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domingo, 6 de janeiro de 2013

AS SOCIEDADES SECRETAS


                                    AS SOCIEDADES SECRETAS
Sociedades secretas são associações ou grupos fechados com objetivos comuns. Antropólogos que estudam o fenômeno chegaram à conclusão de que elas existem a mais de 40 mil anos. As primeiras sociedades  surgiram pela consanguinidade. Elas eram formadas de clãs por partentesco. Essas sociedades antigas se ampliaram com o surgimento das uniões ou casamentos intertribais e, dessa forma, passaram a formar grupamentos mais complexos.  As primeiras sociedades tinham como principal objetivo a autodefesa do grupo e união pela sobrevivência.
Com a evolução e tomada da consciência espiritual, surgiram as primeiras confrarias religiosas com o objetivo  de se comunicar com os espíritos dos ancestrais e também dos animais.  Hà cerca de 30 mil anos a.C, como o aparecimento do homem  Cro Magnon, iniciaram-se as primeiras normas para rituais liderados por feiticeiros que cultuavam suas magias na presença de uns poucos escolhidos.

Com o desenvolvimento, as cerimônias sagradas foram se tornando mais complexas e restritas a um pequeno grupo de pessoas da comunidade. Surgiam assim as sociedades onde só os escolhidos tinham permissão para participar e conhecer os seus segredos. Os segredos eram partilhados apenas entre os membros e nunca deveriam ser conhecidos por pessoas externas que eram consideradas vulgares, profanas e incapazes de compreender seus mistérios.
Nos nossos dias modernos, onde a comunicação se torna cada vez mais veloz,  quando se fala em sociedades secretas nos vem logo à mente os grupos, cuja maioria foi formada na idade média, como templários, maçons, rosacruzes, iluminatis, entre vários outros. Algumas dessas sociedades deram origem a outras, ou seja, ordem   secreta dentro de outras ordens, como acontece na maconaria. 
As associações modernas surgiram com fundo político, econômico, religioso, ocultista ou esotérico. Elas operam no mundo todo e trabalham na inscessante busca de poder, dinheiro e domínio sobre todos os habitantes do planeta. 
Alem de todas as sociedades secretas, estão entre elas as sociedades com agenda política, como o Coletivo dos Partidos Socialistas, os Mau mau, Odessa e Hashishim, as organizações  do juizo final, a Ordem do Templo Solar. Há também as sociedades extremistas racistas como a Ku Klux Klan e também as sociedades que acreditam em uma raça perfeita como  a Sociedade Thule. 
Todas as sociedades secretas capturam a mente de seus discípulos e os tornam fanáticos, dependentes e crentes de alcançar seus objetivos, políticos ou financeiros, além da eternidade por meio de seus ensinamentos. 
Ao redor do planeta existem vários tipos de sociedades secretas, mas é muito difícil identificá-las com segurança por serem fechadas e secretas. Além disso existe uma transição fluída  entre comunidades religiosas, sociedades secretas, seitas e novas riligiões. Isto torna muito difícil uma delimitação entre elas. Em geral, as sociedades secretas são subdivididas em dois grupos principais: políticos e religiosos. Mas muitas pertencem às duas esferas e a maioria são de interesses econômicos, orientados para interesses sociais.
Além das sociedades com objetivos mais brandos, existem as  extremistas. São Sociedades secretas criminosas:  Elas utilizam o segredo como meio de conquistar poder numa atividade clandestina. São comunidades criminosas  que agem à margem da lei e da economia formal para proveito próprio. O segredo é a condição que garante a sua sobrevivência. Entre as mais conhecidas estão as máfias, as ninjas, tugs, coquillards, yakuza, entre muitas outras de menor expressão. 
As Sociedades secretas políticas, são associações com a finalidade de obter influência política para concretizar seus objetivos ideológicos. Na maioria das vezes, são formadas para lutar contra o Estado ou uma situação de dominação. É o caso do Foro de São Paulo, formado por representantes de partidos e organizações não-governamentais de esquerda da América Latina, cujo objetivo é dominar todos os países do bloco, sob a orientação "socialista-democrata". No mundo existem muitos exemplos de sociedades secretas com fins políticos: Al-Qaeda, Mão Negra, Thule, Carbonária, Sainte-Veheme, entre outras. As posições políticas dessas sociedades variam em largo espectro, que inclui partidos, organizações comunitárias sindicais e sociais, grupos étnicos, ambientalistas e guerrilheiros. Esse tipo de sociedade costuma recorrer à violência, e o segredo não é uma finalidade, mas um meio em si, indispensável ao seu projeto.
As Sociedades secretas religiosas são estruturadas em torno de crenças, dogmas, de práticas que associam os homens a uma fé transcendente. Os exemplos mais conhecidos dessas sociedades são o orfismo, o culto orgiático a Dionísio, os mistérios  de Elêusis, druídas, essênios, seitas gnósticas, maniques, Shingon, alauítas, drusos, catáros, Opus Dei, entre outros.  
As Sociedade secretas iniciáticas são diferentes das sociedades religiosas e tão antigas quanto à humanidade. Elas não pretendem revelar algum saber oculto de ordem divina, mas propõe melhorar seus adeptos e a sociedade onde vivem. Entre elas temos a sociedade teosófica, pitagóricos, templários, franco-maçonaria, xamanismo, rosacruz, entre outras. 
As sociedades secretas sempre exerceram grande fascínio no imaginário humano  pelo enigmático, pelo segredo e pela prática restrita. Sempre envoltas em mistérios e conspirações, desde a antiguidade, homens e mulheres já participavam das sociedades xamânicas ou de feiticeiros.  O cotidiano humano era dividido entre  os cultos oficiais e os misteriosos e impenetráveis. É o silêncio para manter o "segredo" desses grupos organizados que cria toda a aura de mistérios. A mensagem delas é a de que existe algo ou alguém que excede o restrito quadro da humanidade  e que somente a sociedade pode possibilitar o contato.
Independente da natureza de cada sociedade secreta, todas possuem em comum o segredo, regras rigidas e muitos enigmas a serem descobertos. 
Apesar de toda a aura  nebulosa das sociedades secretas, muitas surgiram e cresceram com elevados propósitos de ajudar os mais necessitados em geral ou uma categoria  de trabalhadores em particular. 
A fascinação ainda existente na história dessas sociedades é a eficiência em manter-se secreta. O segredo absoluto sobre o que fazem e o que transmitem para seus membros .     
Nicéas Romeo Zanchett 


