial de mais de 6,8 milhões de quilômetros quadrados. 
                   Trata-se de uma das áreas mais conflituosas do mundo. São muitos os fatores que contribuem para isso, entre eles: a sua própria história - local de origem dos conflitos entre árabes, israelenses e palestinos; a posição geográfica, no contato entre três continentes; suas difíceis condições naturais com falta de água - a maior parte dos países  ali localizados é dependente de água dos seus vizinhos; a existência de grandes recursos estratégicos no subsolo - petróleo.
                     Para entender o Oriente Médio é preciso considerar a história e suas tradições, conhecer e compreender as distinções básicas existentes naquela região. Árabes, curdos, turcos e persas são grupos étnicos, enquanto xiitas e sunitas são seguidores de correntes do islamismo. Deve-se levar em conta o fato de que nem todo o muçulmano é árabe, como também nem todo o árabe é muçulmano. 
                     Os árabes são o maior grupo étnico do Oriente Médio. São maioria no Egito, Jordânia, Síria, Líbano, Iraque, nos países da península Arábica e nos territórios sob a Autoridade Palestina. Também estão presentes nos países do norte da África. O grupo é originário da península Arábica, de onde se espalharam , a partir do século 7, em uma grande corrente migratória provocada pela expansão do islamismo. Entretanto, não é a religião o principal fator que os une e sim a língua que pertence ao tronco semítico (assim como o hebraico). 
                    Os persas são descendentes de povos indo-europeus que chegaram à região do Irã através da Ásia Central por volta do ano 1000 a.C. Sua língua é escrita em caracteres árabes. 
                        Os turcos são originários da Ásia Central, de onde migraram por volta do século 10. Eles formam mais de 80% dos habitantes da Turquia. Seu idioma era escrito em caracteres árabes até 1929, quando se adotou o alfabeto latino. É preciso não confundir árabe com turco. Essa confusão teve origem por ocasião da entrada de imigrantes em nosso país (Brasil) quando árabes usaram passaporte turco como documento oficial para aqui serem aceitos. 
                    Os curdos formam o maior grupo étnico sem Estado do mundo. Eles ocupam um território de cerca de 500 mil quilômetros quadrados que engloba parte da Turquia, Irã, Iraque, Síria, Armênia e Azerbaidjão. Seu idioma é indo-europeu, como o persa, mas a grafia é variável. Os curdos da Turquia usam o alfabeto latino, enquanto os da Síria, Iraque e Irã usam o árabe. 
                    A religião exerce um forte domínio sobre este povo, onde 90% da população é seguidora do islamismo. O islamismo tem duas principais vertentes: o sunismo e o xiismo com mais de 1.3 bilhões de seguidores em todo o mundo. Os sunitas são a maioria, cerca de 85% do total. A palavra sunismo vem do árabe sunnat annabi ("tradição do profeta").  Os xiitas são maioria apenas no Irã, Iraque e Barem. Entre as diferenças  destaca-se o gestual realizado durante as orações. 
                    A maioria dos muçulmanos da Turquia é sunita. A população, naturalmente, é distribuída de forma muito desigual com 80% de turcos e apenas 18% de curdos. 
No Irã os xiitas são maioria esmagadora. Os persas compõem 66% da população. Há ainda os azeris, que falam uma língua correlata ao turco, curdos e árabes. 
                    A Arábia Saudita é o berço da cultura árabe e do islamismo. Foi lá que nasceu Maomé e é lá que ficam as cidades mais sagradas do Islã, Meca e Medina. A maioria da população é sunita. 
                    Meca é a cidade mais sagradas para todos os muçulmanos. Ali está o santuário da Caaba, local de peregrinação anual (hajj) construído por Abraão, o patriarca bíblico. Todo o fiel deve fazer suas cinco orações diárias voltado para Meca.
                    Medina é o segundo lugar mais sagrado para qualquer fiel do Islã. É  a cidade que guarda os restos mortais do profeta Maomé e foi o local para onde ele fugiu no ano de 622. Essa fuga é chamada de Hégira e marca o início do calendário muçulmano. 
                    Karbala é um santuário xiita onde está o túmulo de Hussein, neto de Maomé. Ele acreditava ser o sucessor do profeta, mas quem assumiu o trono foi Yasid. Seu assassinato marcou o cisma  entre os xiitas - seguidores de Ali, pai de Hussein - e os sunitas. É considerada a quarta cidade mais sagrada do xiismo.
                    Najaf, localizada a 160 Km ao sul de Bagdá, é o terceiro local de adoração dos xiitas. Lá está o túmulo de Ali, genro de Maomé e pai de Hussein. Os xiitas consideram Ali como legítimo sucessor de Maomé. Ao contrário de Meca e Medina, a cidade é aberta aos muçulmanos. 
                   Mashhad, cidade próxima à fronteira com o Afeganistão, é onde está o túmulo do imã Ali al Rida, mártir para os muçulmanos xiitas.  É um importante centro de peregrinação no Irã, considerada a quinta cidade mais sagrada  do xiismo.
                    Jerusalém está situada nas montanhas da Judeia, entre o mar Mediterrâneo e o mar Morto. Possui locais sagrados para três religiões monoteístas: judaísmo, islamismo e cristianismo. É o maior centro de tensão do Oriente Médio e a terceira cidade mais sagrada para os sunitas (cristãos e judeus também a tem como um santuário sagrado) Lá está situada a mesquita do Domo da Rocha, de onde Maomé teria ascendido aos céus. 
                    As fronteiras das novas nações, definidas de acordo com interesses europeus e americanos, geraram e continuam gerando vários conflitos. 
                     Os novos Estados árabes - Iraque, Kuwait, Síria, Líbano e Jordânia, vivem em conflitos por recursos naturais. O mais grave ocorreu na Palestina, para onde, até o final da Segunda Guerra Mundial, havia migrado cerca de 500 mil judeus.  Quando foi criado o Estado de Israel, cinco países árabes o atacaram. Foi a primeira das guerras entre árabes e israelenses.  
Nicéas Romeo Zanchett 
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domingo, 29 de abril de 2012

LENDA E HISTÓRIA DO TABACO



           LENDA E HISTÓRIA DO TABACO
Por Nicéas Romeo Zanchett  
                       Conta a lenda que Maomé ia passando com sua caravana por uma longa estrada, quando foi surpreendido por uma serpente, que lhe disse:  - "Maomé, tenho frio, e morrerei se não conseguir me aquecer." 
                 Ouvindo o profeta tais palavras, desceu e apanhou a serpente, colocando-a dentro de suas vestes, bem perto do peito. Quando a cobra se aqueceu, disse ao santo:  - "Maomé, estou quente e quero picar-te." 