domingo, 30 de dezembro de 2012

O CÉREBRO NA VIDA ADULTA

                                  O CÉREBRO DO HOMEM NA VIDA ADULTA
                       O cérebro humano é uma máquina que toma simples sensações e as transforma em pensamentos complexos. As sensações são recebidas dos nossos vários sentidos: vista, ouvido, tato, gosto, e olfato. Essas informações recebidas pelo cérebro são transmitidas para o corpo por meio de uma rede de nervos, como se fossem fios telefônicos levando mensagens.
                 Cada ser humano escreve a história de sua vida nas páginas mentais, isto é, nas células do cérebro. O misterioso processo que chamamos de memória é a releitura mental de passadas experiências de nossa vida. A memória depende da capacidade que cada um tem para guardar os fatos. 
                   Ao chegar à idade por volta dos 40 anos, o homem sofre algumas transformações, mas não há alteração no nível de inteligência. Os cientistas estão comprovando que o cérebro não piora com o tempo. Na meia idade a memória diminui, assim como a capacidade de captar novos conhecimentos, mas somos capazes de entender melhor o significado das coisas. É que nessa idade conseguimos usar melhor uma substância conhecida como mielina, que envolve as células do cérebro. Sem ela os impulsos são distribuídos descontroladamente. Como o cérebro atinge o pico de produção de mielina durante a meia idade, as conexões entre os neurônios ficam melhores.
                   Todos os neurônios do cérebro são protegidos por uma substância gordurosa branca (mielina) Sem ela, os impulsos nervosos não seriam transmitidos de uma célula a outra. Na infância, a maior parte dela se concentra em áreas do cérebro chamadas "córtex motor primário e lóbulo parietal" responsáveis pelo desenvolvimento motor e sensitivo. No adulto, a mielina se acumula em áreas conhecidas como "lóbulo frontal e temporal" responsáveis pela linguagem e pelo pensamento sofisticado. Quanto mais mielina nessas regiões, mais rápidos são os impulsos entre os neurônios. A informação vai direto de uma célula nervosa para outra. Como tem mais mielina nas regiões críticas para tomada de decisões, os mais velhos acabam sendo mais sensatos que os jovens.

                       O cérebro é divido ao meio por uma espécie de feixe de fibras. O hemisfério direito costuma ser prioritariamente o centro das emoções, da intuição e da criação artística. O esquerdo, o do raciocínio, do pensamento lógico e de certos tipos de memória. Eles são divididos por uma espécie de parede e funcionam independentemente. À medida que  envelhecemos, essa parede tende a desaparecer, levando os dois hemisférios a trabalhar juntos. Éle próprio, percebendo que está mais frágil, passa a compensar suas deficiências  usando os dois lados para manter o rendimento de antes.  Portanto,depois dos 40 anos, há uma mudança  do comportamento cerebral porque ele passa a funcionar como um todo.  Isto pode estar ocorrendo em resposta à longevidade do ser humano. O cérebro está respondendo às demandas da vida moderna. Antigamente, nessa etapa da vida, o homem reduzia todas as suas atividades, mas hoje, aos 50 anos, homem e mulher modernos mantém as mesmas atividades de quando eram mais jovens. Entretanto, o cérebro opera melhor para as pessoas que acumularam conhecimento. É o conhecimento adquirido ao longo da vida que pode fazer de alguém um velho sábio. 
              Vivemos no "mundo externo" do corpo físico de onde recebemos todas as informações. Mas precisamos viver também no "mundo interno" de pensamentos, sentimentos, desejos, intuições, curiosidades e outros estados psicológicos. É importante sempre colocar nosso mundo intermo em primeiro lugar na ordem do pensamento. 
Nicéas Romeo Zanchett