                 Admirado o santo retorquiu-lhe:  - "ingrata! Tinhas frio e eu te aqueci junto ao meu peito e agora, que te sentes bem, queres picar-me?"
                Mas a cobra, sem dizer uma palavra, picou-o no braço, saltando logo a seguir.                               Maomé, então, sentindo-se picado, sugou o ponto em que a serpente lhe inoculara o veneno e, logo após, deixou cair na terra o veneno com sua saliva. Momentos depois, naquele lugar, nascia um pé de Tabaco.  
                Realmente, o tabaco possui o veneno da serpente e a saliva do santo. Este vício social já domina o ser humano a muitos séculos. Teve seu auge de sucesso nos anos 50, quando o próprio governo incentivava seu consumo para angariar impostos.  
                 O Tabaco, erroneamente chamado de fumo -(fumo é o combustível da fumaça), é o nome de uma planta da família das Solanáceas, e cujas  folhas, secas, os homens empregam de maneiras diversas, sendo a mais comum aspirar o Fumo ou a fumaça. 
                A fumaça do fumo é uma mistura de gases, vapor de água e partículas mais ou menos tênues, que se desprendem durante a combustão de grande número de substâncias. É um grande sedutor que, pelo sabor ou pelo aroma, ora como distração ora como vício, tem causado enorme mal a saúde da humanidade. 
               Irmão mais benevolente do ópio, não nos deixa de arrastar aos grandes sofrimentos que todo o vício impõe, obrigando-nos com sua aquisição diária a prejudicar o bolso e a saúde que muitas vezes se abala pelo abuso. E ainda o usamos quando, já sensível nosso organismo, por uma causa qualquer, teimamos, procurando adaptá-lo à nossa vontade, sem nos incomodarmos com sua ação. É o traidor que nos agrada pela sua traição, é o Santo Demônio, que nos deleita e ilude, na falsa suposição de uma ventura, mas que lentamente nos vai intoxicando com seu veneno disfarçado no fumo que se evola, e com êle nosso pensamento.
               Antes da descoberta da América, o tabaco não era conhecido na Europa. Com a chegada dos portugueses  ao Brasil o uso do tabaco já era conhecido dos índios, o que despertou, mais tarde, a atenção do pregador Andre de Thevenet, membro da expedição de Villegaignon, que nos legou uma minuciosa descrição sobre uso que faziam os selvagens da região.  Quando Colombo desembarcou em São salvador, alguns indígenas puseram-lhe aos pés longas folhas de cor escura que emanavam forte aroma. 
                A forma de uso do tabaco pelos índios brasileiros causou forte impressão aos primeiros europeus aqui chegados que logo enviaram mudas da planta para serem cultivadas em Lisboa. Existem documentos que comprovam a sua cultura com sementes levadas daqui e cultivadas no jardim de Jean Nicot, embaixador francês em Portugal, em 1559.  Tanto que o nome nicotina - palavra utilizada para designar um gênero botâncico que compreende grande variedade - foi dada pelo grande naturalista Linneu inspirada no sobrenome do embaixador. 
                O tabaco, entretanto, entrou oficialmente no mundo civilizado não como objeto de prazer, mas sim como medicamento, tanto é verdade que se chamou, a princípio, de "erva do embaixador" e "clysterium nasi". Era usado para casos de torcicolo, pedra nos rins, fastio, doenças de pele, asma, bronquite, malária entre outras enfermidades. Sua fama de medicamento durou longo tempo e, ainda em 1665, na inglaterra, quando ali grassava a terrível epidemia de peste bubônica, os estudantes eram obrigados, antes de entrar na aula, a fumar tabaco como desinfetante. Quem introduziu o abaco na inglaterra foi o navegador Francis Draque e, depois dele, Walter Releigh conseguiu torná-lo conhecido na côrte.
               O primeiro europeu a fumar a nova planta foi o navegador espanhol Rodrigo Jerez. De volta à Europa, ao fumar em público, foi preso por três anos.  O hábito era considerado uma selvageria inaceitável. Além disso, os europeus perceberam que a planta capturava a vontade humana. O próprio Cabral, ao notar a avidez dos marinheiros pelo seu consumo, dissera: "Não está em seu poder  evitar o hábito".  Os europeus não sabiam o que era vício e não entendiam o simbologismo indígena do tabaco. O nome tabaco vem de dattukupa, que significa "nos estamos fumando" em dialeto indígena. Os europeus acharam que este era o nome da planta.
                Na Holanda, em 1570, fumou-se, pela primeira vez na Europa, em tubos de folha de palmeira.  No reinado de Luiz XIV, na França, havia severas penas a quem fosse apanhado fumando. Na Abissínia, a igreja copa publicou um édito, advertindo que os fumantes teriam as mãos cortadas. 
                 Conta-se que o uso de tabaco em forma de cigarro ocorreu, por acaso, durante a guerra turco-egípcia em 1832, precisamente durante o cerco de São João de Acre. Naquele tempo se usava carregar canhões com pólvora envolta em papel manteiga. Foi então que um cabo teve a idéia de enrolar tabaco naquele papel para aspirá-lo. O comandante Ibraim Paxá do Egito soube do ocorrido, achou a ideia original e prometeu fornecer papel e tabaco aos soldados que lhe abrissem rapidamente uma brecha nas muralhas da cidade sitiada. Dias depois, a brecha estava aberta e o comandante cumpriu a promessa.O tabaco foi então, pela primeira vez, utilizado como prêmio.
                Ainda hoje, no Brasil, se usa pedaço de fumo em corda na cavidade de dente careado para aliviar as dores.
                Durante a exploração da nossa antiga Guanabara, os franceses de Villegaignon viram, no interior do país, indígenas que tinham na boca rolos  de folhas secas acesas, aspirando-lhe avidamente a fumaça.
                Fumar é inalar fumaça, algo repulsivo para outros animais, que nós humanos adquirimos como hábito social. O mau hábito tornou-se uma atitude inerente ao ser humano. Tão comum e familiar que ninguém nota como esse gesto é peculiar e algumas cenas cotidianas pareciam inverossímeis sem uma boas tragadas. É comum distribuir charutos para comemorar um nascimento, por exemplo.
              A imagem favorável do tabaco é mais antiga do que se imagina. Começou a cerca de 8 mil anos, no Peru, com o primeiro cultivo. Quando os espanhóis chegaram, a planta já se espalhara pelo continente. 
              A principal razão para o consumo era mística e religiosa: o tabaco permitia um "contato com espíritos". Seu efeito levemente analgésico e anti-séptico era indicado para dores de dente ou feridas. O doente recebia contínuas baforadas que o mantinha em estado de calma.                A fumaça também era usada para  eventos sociais como declaração de guerra e comemoração de paz. Entre os índios norte-americanos, antes das batalhas, fumava-se o cachimbo da guerra e quando ela terainava era a hora de tragar o cachimbo da paz. Mas também usava-se fumar por prazer, pela agradável sensação de alerta e de energia que o tabaco tabaco dá ao corpo. 
             Em apenas 7 segundos, depois de uma tragada, a nicotina chega ao cérebro.  A substância ativa o sistema cerebral que proporciona bem estar e prazer. Agindo no cérebro, ela alivia a ansiedade e deixa a pessoa alerta. A dose de nicotina fornecida por um único cigarro dura meia hora no sangue. Quando a taxa começa a baixar, o fumante sente vontade de acender outro cigarro. Ao acordar o nível de nicotina  no sangue do fumante está baixo. Ele se sente irritado e cansado. Por isso o primeiro cigarro do dia costuma ser o mais prazeroso.
               O tabaco foi introduzido na Europa em meados do século XVI. Hoje é cultivado em todo o globo, mas principalmente nas Américas, nas Antilhas, na Índia Oriental e na Ásia Menor.  
               Comercialmente falando, chamamos de tabaco às folhas convenientemente preparadas de alguma espécie de planta do gênero Nicotina, das Solanáceas, originárias da America do Sul. 
              A composição química das folhas de tabaco varia muito segundo a planta de que deriva, da procedência, dos métodos de cultura e dos cuidados dispensados em seguida à sua colheita e depois da mesma. Em todas as folhas encontramos celulose, substâncias albuminoides, amido, assucar, substâncias gordurosas, nicotina e pequeníssima quantidade de outros alcaloides como nicoteína, nicotimina, nicotelina, além de amoníacos, ácidos orgânicos e sais - citrato, oxalato e potássio - nitratos, resinas, cera e óleos etéreos. A substância indicada com o nome de nicotianina ou cânfora de tabaco é uma mistura dos compostos de nicotina com vários ácidos orgânicos.
               De todos os componentes do tabaco, é a nicotina o mais característico, encontrando-se nos estados de sais orgânicos e principalmente devido à sua ação nociva sobre o sistema nervoso e o coração. A quantidade de nicotina contida nas folhas de tabaco, tal como o encontramos no comércio, varia segundo os tipos, podendo oscilar  de 0,5 a 10% e, mais comumente, de 1 a 8%.                É preciso considerar que  uma parte notável da nicotina é eliminada nos diversos  nos processos de preparação, restando, entretanto, considerável quantidade para as formas empregadas para consumo como vício. 
               Chegando na Europa, em menos de 50 anos o tabaco conquistou o resto do mundo. Em 1542 já havia samurais fumando suas folhas. As tribos africanas costeiras adoraram a planta e a levaram às aldeias interioranas séculos antes de os primeiros brancos chegarem lá.  Nem o islamismo impediu sua circulação e a planta foi admitida nos países árabes, onde o álcool era proibido. 
              As propriedades do tabaco contrastava com as de seus descobridores.  Na América, a vida dos pioneiros ingleses instalados nos Estados Unidos ia mal. Graças ao colonizador John Rolfe sua sorte mudou para melhor. Ele trouxe mudas de tabaco, que começou a cultivar na recém-instalada colônia da Virgínia. No mesmo ano, casou-se com a princesa índia Pocahontas.              Com a ajuda  da tribo dela e a venda da erva, a colônia não só tornou-se sustentável, mas progrediu. A colheita de 1618 foi de 9 toneladas. No final do século subira para 17 toneladas e continuou crescendo. O tabaco tornou-se o principal produto de exportação e razão de ser de toda a comunidade, a ponto de virar moeda de troca. Com a planta podia-se comprar de tudo, de simples refeições a esposas.  Não por acaso, a primeira lei da assembléia dos colonos tratava da erva: determinava um preço mínimo que deveria ser observado pelos vendedores.                  Muitas figuras históricas americanas envolveram-se com a planta.  A família de George Washington, o primeiro presidente, tinha no comércio da planta o seu grande negócio.  Thomas Jefferson, autor da declaração de independência dos Estados Unidos, era um grande fazendeiro de tabaco. 
              Na mesma época, na Europa, a planta invadia o cotidiano das pessoas.  A primeira forma de uso a popularizar-se foi o rapé, armazenado em caixinhas muito pessoais onde os homens o transportavam para seu consumo.  Homens abastados tinham suas caixinhas, muitas vezes em ouro ou prata, que distinguiam sua classe social.  Na Inglaterra, a moda envolvia o cachimbo, considerado tão sedutor que, após o casamento, muitas mulheres exigiam que seu parceiro o deixasse de usá-lo em público. 
               Na Espanha, a Tabacalera, indústria estatal que chegou a possuir o maior prédio do mundo, contratava ciganas para fabricar charutos. No calor mediterrâneo, elas trabalhavam em roupas diminutas. Aquilo virava a cabeça dos escritores, entre eles o francês Prosper Mérimée, autor de Carmem, que mais tarde seria imortalizada na ópera homônima. Carmem fumava papelotes, que se popularizaram na França, onde foram rebatizados  de cigarrettes. Cigarrettes é também a palavra usada em inglês. 
             A associação do tabaco com o sexo foi uma invenção européia. O cinema deu o grande impulso para o aumento do consumo. Ele o associou definitivamente ao sexo. Naquela época não era permitido exibir beijos na tela e os insinuantes  gestos femininos ao fumar substituíram as cenas picantes. Toda a estrela tinha pelo menos uma foto no portfólio segurando um cigarro. Aos poucos, a associação cinema-cigarro profissionalizou-se. Entre 1978 e 1988, 188 atores e diretores receberam cachê para incluir baforadas nos filmes. No final de 1988, o governo americano proibiu a prática, mas a exposição do cigarro na tela continuou. 
            Anualmente  morrem mais de 3,5 milhões de pessoas  vítimas do fumo. A oposição ao tabaco continua crescendo. As pessoas, mesmo fumantes, já tem consciência do grande mal que ele faz à saúde e à vida de um modo geral. Fumar é um habito repulsivo para os olhos, detestável para o olfato, devastador para os pulmões, coração e cérebro. 
             Com o uso contínuo de tabaco, cresce a probabilidade de morte por câncer de pele - é visível o ressecamento e as rugas no fumante-; aumenta a chance de ficar careca; causa excesso de tártaro nos dentes  e aumenta o risco de ficar banguela; causa efisema e multiplica a chance de ter câncer de pulmão; os ossos ficam enfraquecidos, quebram facilmente e demoram mais para calcificar; o cigarro é um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares; ele causa pelo menos 12 tipos diferentes de câncer.   