sábado, 29 de dezembro de 2012

AMOR E ÓDIO

                                         AMOR E ÓDIO
Amor e ódio são sentimentos tão intensos que podem até matar.
Como Nelsom Mandela, precisamos aprender perdoar sempre. Como São Francisco de Assis, que tanto amava e se compadecia dos animais, precisamos de mais compaixão.
Todas as paixões podem ser excitada em nós sem que, de maneira alguma, percebamos se o o objeto que as origina é bom ou mau. Temos amor pelas coisas que se nos apresentam como boas e convenientes para nós. Todavia, aquelas coisas que se nos afiguram prejudiciais aos nossos interesses, nos levam a considerá-las como más e nos excitam o ódio.
Os remorsos são frutos de nossas ações impensadas. Tal como precedentes paixões, não dizem respeito ao futuro, mas sim ao presente e ao passado.
A glória nasce da opinião favorável que os outros possam fazer do bem que em nós existe, tal como a vergonha é a censura que possam fazer-nos pelo mal que tivermos praticado.
O bem, que os outros praticam, desperta em nós a estima, mesmo que não sejamos os favorecidos. Entretanto, quando este bem é para nós, além da estima, desperta a nossa gratidão.
O mal feito por alguém para alguém que não sejamos nós, excita a nossa indignação, enquanto que aquele que nos é feito, além das indignação, desperta em nós a cólera e o ódio.
Somos apenas seres humanos, com defeitos e qualidades, vivendo num mundo em constante transformação.
Nicéas Romeo Zanchett
http://asfabulasdeesopo.blogspot.com.br

domingo, 18 de novembro de 2012

A CRIANÇA QUE FUI - Fernando Pessoa

                                A CRIANÇA QUE FUI - de Fernando Pessoa 
A criança que fui chora na estrada
Deixei-a ali quando vim ver quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada, 
Quero ir buscar quem fui onde ficou. 
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Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vida tem a regressão errada. 
Já não sei de onde vim nem onde estou. 
De o não saber, minha alma está parada. 
.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar, 
.
Na ausência, ao menos, saberei de mim, 
E, ao ver-te tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
.
Post : Nicéas Romeo Zanchett 
http://poesiasselecionadas.spaceblog.com.br



domingo, 11 de novembro de 2012

CÉLEBRES DISCURSOS DE ABRAHÃO LINCOLN.

                    CELEBRES DISCURSOS DE ABRAHÃO LINCOLN 
 Ex presidente dos Estados Unidos eleito em 1860, pouco antes da Guerra Civil Americana.
                                                    O DISCURSO
                      "Meus concidadãos: - Ao aparecer aqui pela segunda vez para prestar juramento como presidente, é menos propícia a ocasião para um grande discurso do que da primeira vez. 
                 Parecia então conveniente e adequada um exposição pormenorizada do plano a seguir. Agora, ao cabo de quatro anos durante os quais se têm constantemente feito declarações públicas sobre todos os pontos da grande questão que ainda absorve a atenção e ocupa as energias da nação, pouca cousa nova se pode dizer. As vitórias de nossas armas de que principalmente tudo o mais depende, são tão conhecidas do público como de mim mesmo, e a todos, confio eu, parecem suficientemente satisfatórias e animadoras. São permitidas as mais levantadas esperanças para o futuro, mas não nos é lícito aventurar predições. 
                    Ha quatro anos, em ocasião análoga, todos os nossos pensamentos se concentravam ansiosamente na ameaça de uma guerra civil. Todos a temiam, todos procuravam evitá-la. Enquanto era aqui proferido o discurso presidencial em que eu procurava salvar a União sem guerra, agentes dos insurrectos estavam na cidade procurando destruí-la sem guerra, tentando dissolver a União, e dividir os efeitos por meio de negociações. Ambos os partidos condenavam a guerra; mas um deles queria antes a guerra que deixar a nação sobreviver, e o outro antes queria a guerra que deixá-la perecer; e a guerra veio.
                  Uma oitava parte da população era formada de escravos de cor não distribuídos igualmente pela União, mas localizados na sua região meridional. Esses escravos constituíam  um interesse peculiar e poderoso. Todos sabiam que esse interesse era de algum modo a causa da guerra. Era para fortificar, perpetuar e estender esses interesses que os insurrectos queriam despedaçar a União pela guerra, ao passo que o governo não pretendia direito algum a fazer mais do que restringir o alastramento territorial da escravatura. 
                 Nenhum dos partidos pensava que a guerra teria a magnitude ou a duração que já atingiu. Nenhum deles esperava  que a causa do conflito cessaria com ela ou mesmo antes que o conflito cessasse. Cada um deles esperava o triunfo e um resultado menos fundamental e surpreendente. Ambos liam a mesma Bíblia e faziam preces ao mesmo Deus e cada um invocava o seu auxílio contra o outro. Pode parecer estranho que alguém se atreva a pedir o auxílio de um Deus justo para arrancar o seu pão ao suor de outros homens. Mas não nos arvoremos em juízes das ações alheias para que outros se não arvorem em nossos juízes. Não poderiam ser atendidas as preces de ambos. Nem uns nem outros foram completamente atendidos. O Todo Poderoso tem os seus próprios propósitos. "Ai do mundo pelos seus crimes, pois é inevitável que haja crimes; mas ai daquele por quem sucedeu o crime."
              Se nós supusermos que a escravidão que existe na América é um desses crimes que os desígnios de Deus exigem que se cometam, mas que tendo durado o tempo que lhe foi assinalado, Ele o quer agora fazer cessar e dá ao Norte e Sul esta terrível guerra como castigo merecido pelos culpados, poderemos acaso discernir nisso uma negação daqueles divinos atributos que os crentes em um Deus vivo sempre lhe atribuíram? 
               Esperamos confiantemente e pedimos com fervor que esta imensa calamidade da guerra depressa venha a ter um termo, mas entretanto, se a vontade de Deus é que ela continue até que desapareçam as riquezas acumuladas pelos escravos em duzentos e cinquenta anos de irrequieto labor, e até que cada gota de sangue vertido pelo látego (chicote de corda) seja resgatada por outra gota de sangue vertido pela espada, como se disse ha trezentos anos, nem por isso havemos de deixar de dizer que os "juízes do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos."
                 Sem maldade para ninguém, com caridade para todos, firmados no direito, tal qual Deus no-lo mostra, cumpre-nos continuar a esforçar-nos por terminar a obra que levamos encetada, pensando as feridas da nação, cuidando dos que suportaram o peso da batalha, e das viúvas e órfãos, fazendo tudo quanto possa concorrer para estabelecer e tornar grata uma paz duradoura entre nós e com todas as nações.    Por Abrahão Lincoln
.
                ABRAHÃO LINCOLN foi o décimo sexto Presidente dos Estados Unidos. Nasceu  em Hardin Country, Kentucky em 12 de fevereiro de 1809. Foi educado em escolas rústicas e durante a sua mocidade foi lavrador numa fazenda da família, caixeiro viajante, negociante e agente de vendas e locações de prédios. Estudou  direito e começou a praticar política em Springfield, no Ilinois. Teve assento na legislatura do Estado de  1834 a 1842; Foi membro liberal do Congresso Americano de 1847 a 1849 e em conseqüência da sua decidida oposição à escravatura ficou sendo considerado como o lider do Partido Republicano. A sua eleição à presidência em 1860 foi seguida da secessão dos estados do sul e a guerra civil que rebentou em 1861. Em 1862 publicou a sua famosa proclamação de emancipação; em 1864 foi reeleito por uma grande maioria contra McClellan, candidato do Partido Democrático, e estava estudando um plano de reforma da união, quando foi mortalmente ferido com um tiro pelo ator João Wilkes Booth, em Washington, a 14 de Abril de 1865.  Morreu no dia seguinte.
                                       ORAÇÃO DE GETTYSBURGO 
                                             Por Abrahão Lincoln 
                  Pronunciada em 3 de julho de 1862, aniversário desta decisiva batalha.  
                  Ha oitenta e sete anos os nossos pais estabeleceram neste continente uma nova nação concebida na liberdade e fundada no princípio de que todos os homens são iguais .
                  Agora estamos envolvidos em uma grande guerra civil e experimentamos se esta nação ou qualquer nação assim concebida e orientada pode durar muito.  Encontramo-nos em um grande campo de batalha desta guerra, para consagrar uma parte dele e a servir de última morada àqueles que deram as vidas para que a nação pudesse viver. É inteiramente justo e natural  que assim procedamos. 
                    Mas em um sentido mais lato nós não podemos dar este terreno. Os bravos vivos ou mortos que lutaram aqui consagraram-no muito acima do nosso poder de dar ou retirar. O mundo pouco saberá e por pouco tempo recordará o que nós aqui dissermos, mas não esquecerá nunca os atos que eles aqui praticaram. A nós é que nos compete dedicarmo-nos aqui à grande obra que está diante de nós e tomaremos pelo exemplo desses venerados mortos mais ardente dedicação à causa pela qual eles aqui deram a mais completa prova de devoção, e prometamos-nos que os mortos não morreram em vão, que a nação terá, com a ajuda de Deus, uma nova vida de liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecerá da terra. Por Abrahão Lincoln
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"Nascer, lutar, sofrer - eis toda a vida!" - Gonçalves Dias.
"Abram as portas à verdade e a mentira: é a mentira que há de entrar primeiro." - Napoleão III.
" A minha vida ensinou-me que tenho muito a esquecer e muito de que me perdoarem." - Bismarck.
"Os revolucionários políticos parecem-se bastante com estes regadores das estradas e ruas, que podem fazer lama quando há sol, mas que não sabem fazer sol quando há lama." - Alexandre Dumas.
"O amor do povo pelo seu governante eleito perdurará o tempo que perdurar a sua glória." Romeo Z.
 
Nicéas Romeo Zanchett

sábado, 3 de novembro de 2012

SAFO - A POETISA DE LESBOS

                      Pintura acrílica de Romeo Zanchett
                           SAFO - A POETISA DE LESBOS
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                  Lesbos era a ilha das paixões e o centro da cultura eolia da raça grega. A energia que os jônicos consumiram pelo prazer, pela política, pelo comércio, pela ciência, pela legislação e pelas artes eram restringidas à esfera de emoções individuais. Em nenhuma época da história grega, o amor à beleza física, a sensibilidade ante a natureza radiante e o fervor consumado do sentimento pessoal, tomaram tão grandes proporções e receberam tão ilustre expressão como em Lesbos. Foi ali que desabrochou a mais bela poesia lírica de que o mundo teve conhecimento.