              Os governos que nada fazem para impedir o consumo, na verdade, estão vendendo a saúde de seu povo para angariar polpudos impostos. 
Nicéas Romeo Zanchett
http://amoresexo-arte.blogspot.com/  

domingo, 4 de março de 2012

A GRÉCIA ANTIGA



                       A GRÉCIA ANTIGA 
                  A Grécia é uma península, no Mediterrâneo, situada ao sul da Europa. Muito antes do século IV a.C. a civilização grega se estendia não só aos arquipélagos do Mar Egeu e à Ásia                       Menor, mas também às costas setentrional da África e meridional da Itália, onde se estabeleceram importantes núcleos de povoamento. 
                O relevo da península dividia a Grécia em pequenas regiões naturais, nas quais se formaram as cidades gregas. Cada uma delas tinha govêrno próprio e independente, constituindo-se em verdadeiros Estados ( séc. V a.C. ). Por ser a Grécia cheia de colinas, as cidades foram erigidas em vários planos, ligados por escadarias.
                  As cidades que mais se destacaram foram Atenas, Esparta e Tebas. 
Os espartanos dedicavam a vida à guerra. Esparta era conhecida como a terra dos homens de ferro.  Todos os espartanos eram soldados treinados desde a infância. O casamento tinha como principal finalidade produzir soldados sadios. O recém-nascido que não passasse no exame físico era desclassificado e, por ordem do Estado, arremessado num precipício. Só os mais capazes tinham direito de sobreviver. Era muito comum que os maridos entregassem suas esposas para engravidar de homens mais fortes com o objetivo de ter uma prole com maior capacidade física. 
               A lei proibia aos espartanos que negociassem ou possuíssem dinheiro. Reuniam-se em comunidades onde ricos e pobres viviam e comiam juntos. 
                Os atenienses eram uma raça de sábios e artistas. Na escola  ao ar livre, os alunos aprendiam a cantar e tocar instrumentos. Na Grécia Antiga a música tinha tanta importância quanto a aritmética. As crianças eram levadas à escola pelo escravo de confiança da família. Ele tinha a responsabilidade de levar também a lira, que era o instrumento musical dos adolescentes gregos. É como se fosse a guitarra elétrica de um adolescente moderno.
                A roupa grega era feita em casa e o artesanato da tecelagem, embora caseiro, era bem especializado. Eram tecidos por mulheres em teares verticais, distribuídos num pátio  da residência. 
               Certas tarefas eram consideradas impróprias para membros de famílias mais ricas. Por isso eram confiadas a escravos, que se encarregavam da maior parte dos trabalhos braçais cansativos. Num passeio pela cidade, a escrava carregava a sombrinha que protegia sua ama. 
             A Ágora era numa grande praça no centro da cidade onde se localizava o mercado que geralmente ficava próximo do templo.O templo não se destinava apenas a atividades religiosas, mas era também um centro de reuniões sociais e políticas. Ali se realizavam importantes discussões públicas e comícios políticos. 
                Já naquele tempo haviam jovens rebeldes com seus carros esportes puxados por belos e velozes cavalos. Era uma espécie de carro de passeio, muito leve e rápido. 
                O senhor grego sustentava-se principalmente de azeitonas, vinho e cereais. O solo grego é muito favorável ao plantio da oliveira e, já na antiguidade, o azeite era um importante produto de exportação. 
               O senhor grego costumava levantar-se ao nascer do sol e então mergulhava um pedaço de pão de trigo num copo de vinho  e fazia uma oferta de curta prece às estátuas de Zeus, Deméter e Atena.  Em seguida, entrava  casualmente em casa de um amigo onde comia uns pedacinhos de peixe. Dali, com sua bengala na mão,  seguia para a Ágora (Praça do Mercado) onde passava o dia discutindo negócios e política com amigos. 
                  O cidadão nobre da Grécia não exercia nenhum trabalho manual como lavrar a terra e cuidar das oliveiras. Seus escravos se encarregavam disso. A mulher do cidadão educava as crianças, limpava os deuses caseiros, varria  o pórtico de colunas e cuidava de sua aparência para estar bela quando seu marido voltasse à tarde.   Os meninos e meninas de  famílias nobres iam para o ginásio, onde jogavam, em absoluta nudez, almoçavam pão, figos e vinho, e passavam a tarde  tocando lira ou seguiam de carro em alegre excursão para o campo.  Os rapazes tinham de prestar serviço militar e as moças passavam suas tardes em aulas de costura. 
                  Entre os gregos, o amor entre um homem e uma mulher ficava em segundo plano. Era considerado necessário para a procriação, mas o amor ideal era entre homens. Por essa razão o homossexualismo era natural. Era muito comum o amor entre o mestre e seu aluno favorito, filósofo e discípulo. Entretanto foi essa a principal acusação que levou Sócrates a ser processado por "corromper" a juventude. 
                   No mercado vendia-se os produtos da terra: trigo, cevada, lentilha, figos, nozes, mel, leite e queijo de ovelha e de cabra. As bancas de peixes eram muitas, mas as carnes vermelhas eram produtos escassos. O motivo é que o rebanho caprino e bovino era muito reduzido. Ir às compras era um privilégio dos homens. As mulheres ficavam em casa.   
                     No casamento, a tradição grega determinava que os pais do noivo recebessem os recém-casados à porta de sua casa com tochas acesas nas mãos. O casal e o padrinho chegavam de carro. Um cortejo de amigos acompanhava os esposos a pé. 
            Os gregos eram altamente religiosos, mas pelo fato de seus deuses possuírem as fraquezas e vícios dos homens, sua religião era considerada pagã. Frequentemente celebravam festas em honra dessa ou daquela divindade. 
              A arquitetura grega sempre foi muito avançada. Através de encanamentos subterrâneos, a água era trazida de nascentes distantes até a fonte pública. Buscar água na bica para o consumo diário era função feminina. As mulheres conduziam suas ânforas cheias de água sobre a cabeça que era protegida por uma almofada. 
                 A cerâmica também era uma atividade essencial na vida grega.  Além dos vasos de formas  variadas - geralmente muito bonitos - os oleiros produziam ainda brinquedos: bonecas articuladas, carinhos com rodas móveis, soldadinhos a cavalo e máscaras grotescas. Para maior facilidade de acesso à água, as olarias ficavam junto à fonte.
                   O forjador de bronze era um artesão muito solicitado. Como a têmpera de metais exige muita água, sua oficina se situava junto à fonte. 
                  Embora cada cidade tivesse seus próprios hábitos, havia muita semelhança na vida dos gregos. 
                  Foi a cultura grega que nos permitiu conhecer com certa profundidade sua forma de vida e seus hábitos que ficaram registradas tanto nas suas belas esculturas, como nos seus produtos preservados.  Os historiadores da época anotaram muita coisa interessante e a pesquisa histórica moderna fez o resto. 