                    Safo nasceu por volta de 612 a.C em Fresco, na ilha de Lesbos. O sábio Platão a definiu como "a décima musa" e Sócrates como "a bela".
A voluptuosidade da poesia eolia não é como a da arte persa ou árabe. É grega nas suas proporções, no seu tato e no seu domínio de si. 
Nas poesias de Safo está tudo tão ritmicamente em ordem pela arte suprema da serenidade, da grandeza, da expressão, do abandono e da paixão. 
Safgo, que se chamava Psafa no seu dialeto eolio, foi a única grande poetisa do mundo grego antigo. Ela viveu antes do nascimento de Gautama, fundador do Budismo. Sua poesia foi forte o suficiente para resistir a mais de vinte e seis séculos. Sua importância ultrapassa fronteiras. A sobrevivência de sua obra deve-se às citações de gramáticos e de lexicógrafos, sem os quais nenhuma palavra teria chegado aos nossos dias. Apesar do tempo e das dificuldades gráficas, suas obras se conservaram intactas até, pelo menos, o terceiro século de nossa era. 
Embora não pareça existir evidência afirmativa, consta que as obras de Safo e de outros poetas líricos foram queimadas em Constantinopla e em Roma no ano 1073, no papado Gregório VII. Já Cardano dissera que esta queima foi sobre o regime de Gregório Nazianzeno, cerca do ano 380 de nossa era.Pedro Alcídio diz ter ouvido, quando muito novo, que muitas obras de poetas gregos foram queimadas por ordem dos imperadores bizantinos e em seu lugar foram circulados os poemas de Gregório Nazianzeno. O Bispo Bloenfield declarou que devem ter sido destruídas bem cedo, porque nem Alceo e nem Safo foram anotados por qualquer dos gramáticos ulteriores. Não há sombra de dúvidas que sua obra era grandiosa. Poucos foram os preciosos versos que escaparam à destruição promovida pelo anti-paganismo. 
                                Escultura de Romeo Zanchett
Mas quem foi esta misteriosa Safo? Seu nome é encontrado em todo o lugar, mas o mistério permanece. Que existiu, não há dúvidas, mas quais terão sido as sublimes artes que usou com as mulheres? Era tão mulher  ao ponto de suas seguidoras serem chamadas de sáficas. Não tinha medo de homem, fosse ele de pequeno ou grande cérebro, a ponto de dizer: "eu amo as mulheres e elas me amam". Safo excitou, e foi banida por seus contemporâneos, porque adorou e depravou centenas de garotas. Seu fim foi dramático como ela própria: Suicidou-se aos 55 anos, quando percebeu que o homem que amava não a queria e ainda a isultava. Uma grande poetisa , talvez a maior de todos os tempos. Possuidora de um caráter mórbido e melodramático, de personalidade inquieta, sonhadora e erótica. 
As jovens de hoje, que possuem os mesmos gostos apaixonados comentam sua história  por ter ouvido falar. As verdadeiras herdeiras de Safo são as intelectuais que conhecem o essencial de sua vida e seu modo de amar. O orgasmo sáfico é muito mais que cerebral: é uma apaixonante dedicação física a outra mulher, seja ela ativa ou passiva. 
Dos doze mil versos conhecidos, sete mil enlouquecidos e cheios de libidos, em sua grande parte, foram queimados pelas Cruzadas cristãs. 
De todas as maravilhosas poesias que dedicou às suas amantes, somente a última chegou completa até nós. "ODE AO AMOR". 

                   Desenho de Romeo Zanchett

            ODE A VÊNUS - por Safo
Filha de Jove, que tens altares
Em cem lugares, Diva Falaz:
Ah! poupa máguas a quem te adora
A quem implora favor e paz.
.
Tu já outr'ora piedosa ouviste
O brado triste da minha voz:
E da paterna mansão celeste
A mim vieste pronta e veloz.
.
Ao nívio caro jungido tinhas
Das avezinhas o meigo par.
E voando pelo ar sereno
Em prado ameno veio pousar.
.
E tu, sorrindo, de mim diante
Meigo o semblante falaste assim:
"Safo, eu te vejo tão consternada,
Por que magoada chamas por mim?"
.
"Paixão te oprime? Gemes, suspiras
Dize, a que aspiram com tanto ardor?
Alguém, ingrato, se te não rende?
Ah! quem te ofende com tal rigor?"
.
"Há de rogar-te, se te ora enjeita
Teus dons rejeita? Dons te dará:
Desquer-te amado? Por ti já esquiva
Em chama ativa se abrasará".
.
Também agora, deusa benigna
A mim te digna  dar proteção:
Auxiliadora neste conflito
Vale ao aflito meu coração.
                       PUDOR - por Safo
A teus dote qual mais encantador
Tu ajuntas, amável criatura,
Um para mim de todos o maior,
E que até embeleza a formosura: 
O pudor!
Safo era um verdadeiro homem, gentilmente mulher, com virilidade pelo frágil sexo. Sua infância foi em Mitilene, onde vivia com três irmãos, invejando-os por seus atributos sexuais masculinos que eram seu sonho maior. Dizem que era bem feminina e graciosa, possuidora de um belíssimo corpo, estatura baixa, pele escura e peluda. Assim se descreveu: " A natureza não foi madrinha, me recusou o esplendor do rosto, compensarei com minha genialidade satânica e com noites atrozes, onde os cegos enxergarão com a potência dos meus sentidos..."
Politicamente, teve implicações na conspiração dos nobres contra o governo democrático, foi exilada por infâmia. Mudou-se para Siracusa, casando-se com um ricaço, permanecendo pura e intocada pelo membro masculino, como fez questão de acentuar: "E virgem permanecerei sempre, mas se algum dia acontecer de encontrar uma menina... Na ocasião a possuirei com ardor e também em mim mesma usarei um objeto com ponta e bem afiado.
Suas queridinhas amantes não lhe deram exclusivamente prazer orgásmico. Conta-se que uma jovem loura provocou a ira de Safo causando-lhe ciúmes e foi esganada. Uma outra loura, sua amante, entregou-se a um militar e desta vez a poetisa desabafou com sua pena: "Áttide, não te lembras do luar banhando teu despido corpo? E minha língua rósea que levemente escorregava no teu escuro orifício? De ti me persiste a memória e em ti não existe lembrança!  Lembrarás dos meus braços que tantas vezes te transportaram ao êxtase?"
A infiel loura apaixonou-se pelo militar grego, arrancando lágrimas de Safo. -"Ó amor, quem é o homem que senta à tua frente? Ah, me sinto enlevada pelo macho que está a teu lado porque já me falta a voz, e sinto a língua partida. Debaixo da pele, um fogo implacável circula. Os meus olhos não te enxergam mais... Te desejo, ainda te quero, te arrancarei dele... O suor me inunda, os meus braços de macho te sacodem e te apertam. Oh, se eu tivesse músculos para desmembrar-te para sempre! Devo resignar-me por não possuir aquelas três coisas do macho?  Nunca! Voltará para mim e "ali" te abrirei, enlouquecerás e esquecerás".
Jamais se cansava de repetir suas preferências: - " Amo a vida elegante e mulheres louras, claras como a lua, refinadas e esquivas. A beleza de minhas amantes é para mim como a luz do sol..."

Na necrópole heleno, egípcia de Ossirinco, foram descobertos alguns sonetos lésbicos, em louvor à mulher, gravados em sarcófagos.
"Permaneces imóvel e do lado de lá nada conheces. Eu sinto nos meus braços mudos o tormento do verão nas primeiras chuvas, o medo do teu frio seio e da tua flor no alto. Meu rosto reclamará de ti suor e lágrimas. Mas, pobre de mim, serei como meus dedos, vazios áridos. Chama, ó amada, a vida repetida, de quem por Ti a paixão prosta..."

   OUTRAS OBRAS BELÍSSIMAS:
"Oh, tu imortal beleza, tecedora de enganos, peço-lhe
não mostrar com penas e ânsias de amor o meu corpo e
o meu coração! Te adoro! Te quero para mim e para sempre.
Aqui vieste, voltaste. De longe ouviste minha voz e deixaste pai e mãe para seguir-me no leito dourado...
Te condiziam pássaros leves e elegantes sobre a terra escura dos meus braços fortes.
Rapidamente vieste. Gritaste.
E tu, maravilha, sorrindo em teu rosto mortal me perguntaste de que penas sofria e o que ainda suplicava...
No teu peito em delírio, sobre meu seio inexistente o que, diga-me, suplicavas?
Tu? Oh, mas me foges agora, cedo te perseguirei. Se recusares presentes, muito cedo presentes te darei.
Se não me amas, cedo me amarás, mesmo contra tua vontade. Venha a mim agora!
Quanto Clamor se compraz o teu corpo, e sobre o meu o teu Grande prazer, finalmente se cumpra! És minha!
Tu própria, no espasmo final
que me dás tua beleza e me assistes..."
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"O sangue flutua rápido em minhas veias; um acre calor invade minhas fibras. Ruborizo-me. Baixa a voz ao responder um gentil pensamento, inutilmente procuro e não acho. Com tumulto e força bate o sangue no meu peito. Morre a voz, enquanto eu passo minha língua em sua boca".
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Guardo a chama dentro do meu sangue e fervo,
um estúpido e continuado tintinar, me enche
os ouvidos, e sonho. Levanto o olhar, e entrevejo
sombra de macho. Me encontro apagada, um suor
gelado, a fisionomia morta como erva que não
cresce, tremendo em arrepios, enquanto minha
língua ativa se dirige em tua direção. Anseio
a ti cada vez mais, quase até a morte certa,
apagar este fogo".

                                Pintura acrílica de Romeo Zanchett
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"Virgindade, virgindade me deixas, onde vais?
Não voltarei mais para ti, nunca mais.
Tu és a flor purpúrea, que meus braços rudes,
pisam no abraço e aqui deitam, enquanto lá fora
a brilhante aurora de beijos, carícias e humores
e morte, venham para mim, porque tanto te desejei...".
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"Uiva o vento entre as árvores. O meu não não parece um rumor,
mas é o amor que corre, a paixão devoradora  pelos teus lindos
cabelos e teus membros alvos, me esgota e me quebra.
Assim só, te desejo, eu morro!"

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"Alegria de viver, mais não tenho. A vontade de
morrer se apossa de mim, ver o lótus, molhado de
orvalho às margens do Acheronte...".
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"Oh, fêmea, que meu hábito não sentir e não provar, ir
aqui e alí entre obscuros mortos que esvoaçam sobre sua traição.
Oh amor, pudesse eu com meus braços sufocar-te. E a aquela
vida de erros em segundo apagar..."
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"É como a maçã vermelha em seu ramo mais alto, os
colhedores a esquecem. Não esqueceu quem era como
ela, mas também não conseguiu alcançá-la".
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Procurei mostrar-lhes um pouco da vida e da obra desta grande poetisa que, na verdade, nunca morreu. Para as amantes especiais e as amizades amorosas, Safo continua existindo. No mundo do amor entre iguais, ela sempre será a musa e a deusa maior.
Nicéas Romeo Zanchett
http://amoresexo-arte.blogspot.com.br