Nicéas Romeo Zanchett
http://amoresexo-arte.blogspot.com/

domingo, 1 de janeiro de 2012

AS CRUZADAS E A CONQUISTA DO SANTO SEPULCRO



         AS CRUZADAS E A CONQUISTA DO SANTO SEPULCRO
                 No ano de 1095, sacudida pelo incitamento do Papa Urbano II, e instigada também pela predicação de Pedro, o Eremita, que conduziu pessoalmente os primeiros cruzados até Constantinopla, a Europa armou-se para sua grande expedição, a maior depois da queda do Império Romano. O objetivo era resgatar dos muçulmanos os Lugares Santos da Palestina. Esse grande movimento chamou-se Cruzadas.
                Jerusalém, Belém e outros lugares ligados à vida de Cristo e que constituíam objeto de especial devoção e de peregrinação entre os cristãos, haviam caído sob o domínio árabe no século VII. Para resgatá-los foram realizadas expedições militares, por parte dos cristãos da Europa Ocidental. Além da causa principal, outras houveram, como a intolerância religiosa dos turcos seldjúcidas, desde que passaram do califado de Bagdade; o desejo do Papa de reunir os cristãos, separados desde o Cisma do Oriente; a expansão turca na Ásia Menor, privando o Império Bizantino de sua principal peça de defesa;  a fé religiosa e a existência, no Ocidente europeu, de uma classe militar, a cavalaria, cuja finalidade máxima era a defesa da fé.  Eram conseguidos graças e privilégios aos expedicionários das diversas regiões europeias, que deveriam concentrar-se em Constantinopla, para um avanço em massa  contra os muçulmanos. 
No Oriente, os Turcos, sucedidos aos califas árabes no trono de Bagdá (em 1055, o Emir Togrul-Beg, da dinastia de Seljuke, assumira o título de Sultão) oprimiam os postos avançados da Cristandade, ocupando a Síria, a Palestina, a Armênia e os domínios bizantinos da Anatóia.  De Constantinopla, os Imperadores - Romano IV Diógenes e Aleixo Comneno - imploravam socorro. O Papa, então, promoveu a união das forças ocidentais contra a ameaça asiática que iniciou-se em 1096. 
                 Atendendo aos apelos e também movidos pela ambição, de todas as cidades, dos castelos da Europa, partiram homens armados, trazendo, em suas couraças e escudos, o símbolo de uma cruz vermelha em campo branco; cavaleiros isolados, senhores feudatários, seguidos por seus vassalos, todos animados por ambição ou enorme impulso de fé.  Aos postos de chamada, aguardavam os chefes: Hugo de Vermandois, Roberto de Normandia, Godofredo de Bolhão, Boemundo de Tranto, Raimundo de Tolosa, os maiores senhores da Cristandade, que conduziam, por vias diversas, o grosso das tropas até Constantinopla. 
              Com a ajuda do imperador Aleixo Comeno, o exército cruzado seguiu para a àsia Menor; Tomou Nicéia e Tarso, transpôs, com muita dificuldade  e com grandes perdas, a cadeia de Tauro e baixou sobre Odessa e Antioquia. Após vários choques, rebeliões e dissídios entre os chefes, o exército cruzado, agora sob o comando de Godofredo de Bolhão, duque de Lorena, move-se rumo a Jerusalém e sitia-a. Em 15 de julho de 1099, já com quatro anos de campanha, com as novas máquinas de guerra e catapultas construídas por Guilherme Embriaco, chefe dos cruzados genoveses, uma avalancha de pedras e de fogo grego foi despejada sobre as muralhas  da cidade.  Através das brechas , irromperam os soldados de Godofredo de Bolhão, em vão combatidos pelos Muçulmanos. Cuprindo sua promessa, os chefes cristãos ofereceram a Godofredo a coroa de Jerusalém, mas este recusou, aceitando unicamente o título de "Defensor do Santo Sepulcro".
                     A primeira cruzada terminou, naquele mesmo dia, com uma esmagadora vitória dos Europeus, mas os resultados não foram duradouros. O pequeno reino de Jerusalém, fundado após a conquista, teve vida efêmera; cinqüenta anos mais tarde, em 1147, foi necessário organizar-se, para defendê-lo, uma segunda Cruzada, que, aliás, não teve êxito, e, em 1187, a Cidade Santa caía em poder do Sultão do Egito, o famoso Saladino, que derrotara e aprisionara o rei Guido de Lusignano. 
                 A terceira Cruzada, em 1189, chefiada por Frederico Barbaroxa, pelo rei da Inglaterra, Ricardo Coração de Leão, e pelo rei de França, Felipe Augusto, extinguiu-se com a morte de Frederico e pelo abandono do rei francês em 1192. 
                    A quarta Cruzada, que deu-se em 1202, nem sequer chegou à Palestina. Em 1204, o Doge de Veneza, Henrique Dândolo, que assumira o encargo de transportar as tropas, soube habilmente desviá-las para as costas da Dalmácia, dirigindo-se para Bizâncio onde desbaratou o poder imperial apoderando-se de uma enorme quantidade de territórios e ilhas. Esta foi a primeira vez que o exército das Cruzadas foi utilizado, não para a sua finalidade, mas para conquista de territórios, como faziam os romanos. A ambição foi mais forte que a fé. 
                 Por mais quatro vezes, entre 1218 e 1270, os exércitos cruzados voltaram a tentar a grande aventura, mas sempre foram derrotados pelos Turcos ou pelas dissidências internas ou, ainda, dizimados por epidemias. 
                    Jerusalém permaneceu definitivamente em mãos dos infiéis. Mas, naquele século de lutas, grandes acontecimentos estavam amadurecendo. Os rudes guerreiros de Europa tinham entrado em contato com o velho mundo oriental, rico de sabedoria e de história.  E, quando regressaram a seus castelos, às cidades fortificadas, ainda ardentes, pelo fogo das facções e dos ódios, traziam ainda na retina aquele mundo lendário, e procuravam estabelecer em seus territórios o fausto do Islã. 
Assim, as Cruzadas, fracassadas como expedições militares, constituíram a cabeça de ponte entre o Oriente e Ocidente, restituindo aos jovens povos da Europa as chaves de uma antiga e já olvidada sapiência.
                  A sétima e oitava Cruzadas foram realizadas pelo rei de França, Luiz IX contra Saladino, o poderoso sultão do Egito.
                 Derrotado e feito prisioneiro pelos Muçulmanos, em Mansura, o rei Luiz IX de França, teve de pagar, pela sua liberdade, um enorme resgate: um milhão de bizantes de ouro. Dessa forma terminava a oitava e ultima cruzada. Vitimado pela peste que assolava o mundo, o rei morreu em Tunis. A partir de então, diante de tantos fracassos, chegou ao fim o sonho de libertar Jerusalém pela força dos exércitos cruzados.  Os Templários cuidavam muito mais dos seus interesses comerciais do que da vida de monges-soldados. Aos poucos, os latinos foram perdendo seu ódio pelo islã e a tolerância passou a ser uma nova realidade. Terminava assim a ofensiva cristã contra os muçulmanos, sem conseguir enfraquecer a fôrça do Islã. 
"Se temos de conviver com religiões, precisamos abraçar a causa com tolerância".
Nicéas Romeo Zanchett 
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com/


O PRÊMIO NOBEL

                        O PRÊMIO NOBEL
                   O Prêmio Nobel foi criado pelo inventor da dinamite.
                  Alfred Nobel nasceu em 21 de outubro de 1833, em Estocolmo. Sua família era muito pobre. Seu pai, um modesto agricultor, resolveu tentar a sorte e foi estudar engenharia militar onde se saiu muito bem. Seu brilhantismo chamou a atenção do governo russo que o convidou para trabalhar na construção de engenhos militares e dirigir a abertura de novas estradas estratégicas.  O velho Nobel aceitou e partiu para a Rússia com toda a família: mulher e os filhos Robert, Ludwig e Alfred.
                  Na Rússia, em pouco tempo a família passou a ser proprietária de diversas jazidas petrolíferas em Baku, ao sul daquele país. Com ótimas condições financeiras, seus filhos puderam ser educados por professores particulares. 
                Não demorou muito para que o velho Imanuel Nobel percebesse o grande talento do filho Alfred e o mandou estudar um ano nos Estados Unidos, onde trabalhou com um engenheiro sueco chamado Johan Ericson. 
               Ao  voltar para a Rússia  Alfred já era um inventor de renome e com muita capacidade para dirigir a exploração de petróleo em Baku.  Mas, no fundo, não era isso que ele queria; sua ambição era fazer experiências com explosivos, que eram pouco conhecidos.
                Passado algum tempo a família toda regressa à Suécia.  O sonho de Alfred finalmente vai se realizar. Juntamente com seu pai Imanuel monta um pequeno, mas muito bem equipado laboratório de pesquisas em Helemborg, perto de Estocolmo.  Ali começam a trabalhar num novo líquido perigoso, capaz de explodir com um simples aumento do calor ou à menor agitação. Tratava-se da nitroglicerina. 
               Em pouco tempo de pesquisa Alfred descobriu um jeito eficaz de provocar a detonação dessa substância. Mas teve de pagar um alto e trágico preço pelas experiências: uma explosão mandou pelos ares todo o laboratório; várias pessoas morreram - entre elas, um irmão de Alfred. Por causa do acidente, seu pai teve um ataque apoplético que o deixaria paralisado pelo resto da vida.
                Sem a ajuda do pai, que em tudo o apoiava, Alfred continuou seu trabalho de pesquisa e instalou fábricas de nitroglicerina na Alemanha e Noruega. Mas os acidentes não cessaram: a fábrica da Alemanha pegou fogo; um navio explodiu no Canal de Panamá; Outras explosões também ocorreram nos Estados Unidos e na Austrália. 
                  Em virtude dos constantes acidentes, os governos ficaram preocupados  e foram obrigados a tomar providências para prevenir novas tragédias. A Bélgica e a França proibiram a fabricação de nitroglicerina em seus territórios; a Suécia impediu seu transporte e a Inglaterra restringiu severamente sua utilização. Parecia que tudo estava perdido para Alfred. Mas, finalmente, entre 1866 e 1867, descobriu que acrescentando certas substâncias absorventes à nitroglicerina seria possível  armazená-la e transportá-la sem riscos. A nitroglicerina só explodiria com o uso de um detonador especial. Estava criada a poderosa arma à qual Alfred batizou com o nome de dinamite - palavra originária do grego "dynamis", que significa fôrça. O povo passou a chamá-la de "pólvora segura de Nobel".
                 Com o grande sucesso advindo de sua invenção Alfed pode então multiplicar suas fábricas pelo mundo. Já em 1875, é dono de diversos centros produtores de dinamite em todos os países da Europa e nos Estados Unidos. 
                  Seus trabalhos de pesquisa continuaram e logo descobriu uma nova pólvora  não fumarenta, derivada da nitroglicerina à qual deu o nome de "balistite".  O novo invento foi patenteado em 1887 e logo passou a ser utilizado pela maioria dos países para fins militares. Isso deixou Nobel preocupado, pois sabia o que a balistite não ajudaria acabar com as guerras; muito pelo contrário, as alimentaria.  Já era um homem riquíssimo e muito respeitado, mas também solidário e pessimista. 
                   Foi, movido por estes sentimentos que Alfred Nobel decidiu gastar parte de sua fortuna financiando movimentos pacifistas. 
                   Alfred nunca se casou e faleceu em 10 de dezembro de 1896. Em seu testamento determinou que, após a sua morte, uma fundação patrocinasse, anualmente, com juros do seu imenso capital, a entrega de cinco prêmios: física, química, medicina e literatura, além de um um especial, a quem contribuísse de maneira mais notável para a paz entre os homens.
                      Quem escolhe os premiados de física, química, medicina e literatura  são várias entidades científicas suecas; a decisão sobre o Prêmio Nobel da Paz, no entanto, cabe a uma comissão de cinco pessoas indicadas pelo parlamento Norueguês. 
                O Banco Real da Suécia instituiu o Prêmio de Economia, mas, nos escritos deixados por Alfred Nobel, não existe nenhuma menção a esse respeito. Todos os anos acontecem protestos de diversos cientistas e intelectuais sobre a legitimidade desse prêmio. Ele tem servido para dar grandiosidade às especulações financeiras e, portanto, é uma oposição às verdadeiras e legítimas intenções de Alfred Nobel.
Nicéas Romneo Zanchett
http://amoresexo-arte.blogspot.com/


domingo, 18 de dezembro de 2011

A CONSCIÊNCIA DA VIDA E DO ESPÍRITO

          A CONSCIÊNCIA DA VIDA E DO ESPÍRITO
      De onde viemos? Somos eternos? Quem é Deus? Para onde vamos? 
      Desde que tomou consciência de sua própria existência, o homem está em permanente busca de respostas para estas perguntas. 
      A árvore da vida é o centro onde buscamos a nossa origem. 
Vivemos num mundo onde tudo é veloz e com muita urgência queremos respostas que talvez nem  o tempo poderá nos dar. 