domingo, 28 de outubro de 2012

HISTÓRIA DO TEATRO

                         HISTÓRIA DO TEATRO
                O Teatro consiste numa representação de qualquer gênero ou assunto, sugerido ou escrito por autores teatrais e representado por atores, num edifício construído para a própria representação.
                Mas, se o teatro real e próprio nasceu há cerca de 2.600 anos, suas verdadeiras origens perdem-se na noite dos tempos.
                O "senso do teatro"  consiste no desejo de nos liberarmos, de quando em quando, nas asas da fantasia e de esquecer, mesmo que momentaneamente, a rotina diária para personificar ou assistir a peripécias incomuns de todos nós. Esse senso é possível se verificar, em certas brincadeiras de crianças que gostam de improvisar-se atores e de maneira instintiva  recitar e representar  mediante gestos, palavras e disfarces.
               Buscando suas origens no tempo remoto iremos nos deparar com o homem da idade paleolítica, a envergar máscaras e travestir-se, para recitar rudimentares salmodias, danças e, mais tarde, esboços de diálogos, por ocasiões de determinados acontecimentos importantes para a tribo: a colheita, o ingresso dos adolescentes na vida adulta, as núpcias, a saída para a caça, os ritos e orações dos mortos, etc.

As celebrações religiosas teóricamente surgiram de representações teatrais com o objetivos de ganhar graças da divindade, mas a sua verdadeira finalidade era atrair novos membros para os grupos religiosos.

                Envergando a máscara, o celebrante não acredita estar simplesmente travestindo-se, mas julga, ingenuamente, que a divindade à qual sua máscara, imaginariamente, o torna parecido tenha entrado no seu corpo. Nos povos hodiernos, esta identificação do ator com a divindade representada, aos poucos foi desaparecendo.
                     A celebração da missa - ritual da religião católica - teve seu início na idade média quando, depois da "Peste Negra", os sacerdotes resolveram celebrar o ritual ao ar livre para atrair adeptos que estavam sedentos das representações teatrais que haviam sido proibidas para evitar o contágio e proliferação da doença. O ator se tornou cônscio de estar representando um papel, e o público se convenceu de que aquele que lhe estava á frente não era um deus, mas sim um ator disfarçado como tal. Esse novo conceito de representação fez com que ela pudesse tornar-se mais complexa e que se pudessem representar episódios inteiros relativos à vida mítica do deus, enriquecendo-os com partes recitativas e diálogos. As recitações, embora tivessem preâmbulo, acima de tudo, de cunho religioso, e raramente com assunto profano ou humorístico, aproximaram-se muito mais daquilo que nós entendemos por teatro. Lá pelo terceiro milênio a.C, no Egito , ja existiam, de maneira bastante evoluída, representações dessa natureza. Pelo que podemos saber, eram escritas por um encarregado especial e  recitadas  nos templos estreitamente ligados à celebração dos mistérios litúrgicos.