      Nos últimos anos a ciência nos tem dado muitas respostas sobre a origem do universo, mas é na origem do espírito (alma) que se encontra a resposta mais inquietante: Por que os humanos evoluíram e continuam evoluindo mais rápido do que as outras espécies vivas?  De onde veio o espírito que habita cada ser vivo? 
       A ciência comprova que o universo surgiu a cerca de 15 bilhões de anos; o sistema solar, e com ele a terra, a 4 ou 5 bilhões de anos; a vida sob forma de organismos unicelulares que, segundo estudos recentes, teria surgido a apenas 3.100 milhões de anos; os organismos multicelulares teriam surgido a 1.100 milhões de anos; os dinossauros teriam surgido a cerca de 225 milhões de anos e desaparecido  a apenas 65 milhões de anos; o homo erectus - espécie extinta de hominídeo - viveu entre 1.800 anos a 300.000 anos. 
      Somos produto do universo. Uma micro fagulha que pertence a este imenso espaço ainda desconhecido.  Precisamos ter consciência de que não estamos sós. Milhares de seres das mais diversas formas vivem espalhados por toda a galáxia. Apesar de toda a evolução humana, nossa inteligência ainda não é aparelho capaz de entender e dar as respostas que queremos. 
    Vamos iniciar este estudo buscando compreender a explicação de Darwin sobre a evolução das espécies na sua forma física.
     As raízes do homem é muito mais antiga do que se acreditava há alguns anos atrás. Teria surgido na Era Secundária com o aparecimento do hominídeo. 
     O homo-habilis - capaz de fabricar um instrumento - foi o primeiro a dar o passo decisivo que o separou da animalidade para a humanidade e deu origem ao homo-sápiens, nosso semelhante.
    Os dados fornecidos pela pré-história dão luz a antropologia. É a reconstrução, da maneira mais minuciosa e fiel possível,  num período cada vez mais preciso, para compreendermos o que foi a existência de nossos distantes antepassados em suas etapas sucessivas, e nos diversos meios em que evoluiu.  Essa reconstrução tornou-se possível graças ao emprego de métodos novos, datações radiativas, escavações horizontais que permitem encontrar, no seu estado primitivo, diferentes solos de ocupação, estudos dos pólens e também pela formação de equipes pluridisciplinares reunindo todos os investigadores do passado. 
     A África Oriental, berço do gênero humano, e o Oriente Médio, que deu origem ao homem moderno, é o local onde as pesquisas fizeram surgir uma nova visão da pré-história. 
O homem não é uma simples evolução do macaco, mas fez parte do grande grupo de primatas originários do final da Era Secundária. Em torno de 50 milhões de anos.
Foi no Egito, mais precisamente no depósito de Fain, que os arqueólogos descobriram, em camadas que datavam do início do oligoceno, os mais antigos fósseis que marcam a separação entre os macacos e os hominídeos. Tratava-se, essencialmente, do propliopiteco e do parapiteco. O primeiro é certamente um antepassado do gibão e muito provavelmente de todos os antropomorfos que a evolução diferenciou em seguida até os atuais chipanzés, gorilas e orangotangos. O segundo, nitidamente menor, apresenta molares e sobretudo pré-molares muito próximos aos do homem. O que parece certo é que desde o oligoceno - cerca de 40 milhões de anos - a separação já estava realizada entre os dois ramos dos antropomorfos e dos hominídeos.
    Existe uma grande lacuna vazia, da qual nada ou quase nada sabemos. O imenso espaço de tempo que transcorreu até o aparecimento dos primeiros australopitecos, por volta de 5 milhões de anos, é desconhecido.   
      Os hominídeos foram encontrados em diversas partes do mundo. 
     Na metade do século XIX foram encontrados numerosos restos em jazidas na Toscana. Entre eles um esqueleto completo.  Por seu crânio relativamente volumoso, por seu rosto e sua dentição, e principalmente por sua bacia que revela uma adaptabilidade à posição bípede. Este fóssil é de um oreopiteco e pertence à ordem dos hominídeos. Seus membros posteriores curtos e seus membros anteriores muito compridos indicam que estava adaptado à vida arborícola. Esta espécie desapareceu sem deixar descendentes. 
      Na Índia foi descoberto o ramapiteco. Possuímos apenas alguns fragmentos do maxilar e das mandíbulas. Também o fóssil do queniapiteco, descoberto pelo cientista norte-americano Leakey, tem as mesmas características e portanto ambos foram classificados como hominídeos pelos paleontólogos. Segundo os estudos de Leakey, o queniapiteco não era um fabricante, mas apenas um utilizador de equipamentos. Para chegar ao homo sapiens houve uma lenta evolução de milhões de anos. 
      Por mais escasso que sejam os dados sobre o período do mioceno, pelo menos dois hominídeos viviam  na extensa região afro-indiana: um deles, o oreopiteco, estava adaptado à vida herbívora; o outro, o ramapiteco, adaptado à vida de solo, sendo que evoluções sucessivas conduziram-no provavelmente à condição de australopiteco. Nesta evolução se deu o passo decisivo que levou à hominização que foi a fabricação de instrumentos. Esta façanha é creditada tanto ao australopiteco como ao homo habilis, pois trata-se de uma única e mesma espécie, ou pelo menos de duas espécies muito próximas. Embora muito semelhantes, o australopiteco desapareceu e o homo habilis continuou sua jornada evolutiva até o homo sapiens. 
       Os primeiros restos de australopitecos foram encontrados na África Austral, mas foi na Etiópia, no Quênia e na Tanzânia que se realizaram descobertas extraordinárias. 
     Durante dois ou três milhões de anos, duas grandes espécies de hominídeos coabitaram uma extensa região da África (da Etiópia ao Transval e do Quênia ao Chade). A primeira espécie, singularmente maciça e robusta, mas comportando uma grande variedade de formas, foi dos australopitecos. Seu tipo é o famoso ginantropo, descoberto por Leakey, em Oldoway. Sua dentição, caracterizada por molares e pré-molares muito grandes e pela pequenez dos crânios e dos incisivos, revela uma criatura herbívora.  Seus ossos da bacia e dos membros inferiores mostram que sua adaptação à marcha bípede não era perfeita. Sua capacidade craniana, segundo Tobias, é de 500 cm3. A segunda espécie, batizada de homo habilis por Leakey, é muito mais delicada. Sua dentição, com redução dos molares e alargamento da parte anterior do maxilar, sugere um regime carnívoro e sua bipedia é perfeitamente desenvolvida. Também sua capacidade craniana é muito superior, com 675 cm3. 
As mais antigas ferramentas de que se tem notícia datam de 2.100 a 2.600 milhões de anos. Esses instrumentos são essencialmente seixos de quartzo ou sílex, grosseiramente talhados em uma ou duas faces, de maneira a fornecer uma aresta cortante. Com estes instrumentos cortantes eles conseguiam caçar e matar grandes animais. 
         As grandes descobertas se proliferaram e continuam nos dando novas pistas. O pitecantropo em Java, o sinantropo em Pequim, o atiantropo na África do Norte, o homem de Heidelberg e de Montmaurin na Europa, o de Olway na África Oriental. 
      O homem ereto, que surgiu a mais de um milhão de anos, vai ocupar, com suas diversas raças, o primeiro plano da história até 200 mil anos atrás. Embora conserve um certo número de traços primitivos -crânio estreito e alongado, testa extremamente inclinada, mandíbula pesada, queixo inexistente, dentição caracterizada por caninos vigorosos,  - ele se diferencia  por um aumento acentuado da capacidade cerebral que oscila entre 850 e 1200 cm3. Seus membros são de aspecto nitidamente humano e perfeitamente adaptado à marcha bípede; sua altura oscila entre 1,50 e 1,60 m; sua indústria característica é a da "pedra lascada" ou bifasses, a partir de um seixo ou sílex. 
     Esses progressos técnicos, por mais lentos que tenham sido, são característicos da evolução psíquica do homem ereto. Na sequência evolutiva, o homem ereto descobre o fogo, como provam diversos braseiros encontrados perto de Pequim, nas cavernas de Chou Kou Tiem. Assim finalmente surgia o homo sapiens, homem inteligente. Embora esta fase da evolução seja a mais próxima de nós, é também a mais controvertida. 
       Na sequência temos o homem de Neandertal que a 80 mil anos dominava a Europa ocidental. Apesar de pequeno e atarracado, tinha um crânio com 1.400 cm3, perfeitamente comparável ao do homem atual. 
       Há 40 mil anos o homem de Neandertal desaparece bruscamente. Sem transição foi substituído pelo homem moderno, o homem Cro-magnon, de Grimaldi e de Chancelade. Era tão parecido conosco que, vestido com nossas roupas, não seria percebido no nosso meio. Suas realizações artísticas em Lascaux, Niaux, Altamira e muitos outros lugares, atestam que suas faculdades intelectuais não eram inferiores às nossas. Não foi encontrado nenhuma transição morfológica de um tipo a outro. Isto se deve ao pouco tempo de evolução. Apenas alguns milhares de anos. 
        Não podemos afirmar que todo o enigma tenha sido esclarecido definitivamente. Algumas descobertas recentes sugerem novas direções às pesquisas.  O conhecimento científico atual nos possibilita compreender com mais certeza a nossa evolução. 
       Não se pode confundir a teoria do policentrismo com o do poligeísmo, de caráter racista e que foi levada ao extremo nos anos 1930. Fazia do chipanzé o antepassado da raça branca, do gorila o da raça negra, e do orangotango da raça amarela. Isto é pura ignorância sem nenhum fundamento.
        O homo sapiens constitui uma espécie única, como provam as possibilidades de Inter fecundação entre as diferentes raças. A paleontologia é confirmada pela genética que somos todos uma única raça: a raça humana. Ela só pode provir, por isso, de uma espécie única. A esse respeito, o poli centrismo não faz mais do que antecipar no tempo o problema da origem do homem atual. 
         Somos da raça humana, mas nossos ancestrais povoaram diversas regiões do mundo e talvez por isso somos originários de várias raças cuja essência humana é única.  Podemos admitir que durante milênios, pela ação de misturas, constituiu-se, a partir de diferentes grupos, mas em proporção variável, um grupo genético comum à humanidade inteira. Podemos até pensar que o próprio homem de Neandertal nos legou alguns de seus genes. O importante é compreender que todos os acontecimentos da evolução se processaram através de uma única espécie: a nossa. 
       As raças atuais, quer sejam oriundas das três raças Cro-Magnon, Grimaldi e Chanceleada,  só se diferenciaram a uns 10 mil anos, quando as práticas da agricultura e da criação de animais, levando à vida sedentária, possibilitaram ao clima operar a separação entre as mutações de pele clara e as mutações de pele escura.  
      Mesmo sob as luzes que iluminam a pré-história subsistem enormes regiões de sombra. Os próprios fatos ainda continuam escassos. Quanto mais voltamos no tempo mais difícil fica encontrar as provas definitivas.
DEUS, O CÉREBRO E O ESPÍRITO
      Com o despertar da consciência, o homem passou a encarar o espaço que o rodeia como epifania do divino. A divisão do espaço sideral surge como padrão temporal traçado pelo movimento dos planetas.
       Como vimos na evolução do homem, o cérebro avolumou-se na medida em que ele evoluía rumo aos nossos dias. 
     O ser humano, pela sua própria natureza e formação evolutiva, possui instintos de imaginação e ação, participando dos acontecimentos cósmicos com sonhos e ritos religiosos. Os primitivos viviam num permanente estado de terror e medo que resultava em constantes celebrações e ritos mágicos, destinados a manter longe os aspectos pavorosos da natureza. Todos os acontecimentos climáticos inesperados despertava o medo e a desconfiança.
     Toda a existência humana está entrelaçada pelo ciclo da transformação. O nascimento, a morte e o renascer é um interminável fenômeno que nossa mente ainda não atingiu a maturidade do entendimento. 
      Sabemos que todos os seres vivos tiveram origem no Big Beng. resultante da explosão que criou o Universo, segundo a teoria aceita cientificamente, há cerca de 13 ou 15 bilhões de anos. Apesar de ser a ideia mais aceita pela ciência, o Big Bang  nunca foi comprovado e é bem provável que nunca seja.
        A matéria que compõe e permite a existência da vida já é assunto amplamente discutido e conhecido, mas a mente humana tem poderes que estamos longe de compreender. É nela que está o segredo da espiritualidade que nos leva a crenças como a existência de um deus universal.
      Não se pode negar que o ser humano é um ser espiritual e isto tem dado asas a imaginação sobre o criacionismo divino. Pensando cientificamente podemos concluir, sem de dúvida, que a matéria evoluiu gerando o atual estágio de todas as coisas do nosso tempo.  Da mesma forma, pensando cientificamente, não podemos descartar a hipótese que que o espirito foi criado na mesma explosão do Big Bang e que, portanto, também está em constante evolução. Nessa condição, aquilo que chamamos de Deus seria a soma de toda a energia existente no Universo.           Esse universo que habitamos continua sua interminável expansão e, dessa forma, a evolução material e espiritual,  também continuarão sua evolução. Mas precisamos ter a consciência de estamos apenas no crepúsculo de um conhecimento cujo complemento nunca atingiremos. Bem antes disso seremos extintos.
Nicéas Romeo Zanchett