                   O teatro clássico, de que foi herdeiro nosso atual teatro de prosa (drama, comédia e tragédia), nasceu na Grécia, no século V a.C; mas também na Grécia ele foi precedido de cerimônias análogas àquelas descritas, que, nos campos e nas cidades, eram celebradas em honra a Dionísio, deus da fertilidade. Nessas festas agrícolas, que compreendiam longas teorias processionais de bacantes e "sáticos", mascarados com peles e chifres de animais, assumiu grande importância o "ditirambo", uma invocação versificada em louvor a Deus, que se desenvolveu de tal forma precisando-se criar dois "corifeus", que dialogavam entre si, dois "coros", que por meio do canto comentavam, e um terceiro personagem respondia em nome do deus que estava sendo louvado.  Desta representação coral, e conservando, a princípio, os mesmos argumentos religiosos, derivou-se o gênero teatral mais importante que vamos encontrar representado em Atenas, no século V: a "tragédia". Além das tragédias, em cuja composição brilharam os melhores atores, como Ésquilo, em que o tema é quase sempre religioso, e Sófocles que, mesmo agitando problemas altamente morais, muito mais aprofundou os dramas do homem, firmando-se um gênero teatral de carátel profano e realista, cuja sátira moral abordava os assuntos mais escabrosos da vida citadina: a "comédia".  Tragédias e comédias eram representadas durante as festividades  dionísicas, que ocorriam quatro vezes por ano. Acima de tudo, as tragédias eram consideradas como parte  dos festejos religiosos; por este motivo, o público se sugeitava a permanecer o dia inteiro no teatro, pois uma representação compreendia três tragédias e um drama satírico, espécie de breve comédia. À reprsentação inaugural assistiam, sempre, os sacerdotes de Dionísio e os magistrados. Durante longo tempo, a tragédia gozou da máxima honra, e muitos tratados sobre a maneira de escrevê-las foram organizados por Sófocles e pelo grande  filósofo Aristóteles; as obras teatrais eram sempre escolhidas após rigorosa seleção e mediante um concurso regular; ao fim da estação teatral, era premiado o autor das melhores obras. Os atenienses amaram profundamente o teatro, não só pelo divertimento que lhes proporcionava, mas também pelo valor educativo que inspiravam os assuntos tratados e por esse motivo as mulheres e crianças eram admitidos às representações. Para isso o govêrno não só remunerava os atores, subvencionava os empresários teatrais, mas ainda se preocupava em reembolsar os pobres dos gastos necessários para assistir à representação, e o cidadão era sorteado para ensinar o coro para a tragédia e garantir as despesas para sua manutenção. Os atores gozavam de grande estima. Raramente eram autores do original, com número de três e, nas comédias, por vezes encarnavam vários personagens.
                    A partir do século IV, os espetáculos deixaram de ser obrigatoriamente ligados ao culto dionisíaco e, na Sícília, na Macedônia, na Tessália, no Egito, bem como em toda a parte onde o teatro grego estivesse difundido, prevalecia o uso de festejar, com representações teatrais, qualquer acontecimento importante da cidade. Já com Eurípedes, o último grande trágico grego, as tragédias não possuíam mais o valor religioso, e a comédia, depois do grande comediógrafo Aristófanes, perdeu o áspero poder satírico, tornando-se, o enredo, sempre mais vulgar. Sem, contudo, gozar do acesso aos teatros, mas contendo-se em ser representado nos grandes espetáculos de praça pública, assumiu grande voga o "mimo", uma espécie de farsa, entremeada de danças e jogos representando cenas de costumes plebeus, que estivessem na moda em Roma.
                Dessa forma, o teatro como rito passou ao teatro como passatempo; o ator, bem como o jogral e o gladiador, devia divertir o público sem malícia e sedento de novidades; e tudo quanto deriva do gosto grego era novidade na Roma dos Césares. Foi assim que nasceu uma literatura teatral  de importação, que refazia os temas gregos, escolhendo espontaneamente aqueles mais adequados ao espírito latino. 
                Roma acolheu o teatro grego quando os grandes  gêneros da tragédia e da comédia  já estavam em decadência, nem, de resto, o realista espírito romano teria compreendido o alto espírito religioso e moral das obras  gregas da idade clássica. Antes que Lívio Andrônico, um liberto de origem grega, traduzisse para o latim e introduzisse nos teatros romanos algumas tragédias e comédias gregas (cerca de 240 a.C.) e que Névio, depois dele, desse início a um teatro que representava  cenas da vida romana, em Roma, já estavam e uso alguns primitivos espetáculos cômicos, aliás, nunca representados em teatros regulares e introduzidos na Urbe por atores campânios e etruscos: o "fescenino" e a "sátira", espécies de palhaçadas ou pantominas, e a "atelana", outra espécie de farsa com entrecho romanceado (fábula), recitada por atores mascarados, que personificavam tipos fixos (algo parecido com Bringuela, Polichinelo, Pantalão, etc.) Mas, também em Roma, com os poetas trágicos Ênio Áccio e Pacuvio, floresceu um teatro (e as tragédias se chamavam "tragoediae praetextae" (nome, em latin, que lembrava a toga romana, em que se inspiravam o vestuário dos atores); entretanto a veia espontânea e nativa dos romanos orientou o teatro, de preferência, para o gênio cômico, para as encenações espetaculares, para as comédias: "paliate", se de argumento grego, "togadas", se de argumento romano, "trabearte, se os protagonistas eram cavaleiros, "tabernarias", se eram tipos populares, ou, então, para os mimos, as "atellane" e, no período imperial, para os grandes espetáculos circenses. Os romanos iam ao teatro mais para se divertirem do que para colherem, nas palavras dos atores, qualquer ensinamento e sendo, também na comédia, proibida qualquer sátira política, que a democrática Atenas permitia amplamente, ao teatro não restou senão seguir as pegadas do realismo bastante romanceado (como nas obras do grande Plauto e naquelas mais delicadas de Terêncio), e,o que é pior, para piadas inconvenientes. 
               Os edifícios para representações surgiram, em planta estável, relativamente tarde; tiveram estruturas grandiosas, aparato cênico bastante complexo e luxuoso; mas os atores, dado ao pouco valor que os romanos atribuíam ao teatro, eram  desprezados, e sua profissão não era considerada digna para homens de condição livre. 
                Na lenta, mas progressiva decadência do Império Romano, o teatro foi tornando-se sempre mais corrupto e imoral e, com o aparecimento do espírito cristão, a nascente Igreja condenava todos os espetáculos teatrais, proibindo aos fiéis de assistirem às representações. Consideravam condenável aquele gênero de teatro e não o teatro  como representação em si, porque, na Idade Média, o Teatro renasceria, justamente no seio da Igreja.

               Em certo sentido, o teatro voltaria a ser ritual, sua função novamente educativa e sacerdotal, num clima renovado e mais inocente. Iria começar um novo ciclo, um ciclo eterno; primeiro, o teatro sacro e primitivo das idades infantis da história; depois, o teatro solene, que exalta a atividade do homem como ser moral; em seguida a farsa e o divertimento puro.
                 Atualmente o teatro moderno compreende todo o espaço que modeia entre o pano de frente e a parede de fundo. No sentido de largura, o teatro compreende, ao centro, a "cena" ou o "palco", isto é, o lugar em que se desenrola a ação é aquela que fica à vista do público; reservando as manobras, fica a parte dos bastidores na mudança de cenários. No sentido de altura, o teatro compreende três partes; o subterrâneo, por onde se faz todo o trabalho dos alçapões, a cena propriamente dita e o "urdimento", onde se fazem várias mutações. 
              Hoje,  em todos os centros adiantados, já existem palcos móveis, sobretudo nos grandes teatros, e isso permite a apresentação simultânea de vários quadros, quando as peças a representar são de muito movimento. 
              A iluminação da cena é muito elaborada e com efeitos especiais. A rampa tem um ranque de lâmpadas elétricas. As gambiarras, dispostas do mesmo modo, ajudam na iluminação do cenário. Os projetores dão a variedade de cores e iluminação com aspectos maravilhosos. Um verdadeiro show de esfeitos especiais.
Nicéas Romeo Zanchett 
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